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Determinada? Eu?  
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Determinada? Eu?

por Andrea Pavlovitsch


Fui à minha médica de família ontem. Ela é geriatra e cardiologista, e examina a minha família há muitos anos. Meu pai tem uma arritmia cardíaca, que ela trata com sucesso, então sempre me pede os exames cardiológicos (por causa dos fatores que eu carrego como a obesidade).

Nunca tive problemas. Meu colesterol anda um pouco para cima e para baixo, dependendo mais da dieta do que de outra coisa, mas nunca sai do “poderia ser melhor, mas não está ruim”. A glicemia é controlada e eu tento, na medida do possível, manter uma alimentação que eu sei que não aperta meus botões, como cereais integrais, e sem excesso de açúcar e gordura. Enfim, cuido da alimentação.
Sempre fiz exercícios, mas estou parada há quatro meses depois que parei de dançar por descobrir um esporão nos pés. Aliás, meu pai tem esporão no pé. E eu sou bastante parecida, fisicamente, com ele. Não tem como negar.
E até então eu achava que as semelhanças paravam por aí. Herdei, sim, a inteligência e a ansiedade, mas continuava firme no propósito de achar isso completamente reversível. Fiz muita terapia para isso. E ainda não resolvi 100%.
Eis que ontem ela me mostra detalhadamente meu ecocardiograma. Ele estava todo normal, incluindo o laudo do laboratório, mas...e sempre tem o “mas”, escondido na quarta página de gráficos estranhos que eu só pensei em ver aos 90 anos no leito de morte, estava uma curva aberta demais.

Ela começou me tranquilizando, dizendo que eu não tenho uma doença, mas uma tendência. O batimento do meu coração, quando sob emoção ou esforço físico – na verdade foi o teste de esteira ergométrica – falha. Não é uma arritmia, não dá para considerar, mas é como um início, uma pré-ideia de que aquilo, também, eu carreguei do meu pai.

Estava assistindo o TED de Alain de Botton, um filósofo sueco que pedia mais gentileza quando o assunto é o sucesso das pessoas. Dizia que, antigamente, uma pessoa que não enriquecesse era considerada desafortunada. Hoje em dia, se você não enriquecer – e ilustrar tudo nas redes sociais – você é um perdedor.
O termo “loser” (perdedor em inglês) é bem forte nos EUA, por exemplo. É uma das maiores ofensas que podemos fazer a alguém. De acordo com a cultura vigente, se você não é algo, precisa ser. E precisa se esforçar muito para ser.

Pensei na minha obesidade. Um termo médico horrível. Acho que ainda prefiro ser mesmo chamada de gorda. Gorda é uma característica, como qualquer outra, e outra das características que eu herdei do meu pai. Passei a vida ouvindo que “precisava fazer alguma coisa”, como se fosse tudo culpa minha. E a arritmia herdada, a inteligência acima da média, a ansiedade precisa também?
Interessante porque vivemos nos pressionando a ser coisas que simplesmente não temos condições e agora estou falando de condições genéticas e físicas herdadas de antepassados que nem conhecemos.

Uma vez assisti um vídeo maravilhoso da Claudia Feitosa-Santana, sobre a ilusão do Livre-Arbítrio. Ela é neuropiscóloga, e conta um caso de um pedófilo que nunca foi um pedófilo. Ele era um homem comum, pai de família, até começar a sentir desejo por crianças. Prestes a ser condenado à morte nos tribunais, o advogado decidiu pedir uma ressonância no cérebro e descobriram um enorme tumor.
Após a descoberta do tumor ele passou por uma cirurgia e o comportamento desapareceu. Alguns anos depois ele voltou a apresentar o comportamento, fez uma nova ressonância e viu que o tumor tinha voltado. Ou seja, o comportamento era culpa do tumor e não um desvio de caráter.

Até que ponto perdemos o nosso sono à noite tentando resolver problemas que, apesar de estarem em nós, simplesmente não podem ser resolvidos. Existe uma determinação maior, muito e muitos fatores – e o genético é só um deles – para o que somos e sim, tudo isso deve ter um sentido. Uma natureza sábia, que faz coisas tão inteligentes com os animais – assistiam o National Geografic que não me deixa mentir, e com os humanos. A recém descoberta plasticidade do cérebro humano, que usa novos caminhos cada vez que precisamos. Somos tão pequenos e ignorantes para julgar as coisas e as pessoas e, pior, a nós mesmos.

Uma vez ouvi que se eu não conseguia resolver um problema, simplesmente desista. Talvez você queira resolver um problemas insolúvel. E não, não estou falando de pegar uma tigela de pipoca e passar o resto dos seus dias na frente da TV. Estou falando de fazer, ser e ter as coisas que você consegue. Sim, esforçar-se para isso, mas sem se perder no caminho. E sem achar que você um completo idiota se não consegue ser magro, rico, alto, loiro, ou qualquer outra coisa que dizem que as pessoas “legais” precisam ser.

Ser você mesmo não é esquecer do outro, muito pelo contrário. É conseguir criar empatia com o outro, entender que o outro tem limites que até ele mesmo desconhece e que não é você que vai resolver muitas vezes, com palavras ou “falando tudo na cara”. O outro precisa de espaço e aprendizado mas, às vezes, nada disso vai importar. Ele vai continuar só sendo ele mesmo.
E pasme! Você também. Você pode não ter nascido para ser a maior estrela de rock, ou ter um apartamento tríplex na Faria Lima. Talvez você seja mesmo, de verdade, feliz com o que você é e o que você já tem. E pensar assim dá um alívio danado e um conforto enorme.
Texto Revisado
 


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Autor: Andrea Pavlovitsch   
Aprendi a me amar e respeitar acima de tudo. Agora passo isso para as outras mulheres. 
E-mail: contato@andreapavlovitsch.com
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Publicado em 2/9/2018

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