ACONSELHAMENTO

Autor João Carvalho Neto - joaoneto@joaocarvalho.com.br
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Na Grécia antiga, mais de sete séculos antes do Cristo, estava erigida na cidade de Delfos o templo do Deus Apolo, onde as pitonisas eram intermediárias dos aconselhamentos provindos do oráculo. Para lá se dirigiam pessoas das diversas classes sociais buscando orientações para os questionamentos de suas vidas. Interessante notar que desde esse passado remoto até os dias atuais o homem vem demonstrando sua imaturidade para lidar com seu próprio destino, necessitando, e até mesmo exigindo, formulações divinas que lhe aliviem do saudável exercício de construir suas decisões e vivenciar a responsabilidade sobre seus caminhos.

Mas o mais notável é que todas aquelas pessoas, ao adentrarem nos salões do templo, passavam pelo pórtico onde, no frontispício, estava escrito: “Homem, conhece-te a ti mesmo”. Talvez, ainda como hoje, preferiam não valorizar um conselho que as libertava (“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, Jesus) mas que lhes impunha o peso de se assumirem na sua independência e maturidade. Por isso mesmo, quando falamos em aconselhamento durante atividades de psicoterapia ou nas conversas informais, é preciso percebermos antes as necessidades de desenvolvimento da individualidade que está diante dos problemas por ela vividos, do que apresentar soluções e encaminhamentos que as livrem dos próprios desafios.

Fazendo uma comparação com o ambiente escolar vemos que somente através dos exercícios e das provas é que uma criança desenvolve seus processos de aprendizagem. Se os professores ou colegas fizessem por ela os deveres e avaliações possivelmente ela teria boas notas contudo sem ter nada aprendido. Assim também é na vida. Os problemas que nos afligem são os exercícios que nos são propostos pelo sincronismo de nossas necessidades para que desenvolvamos determinadas habilidades e virtudes. É justamente por esse sincronismo, estabelecido através do psiquismo, que somos levados a passar por determinadas experiências diferenciadas das de outras pessoas, mas que dizem respeito apenas às nossas aprendizagens intransferíveis.

Nesse sentido, o autoonhecimento, proporcionado pelo estudo e pela auto-análise, continua sendo o melhor encaminhamento para o auxílio possível. Conhecendo-se, o indivíduo percebe a razão das provas em curso e descobre, pouco a pouco, as melhores opções de solução, realizando as aprendizagens que lhe são próprias como também aurindo o reforço de auto-estima advindo das experiências bem sucedidas. Tanto quando busca uma psicoterapia quanto na freqüência às instituições religiosas, existe em muitas pessoas um anseio para que o terapeuta ou o tarefeiro da instituição (ou o pastor, o padre ou o médium) lhes diga o que fazer com a própria vida. Pois eu lhes digo que se o terapeuta, o pastor, o padre ou o médium insistirem em lhes dizer o que fazer da própria vida eles estarão apenas adiando a solução de um problema que, mais cedo ou mais tarde, terá que ser resolvido pessoalmente, como uma necessidade de desenvolvimento da personalidade. Isto porque, na verdade, o que mais importa não é tanto a solução do problema mas, muito mais, o exercício de buscar encontrar em si mesmo essa solução.

Enquanto crianças nos portávamos como crianças, precisando sermos levados pelas mãos. Contudo, o desenvolvimento biológico do corpo à idade adulta não significa desenvolvimento da personalidade para o alcance de sua autonomia. Existem pessoas que se tornaram fisicamente adultas, permanecendo psicologicamente infantis. E, quando não houver mais ninguém que as conduza pelas mãos, a manifestação dos quadros de fobias, de neuroses e depressões não deveria ser uma surpresa.

João Carvalho Neto
Psicanalista, autor do livro “Psicanálise da alma”

Texto revisado por Cris

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Conteúdo desenvolvido por: João Carvalho Neto   
Psicanalista, Psicopedagogo, Terapeuta Floral, Terapeuta Regressivo, Astrólogo, Mestre em Psicanálise, autor da tese “Fatores que influenciam a aprendizagem antes da concepção”, autor da tese “Estruturação palingenésica das neuroses”, do Modelo Teórico para Psicanálise Transpessoal, dos livros “Psicanálise da alma” e “Casos de um divã transpessoal"
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