Não se deve esquecer que a história do mundo começou a ser transmitida por gravações nas pedras ou em torno de fogueiras, como parte da evolução humana da mais difícil e necessária das artes, o diálogo, como ferramenta capaz de abrir espaços no próprio tempo para alguém simplesmente se colocar a ouvir e saber.
Dialogar não necessita de condições especiais, pois ele é incidental quando permite acessar a intimidade de cada um, os interesses, as dores e as dificuldades do outro, enquanto abre seu coração para ser acolhido.
Egoístas que somos: às vezes quando começamos a dialogar queremos receber antecipadamente, aceitar e aguentar, antes de lembrar que o outro quer abrir o coração, para ouvirmos sobre sua vida, angústias e esperanças, porque de espírito desarmado sabe que o que nos interessa mesmo é o que ele pensa, ama e sonha seguro que não será usurpado.
Numa época em que o condimento é mais importante que a salada, ouvir significa deixar de lado aquelas coisas que em princípio nos interessam, e muito, mas não podemos esquecer que devemos tomar aulas de disciplina e administração, para aproveitamento nem que seja do mínimo do nosso tempo livre e se por a disposição de quem obcecado pelos acontecimentos que lhes angustiam, nos procuram em busca de alívio espiritual que muitas vezes não percebemos.
Não devemos nos tornar insensíveis renunciando, esquecendo, preocupam-nos apenas com o dia a dia, sem de vez em quando chamar nossos filhos, todos, mas principalmente àqueles que apreciam o lado mais frenético da vida, os amigos, ou que já tenham enveredado por infelicitantes caminhos da vida para ouvir, manter ou criar um clima de diálogo benéfico para toda a família, independentemente de ideologias que passam mais rápido que vento na janela.
Para se manter um diálogo em família, não se podem estabelecer condições. Conversar significa que alguém tem alguma coisa a dizer e o outro tem o que escutar, e nestes momentos é que são descobertas novas propostas enriquecedoras provenientes de ensinamentos nunca propostos.
Muitos pais se colocam na condição de vítimas do sistema e o usam como escudo de defesa, ao descobrir que a triste realidade pelos acontecimentos que os distanciaram, era deles mesmos por não saberem o que dizer para seus filhos, na hora em que eles mais precisavam, ora por não terem aprendido, e principalmente por não querer começar a extirpar seu próprio orgulho.
Nem todos têm um "contador de histórias" ou idosos que tem muito que contar do enorme acervo de exemplos do seu mundo familiar, nem lembram que simultaneamente todos têm a perder quando não ouvem os mais jovens, envolvidos nas asperezas que a vida oferece também tem muitos conselhos e reflexões a dar, impedindo o diálogo que não tem preço.
O diálogo em família é acessível a todos, basta que se dê sem impor preço, pois a recompensa será a paz que se faz sentir incondicionalmente.
Comecemos então...
Escritor amador - Articulista em jornais, revistas, sites, grupos e listas de discussão, do ponto de vista bio-psico-sócio-espiritual. Autor dos livros: Vida de Autista; Autismo - Deslizando nas Ondas; Deficiência ou Eficiência – Autismo uma leitura espiritual; Vivo e Imortal - Ensinando a Aprender; Adoção - O Parto do Coração. Brasileiro. E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Autoconhecimento clicando aqui. |
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