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Comunicação Excessiva


por Maria Cristina Tanajura

Comunicação Excessiva

Vivemos bombardeados por informação o dia todo, em todos os lugares. São os meios de comunicação, especialmente os aparelhos celulares que nos conectam com pessoas que nem conhecemos, com locais que nunca visitamos. E são jornais, televisões, outdoors, palavras, palavras, palavras...

Mundo barulhento, vida corrida, e todos nós precisando de um pouco de silêncio para nos ouvir, pensar nas decisões que vamos tomando, a maior parte das vezes, sem qualquer análise, por falta de tempo.

Muito perigoso viver dessa forma, pois para cada atitude geramos uma consequência e sem reflexão consciente, podemos estar sendo influenciados pela opinião da maioria, pela voz das ruas, que necessariamente pode não ser a nossa.

Lembro-me da época em que os telefones não eram tão disponíveis, as ligações interurbanas muito difíceis, não havia celular, mas sobrevivíamos. Pessoas se relacionavam com outras de estados ou países distantes, pois o que une, nem sempre são as palavras, mas o sentimento, a vibração emitida por ambos.
Hoje todos nos falamos muito, excessivamente, mas será que nos comunicamos melhor? Esta compulsão por clicar o celular melhorou as relações entre as pessoas?
Se entrarmos em qualquer local público, é impressionante o número de pessoas que estão presas ao celular. Não percebem sequer quem está passando ao lado, as de verdade, não as imaginadas.
Para a gente falar com os netos – mais atingidos pela nova mania – precisamos pedir que se afastem um pouco do celular, ou vão certamente ignorar que estamos presentes, ávidos de uma palavra, de um olhar.

Verdade que hoje em dia temos acesso a qualquer informação, através da internet – para o Bem ou para o Mal. Com tanto conhecimento, será que estamos deixando de avaliar questões primordiais, tais como: o que estou fazendo neste planeta? Quem sou eu, na realidade? Por que não me encontro feliz comigo mesmo? O que pretendo realizar nesta vida?
Enfim, tantos números, tantas palavras, tantas fisionomias, tantos “amigos” nas redes sociais... Será que tenho mesmo um amigo? Alguém com quem possa ser eu mesmo, de quem possa receber um incentivo sincero, uma orientação proveitosa? Alguém que não precise de palavras pra me dizer o que sente, mas cujo olhar diga tudo que preciso saber?
É um fenômeno assustador este. E que se alastra rapidamente. Não somos seres robotizados, mas espíritos estagiando num corpo físico. Sentimento e emoção são nossa essência. Somos Amor e pra amar existimos. Se a vida corre e não nos damos chance de conhecer, de abraçar, de trocar uma olhar carinhoso, de beijar alguém que muitas vezes esteve sempre ao nosso lado – mas que não percebemos – substituindo tudo isso por uma fantasiosa conversa pela internet, acho que corremos o perigo de chegarmos ao dia da partida com as mãos vazias e o coração triste.

Uma conspiração terrível está ocorrendo e é preciso uma tomada de consciência. Não que a gente deixe de usar a internet, mas que a gente se defenda dela, pra não se perder.
Entre os mais jovens, a exposição é terrível! Com a postagem de fotos na internet, fica fácil conhecer qualquer pessoa, principalmente aquela que a gente tem curiosidade de saber como é, pois no momento é alguém que me ameaça, num relacionamento. As pessoas, sem perceberem, se colocam alvos da inveja, da vibração doentia de muitos. Fica fácil, após uma curta pesquisa, saber do que gosta, o que faz, onde vive, com quem se relaciona.
Será que isto é bom? Num mundo em crise de valores, ser visto e analisado por tantas pessoas diferentes não acredito que traga resultados positivos.
E o pior – a gente fala, alerta e de nada adianta. Está virando um vício olhar o celular. Acreditem que fui testemunha de gente que escreve mensagens enquanto dorme – acho que devem ser sonâmbulas. O que importa perceber é que nem dormindo se desligam do “companheiro”.

Triste mundo o nosso, onde estamos tão carentes de um sorriso, de um caloroso aperto de mão, de um abraço apertado e sincero, que diminuam a dor de conviver com tanta violência e tanta tristeza, e tudo isso é trocado por uma mensagem fria, muitas vezes fingida, num celular.

E o Amor é que poderia nos salvar! Ao diminuir a violência, a desesperança, o vazio existencial... Andamos como humanidade no caminho oposto – correndo, nos afastando de nós mesmos e do encontro real com o outro que nos espera, como nós a ele!

Um pouco de silêncio... Calma, atenção, ao que se passa em nós e em torno de nós! Pra que o Amor possa nos alimentar e fazer nossos dias valerem a pena.

Texto Revisado


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Autor: Maria Cristina Tanajura   
Socióloga, terapeuta transpessoal. 
E-mail: tinatanajura@terra.com.br
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Publicado em 21/05/2014

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