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Vamos malhar o Judas?


por Renato Mayol

Vamos malhar o Judas?

São várias e conflitantes as interpretações dos fatos baseados em escritos tidos como sagrados sobre os quais é feita a execração do Judas, sem esquecer que para os muçulmanos foi Judas quem acabou na cruz, transformado, como punição, em sósia de Cristo. O fato é que dificilmente saberemos qual a versão verdadeira sobre suas ações e seu destino.

Dessa forma, evitando a vala comum onde até Dante Alighieri na sua "Divina Comédia" coloca Judas na maior profundeza dos infernos, vamos analisar a versão que considera que Judas Iscariotes foi talvez o apóstolo que mais sofreu com os acontecimentos que levaram Jesus à morte.

Tal versão baseia-se em um manuscrito autenticado como datando do século III ou IV (220 a 340 d.C.) descoberto em 1970 numa caverna no deserto do Egito e divulgado em 2006. Apesar da autenticidade desse manuscrito, ele não é reconhecido pela igreja católica apostólica, pois suas informações contradizem aquelas contidas nos evangelhos de Mateus, de João, de Marcos e de Lucas. Evangelhos esses, convenientemente estabelecidos como os únicos que os católicos apostólicos devem ler em contraposição aos outros, chamados de apócrifos, ou seja, considerados de origem suspeita ou duvidosa, na opinião dos chefes da igreja católica apostólica.

Dentre os doze mensageiros escolhidos por Jesus, um deles foi Judas (palavra que significa "abençoado" ou "louvado") que, dentre os apóstolos, era talvez o único que sabia ler e escrever. Visto que Jesus sempre soube qual seria o papel de Judas, nunca deixou de lhe mostrar seu amor, pois para se cumprir a profecia, a traição estava contemplada no plano de Deus. Assim, numa das passagens dos manuscritos apócrifos, aparece Jesus dizendo a Judas: “Tu superarás todos os apóstolos, pois tu sacrificarás o homem que me cobriu”, frase que, segundo os estudiosos, significaria que Judas ajudaria a libertar o espírito de Jesus de seu invólucro carnal.

Judas esperava que com a prisão de Jesus houvesse um julgamento justo que atrairia o apoio do povo contra a submissão de Herodes e Caifás ao jugo dos Césares e isso levaria Jesus a assumir o papel político de líder da revolução que derrubaria os romanos. Porém, surpreso com um desenrolar de acontecimentos por ele jamais imaginado, tomado de infinito amor, Judas arrependeu-se enormemente pelo seu ato de identificar aos romanos quem era o Messias. Identificação necessária em virtude da suspeita de que Jesus podia mudar de aparência. Nessa ocasião, todos os apóstolos, acovardados, ao abandonar o mestre e negar conhecê-lo, de certa forma também o traíram.

Cumprido seu papel, segundo os evangelhos canônicos, tão logo Judas soube que Jesus crucificado havia expirado, enforcou-se para poder estar logo com Ele na Eternidade. Segundo os evangelhos apócrifos Judas não teria se enforcado, mas teria se retirado para meditar no deserto. De qualquer forma, independentemente dos debates entre os eruditos quanto à veracidade de uma ou outra versão, certamente indiscutível para o cristianismo (doutrina centrada na vida e na pessoa de Jesus) é a importância do papel que coube a Judas no drama da Cruz.

O próprio Cristo, que sabia sobre sua missão na Terra, nada fez para que fosse diferente, pois era preciso que se cumprissem as profecias dos profetas sobre o reino do Messias. Assim, todos os atores daquela cena estavam com seus papéis predeterminados. Judas teria que atuar como atuou. Pôncio Pilatos teria que se lavar as mãos como devidamente o fez. E os dois ladrões teriam que emoldurar a cena ao lado do Cristo crucificado. Tomé também precisava existir porque senão de que outra forma mais marcante poderia ter sido chamada a atenção para o “crer sem a necessidade de ver”?

Cada um com seu importante papel a representar para que os ensinamentos do desapego, do amor e do perdão ficassem indelevelmente registrados naquele dramático quadro que imortalizou todos os participantes, ao som das últimas palavras de Jesus dizendo: “Pai perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”, assim perdoando todos os títeres que, sob o controle do ser do mais tenebroso dos umbrais, de alguma forma participaram do drama da Cruz.

Considerando isso, qual o sentido da tradição da malhação de Judas no sábado de aleluia? Qual o sentido de surrar um boneco forrado de serragem, trapos ou jornal e atear fogo a ele? Isso acontece porque falta amor e sobram juízos! Assim, antes de malhar qualquer “pecador” possamos lembrar o ensinamento dEle: “Quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra”.

Texto Revisado


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Autor: Renato Mayol   
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Publicado em 18/04/2019

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