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Espiritualidade - experiência espiritual na nossa autocultivação - 4ª parte


por Marcos F C Porto

Espiritualidade - experiência espiritual na nossa autocultivação - 4ª parte

Nesta quarta parte do tema, iniciamos por afirmar que caso o querer nos faça sentir pararmos de resistir àquelas partes de nós mesmos as quais achamos inaceitáveis, começando a respirá-las - inspirando – expirando - isso nos dará muito mais espaço de inteireza de ser. Chegaremos a conhecer cada parte de nós mesmos, sem monstros no armário, nem demônios na caverna.

Vamos continuar a refletir?

O senso da experiência espiritual na nossa autocultivação de acendermos as luzes interiores e olharmos para nós mesmos com honestidade e grande compaixão, já está conosco desde que nascemos.

Poderemos começar a desenvolver o jeito de autotransformarmos nossa atitude no cotidiano: quando as situações são agradáveis e afetuosas, doando nosso prazer na expiração, compartilhando-a com o outro, permitindo o espaço - não apenas para nós, como para todos. Procedendo desta forma, começam a se dissolverem nossos obstáculos interiores, os quais dificultam nosso acesso a ambos nosso frescor e leveza inerentes. Essa é a autotransformação fundamental de atitude, ou seja, trabalharmos com a dor e o prazer de forma evolucionária, confiante e corajosa.

Quando trabalhamos com dor, tristeza, expressando e nos inclinando no sentido dela, ou com a alegria, prazer, compartilhando e doando-o, significa conscientizarmos nossa unidade de ser, despertando para essa realização.

Perceberemos que a separação entre dor e prazer que sentimos, é um tipo de erro sem culpa. Faz sentido?

Observaremos que desde seu início as situações não eram dualistas, ou seja, não havendo a existência simultânea de sensações contraditórias.

Ao nos conectarmos ao silêncio do nosso interior, conseguimos entender a perturbação que está ocorrendo ao nosso redor.

A máxima que nos diz: “Sempre seguirmos nossos princípios básicos”, é cumprirmos os comprometimentos assumidos.

Comprometimento significa que, em vez de tentarmos sempre obtermos segurança, comecemos a desenvolver nossa atitude de querer aprofundar territórios inexplorados.

É a promessa que fazemos a nós mesmos ao aceitar que o caminho para a saúde corporal- mental-espiritual é nos tornarmos seres humanos espirituais completos, almejando irmos além, pois não teremos mais medo de nós mesmos.

Em visão mais profunda é percebermos que a única forma de irmos mais longe, é abrirmos nossas portas e janelas, não nos protegendo mais, mas trabalhando com o que quer se apresente no aqui-agora, como forma de despertarmos.

Ao nos abstermos da conduta complacente, estabelecemos a postura da responsabilidade do ideal de nós mesmos, sem continuarmos a insistir manter a noção de separação.

Cultivar paciência, é o mesmo que praticarmos não-agressão. Paciência e não agressão são encorajamentos para esperar. Quando estivermos em situações as quais interpelamos o outro, na forma ainda defensiva, e ao invés disso que nos ocorra, começarmos a autotransformação de atitude.

Todo esse sentido sólido do eu e do outro começa a ser tratado quando autocultivamos a paciência. Aprendemos a pausar, a esperar, a ouvir, a enxergar, a refletir, permitindo a nós mesmos e ao outro o espaço merecido - diminuindo a velocidade da nossa ansiedade.

Por exemplo, é um pouco como o conhecido conselho de contar até dez antes de dizer algo; nos faz parar!

Não há nada nobre em sermos superiores ao outro; a verdadeira nobreza é sermos superiores ao nosso antigo eu. Correto?

Agostinho de Hipona (354-430) teólogo, conhecido por nós como Santo Agostinho  nos diz: “A paz mais importante é a que está na Alma, ao percebermos sua unicidade com o Universo com todos os seus poderes, e quando depreendermos que no centro do Universo habita o Ser Supremo, e que Sua Essência está em todo lugar, e dentro de nós”.

Outra máxima que diz respeito à ação compassiva é “Trabalhemos primeiro com nossas maiores contaminações”. Desenvolvermos bondade amorosa para nós mesmos é a base da comunicação e da relação de compaixão. A hora é agora, o lugar é aqui – no Aqui Agora - não mais tarde ou em outro lugar!

A máxima sugere: comecemos onde o emocional estiver mais envolvido.

Como os obstáculos maiores, como raiva, ciúme, terror, pânico, são mais dramáticos, a memória intrusiva, ou seja, a referência de experiências passadas poderá ser o lembrete para trabalharmos com o "dar e receber".

Poderemos, portanto, tomar como correto algo a trabalharmos, como o múltiplo das pequenas irritações diárias, as quais nem sequer pensamos nelas e aí se manifestam. Até certo ponto, essas irritações são obstáculos difíceis de lidarmos pois se manifestam como “o gatilho acionando a espoleta”.

A forma de percebemos que estão surgindo é sentirmos uma indignação justa, ou seja, provocada por uma circunstância injusta, deixando a indignação justa ser nossa guia, respeitando e reconhecendo como sendo manifestação da inteireza de ser de nós mesmos. Está claro?

Ao começarmos a trabalhar com nossas partes pouco claras e não iluminadas, os obstáculos da experiência espiritual na nossa autocultivação se tornarão mais fáceis de compreensão para nós.

O aspecto mais importante do processo da experiência espiritual na nossa autocultivação é o cultivo do sentimento de humildade diante da Generosidade Divina do Ser Maior Criador Deus. Isso, todavia, não deverá ser um empreendimento artificial, mas objetivo concreto dos nossos esforços.

Continuaremos na próxima edição.

Texto Revisado


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Autor: Marcos F C Porto   
Marcos F C Porto - Terapeuta Holístico - Psicoterapia Holística Transpessoal - CRT 44432, Diplomado em ITC - Integrated Therapeutic Counselling, Stonebridge, UK, trabalha auxiliando pessoas na busca da sua essência, editor do OTIMIZE SEU DIA!, autor do livro - Redescobrindo o Eu Verdadeiro, facilitador de Grupos de Reflexão. 
E-mail: portomfc@gmail.com
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Publicado em 03/03/2019

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