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Namorar uma pessoa muito mais nova pode dar certo?

por Roberto Debski

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Com as notícias de famosos globais, como a admirada e querida Fatima Bernardes, e outros homens e mulheres que namoram pessoas muito mais novas, surgem dúvidas sobre a viabilidade de uma relação com essas características. Pode dar certo? Como se comportar?
Quais são os desafios para uma mulher madura namorar um homem mais novo, e vice-versa?
Há os desafios sociais, o julgamento e as críticas das outras pessoas, família, amigos e sociedade a respeito do relacionamento, o próprio julgamento e medos dos parceiros, as diferenças de afinidades, gostos e preferências quando as idades são muito díspares, as alterações físicas pela diferença de idade que são ainda mais cobradas pela própria mulher, as dúvidas dos parceiros sobre as possíveis dificuldades e desafios desse tipo de relação.

Normalmente, essas questões não são tão evidentes na fase inicial da relação, devido à paixão e à novidade.
Se com o tempo o casal falhar em se conectar com aquilo que os une, e ao invés, prestarem atenção no que os diferencia, a relação estará em risco em algum momento no futuro. Porém isso ocorre com qualquer outro tipo de relação.
Se por outro lado, ambos sentirem um amor genuíno que sobreviva à fase inicial da paixão, poderão fortalecer a relação priorizando-a acima dos outros valores sociais.
Porém, sentir e agir dessa maneira não é fácil, ainda mais em um tempo em que as relações que não são tão desafiadoras quanto essa já encontram suas dificuldades e rupturas por motivos muitas vezes banais.
E como lidar com o ciúme, caso ele exista?
Todo e qualquer sentimento é sempre um sinal de alerta. O ciúme significa que um, ou ambos parceiros sentem-se inseguros na relação, por não confiarem em si, no outro, ou na força da própria relação.
A insegurança somente poderá ser superada através da confiança, do respeito e da priorização do relacionamento.

A vigilância, a desconfiança, a perseguição e outros comportamentos derivados do ciúme sempre tendem a colocar a relação em perigo, desgastando-a e aumentando ainda mais os sentimentos negativos que podem trazer a ruptura à essa relação.
E como lidar com o preconceito das pessoas? É indicado dar satisfações e "se explicar"?
As pessoas terão os preconceitos que são próprios a elas, e a ninguém cabe se justificar, explicar ou dar satisfação.
Fazê-lo é assegurar-se de sofrer uma grande decepção, pois quando contentamos alguns, descontentamos muitos outros. Além disso, o preconceito, as críticas e julgamentos muitas vezes são devidos a ciúmes, inveja e outras emoções negativas, e ninguém consegue transformar outra pessoa. Já é difícil modificarmos a nós mesmos.

Einstein disse uma vez, há muitas décadas: “triste época, é mais difícil desintegrar um preconceito do que um átomo”.
E  no caso de ocorrerem brigas, como não deixar que a diferença de idade atrapalhe a relação?
Quando há brigas em uma relação, nada deve ser motivo para “atrapalhar”, nem idade, nem cor da pele, nem preferências pessoais ou outros.
Nas desavenças se mostra o fato que ambos vêm de famílias diferentes, com costumes, ideias, hábitos, valores diferentes um do outro, e para o sucesso da relação, ambos devem pegar o que de melhor há em seus sistemas familiares, e deixar o que não mais cabe, reforçando o que os une, aproxima e afina, deixando de lado tudo o que diferencia, afasta e exclui um ao outro.

Como evitar que a pessoa mais nova "perca" os momentos indicados para sua idade?
Uma relação implica em compartilhar momentos e experiências, mantendo ao mesmo tempo um grau de individualidade e respeito, para que a relação não sufoque o casal.
Cada pessoa, em qualquer idade, tem necessidade de viver diversas experiências em casal, e outras por si só, e isso deve ser respeitado e ser motivo de acordo prévio entre o casal.
Se esses momentos próprios de cada idade forem algo que pode ser vivenciado e respeitado pelo casal, sem que agrida valores da relação, não há problema algum.

Muitas vezes a mulher mais velha tem filhos. Como agir nessa situação? Como explicar para os filhos sobre o relacionamento?
Os filhos não devem interferir no relacionamento dos pais, nem esses devem ficar dando explicações sobre o que fazem ou deixam de fazer para seus filhos. Quando os pais são adultos, autônomos, independentes, conscientes, devem assumir suas próprias escolhas sem precisar dar satisfações ou grandes explicações a outros, mesmo se esses forem seus filhos ou até mesmo seus próprios pais.
Os filhos devem ser preservados de detalhes sobre a relação, sobre problemas e dúvidas dos pais, e devem se manter na função de filhos, mesmo quando forem adultos.
Devem ser educados para valorizar e vivenciar relacionamentos saudáveis e maduros, e aprender que não podem julgar, criticar ou se intrometer onde não são chamados.

O terapeuta alemão Bert Hellinger, criador das Constelações Familiares, realizou estudos desde a década de 70 e enunciou algumas leis naturais que estão na base dos relacionamentos saudáveis, as chamadas 'Ordens do Amor'. Essas Ordens ou leis naturais quando seguidas garantem que os relacionamentos fluam de maneira saudável, e, na sua ausência, se mostram padrões desequilibrados de relação.

As três leis são o Pertencimento, a Hierarquia e o Equilíbrio de Troca.
A lei do Pertencimento nos mostra que os participantes de uma relação, para não se sentirem excluídos de sua família de origem, podem se manter fiéis ao padrão de relacionamento de seus pais e de sua família, o que pode prejudicar sua relação atual.

Não consideram que seu parceiro ou parceira tem outros modelos de relacionamento que vêm de sua própria família e sentem necessidade de impor seu próprio modo de se relacionar, ao invés de fazer o saudável, que seria combinar o que há de melhor na relação de sua família com a do parceiro.

Por exemplo, se seus pais ou avós tiveram relacionamentos difíceis e problemáticos, esse filho ou neto poderá sentir uma culpa inconsciente por ser feliz na relação, e poderá sem perceber boicotá-la de alguma maneira.

A lei da Hierarquia determina que numa relação afetiva ambos têm um grau de igualdade, e nenhum pode querer ser ou sentir-se maior do que o outro, pois isso também deixará a relação em perigo.

Um relacionamento saudável se dá entre adultos, emocionalmente falando, apesar de qualquer diferença de idade. Uma pessoa madura se relacionar com uma imatura não pode funcionar, pois esse é o modelo de uma relação entre um pai ou mãe, com um filho, não o de um casal.

Outra lei é a do Equilíbrio de Troca, que diz que em uma relação horizontal (de parceria, como em um casal, ou entre amigos e irmãos), deve haver um equiparação no dar e receber entre o casal. Se somente um der, ou der muito mais, e o outro só receber, criar-se-á um desequilíbrio e geralmente aquele que muito recebeu se sente devedor e abandona a relação, muitas vezes por meio de uma traição.
Isso gera uma situação de vitimização daquele que foi “traído”, e uma culpabilização do que foi embora por não se sentir mais confortável na relação, situação que não soluciona o problema original do desequilíbrio que gerou essa separação.

Essa situação desencadeia vivências do "Triângulo Dramático", enunciado por Karpman, autor da Análise Transacional, e viver nessa triangulação, entre vítimas, vilões e salvadores é garantia da perpetuação dos dramas nos relacionamentos.
Mesmo nos casos mais difíceis, devemos observar a “regra dos 50%”, fundamental nos relacionamentos. Cada um é responsável 50% pelo destino desse relacionamento, independentemente do que se diz ou se faz.
Quando algo não dá certo, mesmo quando há traumas ou violência na relação, ambos colaboraram consciente ou inconscientemente para que a relação chegasse a esse lugar.
Quando podemos olhar para essas questões, e aprender, então não mais precisaremos repetir esses padrões disfuncionais e doentios nas relações.
Respeitar todas essas leis naturais possibilita o equilíbrio nas relações, que então poderão dar certo, independente de outros fatores.

Muita paz e saúde a você e aos seus!

Dr. Roberto Debski
Médico - CRM SP 58806
Especialista em Homeopatia e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira
Psicólogo - CRP/06 84803
Coach Sistêmico e Trainer em Programação Neurolinguística
Facilitador em Constelações Familiares

Texto Revisado
 


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Autor: Roberto Debski   
O Dr. Roberto é médico (CRM SP 58806) especialista em Acupuntura, Homeopatia e tem formação em Medicina Ortomolecular. Também é psicólogo (CRP 06/84803), Coach e Trainer em Programação Neuro-Linguistica com certificação Internacional e constelador sistêmico familiar. Acompanhe nossos próximos eventos! 
E-mail: rodebski@gmail.com
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Publicado em 12/10/2017

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