Carma e Destino

Carma e Destino Autor Pri Gaspar - priscilagaspar@terra.com.br



Carma e destino são duas palavras freqüentemente utilizadas como diferentes significados, dependendo do contexto e das crenças às quais se relacionam. Por isso é importante defini-las e compreender como são vistas em diferentes concepções culturais, filosóficas e religiosas.

A palavra carma (ou karma) vem do sânscrito KRI, que significa ação. Dessa forma, no sentido original, podemos dizer que toda ação é carma. Para o budismo e para o induísmo, o carma corresponde à Lei de Causa e Efeito (ou Lei de Ação e Reação). Na Metafísica, carma é o resultado ou efeito de ações anteriores. Entre os membros da Doutrina Espírita, a palavra carma é, muitas vezes, utilizada com o sentido de provação, expiação ou mesmo de missão. Em seu sentido original oriental, no entanto, a palavra carma tem um significado mais complexo que um simples fato doloroso a que se atribui uma determinada causa. O carma é compreendido como resultante de um encadeamento de causas pretéritas formando o cenário e as condições de nossa vida presente, composto por muitas linhas divergentes e conflitantes decorrentes das diversas ações harmônicas e desarmônicas que cometemos no passado. Em outras palavras: é um conjunto de efeitos com múltiplas causas.

No ocidente ocorreu uma significativa simplificação do conceito de carma. Tornou-se comum na linguagem cotidiana referir-se a qualquer infortúnio como carma, quando, boa parte das vezes são conseqüências de escolhas recentes e, muitas vezes, frutos da persistência em situações desfavoráveis, até por acomodação. Entre os seguidores da Doutrina Espírita, por exemplo, fala-se muito em resignação, que é a aceitação incondicional dos fatos, porém utilizando-a como desculpa para não corrigir os erros de rota no caminho da vida. Acredita-se erroneamente que determinado sofrimento deve ser suportado a todo custo porque é um carma e, então, nada se faz para buscar uma solução, para sair ou amenizar o sofrimento.

É importante salientar que, no Ocidente, o conceito de carma foi introduzido sem o seu complemento, que é o darma, cujo conceito é ainda mais complexo e sutil do que o próprio carma. A diversidade na tradução da palavra darma é um indício dessa complexidade. Entre alguns exemplos de tradução temos: retidão, dever, religião, evolução, conduta correta, preceitos, moral, ensinamento. O darma pode ser compreendido como a linha de tendência que devemos seguir rumo à verdade, que resulta do alinhamento do nosso carma na direção do propósito e do rumo de nossa existência. Dentro da Doutrina Espírita, o que mais se aproxima do conceito de darma seria missão.

A palavra destino pode apresentar as conotações de: fatalidade, sorte ou objetivo a ser alcançado. Existe ainda o uso do termo para designar uma entidade misteriosa que detém os fatos da vida. Para a Doutrina Espírita, não existe um destino traçado, mas sim, programações para alguns fatos da vida, conforme as escolhas do ser reencarnante. É a Programação Reencarnatória, denominada em outras religiões cristãs de Plano de Deus.

Também neste caso, a interpretação distorcida pode levar à acomodação e à inação, quando se acredita que nada resta a fazer porque “o que tiver de ser será”, ou simplesmente que todo o futuro está “nas mãos de Deus”. Realmente existem situações em que nada se pode fazer, importantes para que se compreenda os limites da existência humana e a submissão aos desígnios de Deus. No entanto, utilizar tais aforismos como desculpas para não agir quando necessário, bem como para fugir às obrigações e aos próprios processos evolutivos desvia o indivíduo de seu darma.

Problemas da interpretação distorcida do conceito de carma e do destino:
1) Acreditar que quanto mais se sofre melhor;
2) Confundir resignação (que é aceitar o que não pode ser mudado) com acomodação (deixar de fazer o que é possível para mudar uma situação);
3) Em nome da vaidade e orgulho inconscientes, se ufanar do próprio sofrimento;
4) Usar o conceito de carma para justificar seus problemas, e, dessa forma, se eximindo da necessidade de buscar soluções;
5) Julgar os irmãos sofredores, na crença de que sofrem porque fizeram algo para merecê-lo;
6) Fazer da Justiça Divina um disfarce para desejos de vingança (bem feito, ele mereceu!);
7) Racionalizar e tentar explicar para um sofredor a causa de seu sofrimento, no momento que ele necessita de acolhimento e compreensão;
8) Acreditar que o destino está escrito e, passivamente esperar que a vida se resolva por si;
9) Deixar de lutar pelos seus sonhos;
10) Acreditar que você não tem poder algum para mudar situações.

Os exemplos acima permitem refletir sobre a postura frente a inúmeras questões cotidianas, mostrando o quanto essas distorções podem dificultar em momentos de tomada de decisão, bem como no grau de empenho nas atividades. Como diz a Oração da Serenidade, pedimos serenidade para aceitar o que não se pode mudar; coragem para mudar o que é possível mudar, e sabedoria para distinguir umas das outras.



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Autor: Pri Gaspar   
Priscila Gaspar é Psicanalista, Terapeuta de Regressão e Terapeuta de Casais, com especialização em Sexualidade Humana. Atende em psicoterapia individual e de casal.Contato: (31)99312-8269 priscilagaspar@terra.com.br
E-mail: priscilagaspar@terra.com.br
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Atualizado em 28/10/2009



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