O mistério do som
Autor Maria Clara Gallicchio Valerio
Assunto AutoconhecimentoAtualizado em 4/24/2008 5:57:32 PM
É a música uma forma, uma opção, dentro do mundo desequilibrado que estamos testemunhando, relativamente acessível, ao nosso alcance que pode diminuir nossas tensões e angústias.
No contato regular com os meios e comunicação descobrimos uma forma de buscar a música adequada ao lazer e a tentativa de reequilíbrio. Temos as emissoras de rádio FM, que transmitem um som relativamente bom. Assim, a música é um meio relativamente barato, o mercado fonográfico é variável e acessível, o que nos possibilita a compra de cd´s, intuitivamente encontramos o que melhor nos auxilia na busca do reequilíbrio que vimos procurando.
Para falarmos de música, precisamos falar inicialmente de Som, porque, obviamente, a música nada mais é que um conjunto organizado de Sons. Sabemos que o nosso Universo foi criado através do Som. Todas as tradições religiosas e filosóficas estão de pleno acordo quanto a isso. Sabemos que o Eterno expressou o Seu poder criador por meio de vibrações sonoras. Todas as tradições mencionam os Sons Sagrados, que construíram algo, que vem de cima para baixo e forma os diversos planos da Natureza, dos mais sutis aos mais grosseiros. A Tradição da Índia, por exemplo, refere-se ao OM, o Som Sagrado que remonta ao aspecto criador do Supremo Arquiteto.
Temos aqui um ensinamento dos vedas, mais especificamente dos Katha Upanishad, que pauta, filosoficamente o significado do som:
“O Bom é uma coisa; o voluptuosamente agradável é outra. Os dois diferem em suas metas, mas ambos estão prontos para ação. Abençoados são os que escolhem o Bom; os que escolhem o voluptuosamente agradável erram o alvo”.
Tanto o Bom quanto o agradável se apresentam aos homens. Depois de examiná-los, os sábios distinguem uns dos outros: O Sábio prefere o Bom ao agradável; o tolo levado pelos desejos da carne, prefere o agradável ao Bom. Isto nada mais é do que a “Vigilância dos Sentidos” algo em falta nos dias que correm.
Os Sons criadores nas Tradições, nas Civilizações mais antigas, era levado muito em consideração. O OM segundo a filosofia indiana, é o início de tudo.
“Se tudo vem do OM, ao pronunciá-lo, estamos criando coisas? ”. Aí reside um grande mistério e segredo, que é o que chamamos de o poder do Mantran, ou força do som, não basta cantá-lo, o som deve nascer no nosso coração, e ser ampliado com a força criadora da nossa mente.
Para isso um árduo trabalho interno, há de ser empreendido. Na Índia, tudo o que se referia a som era feito levando em conta a consonância com o OM, o som primordial.
Os grandes mestres da música eram afinizados com este aspecto universal para realizar a sua obra; se não o fizessem, corriam o risco de entrar em desarmonia consigo mesmos, e, ainda, através de seu som, podiam provocar desequilíbrio no próprio meio em que viviam.
O Potencial criador do Eterno é expresso pelos sete tons fundamentais, que no plano em que vivemos tem sua manifestação sonora nas conhecidas sete notas Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si.
Aqueles que têm estudado os aspectos mais ocultos da música chegaram à conclusão de que a decadência das civilizações tem a ver com a decadência da Música. E isto, hoje em dia, é algo muito preocupante, em função do que se ouve.
Se conseguirmos realizar um trabalho geral de equilíbrio, incluindo a música, evitaremos que a decadência seja mais drástica.
Os gregos antigos também souberam cultivar devidamente a Música. Todos os grandes sábios de então entenderam o quanto a música representava para a Civilização Helênica. Platão quando percebeu a decadência da música e, consequentemente, da civilização disse em As Leis:
“Néscios, iludiram-se pensando que não havia certo nem errado na música, a qual seria julgada boa ou má, de acordo com o prazer que proporcionasse. Através da sua obra e da sua teoria, eles infestaram a massa com a presunção de se considerarem juízes adequados. Acontecia que o critério não era a música, mas uma reputação da esperteza promíscua e um espírito de transgressão das leis”.
Vemos o quanto esta afirmação nos vale nos dias de hoje.
Fazendo-se um estudo histórico dos povos e levando-se sempre em consideração esse aspecto, podemos notar que, quando a música desses povos tornou-se caótica, refletiu-se na estrutura social e política, provocando o declínio civilizatório dessas civilizações..
É inegável que as diversas crises que hoje sofremos não tiveram suas raízes numa crise musical tão somente, visto que a música que hoje é feita, de um modo geral, já é francamente decadente.
Quando executada, a música, atinge determinados objetivos, pode prejudicar, revolucionar ou elevar o indivíduo, encerra assim três propriedades: a elevação espiritual, o sensorial e o hedonismo.
A Elevação Espiritual é o objetivo de todo o processo da evolução humana, que visa o aprimoramento das faculdades internas e externas, Mens sana in corpore sano.
As músicas de Bach, Beethoven e Wagner, entre outros, expressam desde a Criação até a Evolução da Humanidade e seu mundo.
A obra de Wagner, por exemplo, fala basicamente do Homem, da sua problemática, sua construção e sua evolução. Já a obra de Beethoven está mais relacionada com o aspecto da suprema criação, de como o Universo foi construído. A obra de Bach é ligada mais à alma, ao aspecto devocional, religioso, o ponto de ligação entre o Eterno e nós.
O sensorial é aquele aspecto puramente emocional. Abrange o tipo de música que nos dá unicamente prazer, um pouco mais elevado, não unicamente sensual, até agradável de se ouvir. De um modo geral, aí se enquadram as músicas populares bem elaboradas, descompromissadas com um trabalho mais interno. A música popular contém muito desse aspecto sensorial.
O Hedonismo, é o culto ao prazer, e a música puramente hedonista deve ser evitada, a fim de que se preservem num nível interno a harmonia, a melodia e o ritmo em perfeito equilíbrio, o que se refletirá no som do silêncio de cada um.
Experimente sentar-se confortavelmente num local tranqüilo, arejado, inspire e expire algumas vezes, no seu próprio ritmo, coloque atenção nas áreas tensas do seu corpo, enquanto faz isso, sem apegar-se fique atento ao seu som, o que a mente tagarela lhe diz, que sentimento lhe desperta, essa é a sua voz interna, observe sem censura, inspire calmamente e expire com vigor, eliminando de si o som tormentoso e permita que gradativamente se instale o som da criação perfeita, que te conecta com o divino em si mesmo, basta que você queira
Permita-se!
Maria Clara Gallicchio Valerio
Astróloga, educadora e terapeuta holística
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