O Efeito Borboleta, karma, destino e o livre-arbítrio (1ª parte)

Autor Victor Sergio de Paula - victor19lexpaula@yahoo.com.br

1. EFEITO BORBOLETA, O FILME

Evan Treborn, vivido pelo ator Ashton Kutcher, perdeu o sentido do tempo. Ainda criança vive verdadeiros lapsos temporais, onde eventos significativos da sua vida caem no buraco negro do esquecimento. A juventude cheia de frustrações é repleta de acontecimentos dolorosos, dos quais alguns ele não consegue recordar. Evan Treborn assiste às vidas das pessoas a seu redor, em especial de seus amigos de infância - Kayleigh (Amy Smart), Lenny (Elden Henson) e Tommy (William Lee Scott) - serem alvo de duros reveses.

Sob cuidados psicológicos desde a infância, ele é incentivado a escrever um diário onde registra sua atormentada existência. Na faculdade, aparentemente livre das “crises” de lapso de memória, Evan, em determinado momento do filme é levado a rever seus diários, e no instante em que começa a ler suas memórias sente algo espantosamente inexplicável: faz uma viagem no tempo, ao passado. Percebe que os cadernos-diários guardados desde a infância são um veículo que o leva de volta ao passado para recuperar as memórias “perdidas”. Entretanto, as recordações trazidas do presente carregam uma alta carga de “culpa”, fazendo com que ele sinta-se responsável pelas vidas destruídas dos amigos - um deles com sérios traumas emocionais - principalmente a vida de Kayleigh, a namorada da infância que ele continuou a amar até adulto.

Descobrindo a possibilidade de “viajar no tempo”, Evan começa a voltar sequencialmente ao passado - pois pode manter a mente de adulto no corpo de criança - decidido a fazer coisas da qual era incapaz na época, para tentar reescrever a VIDA e poupar aos amigos e às pessoas queridas aquelas experiências traumáticas.

Entretanto, toda a vez que Evan Treborn MUDA UM ACONTECIMENTO PASSADO, ao voltar ao presente descobre que seus atos tiveram CONSEQUÊNCIAS INESPERADAS E DESASTROSAS NO PRESENTE. O personagem vai aos poucos percebendo uma dinâmica existencial, muito mais intrincada e complexa do que poderia supor, além do raciocínio cartesiano da temporalidade linear de passado-presente-futuro.

O filme aborda a questão da “LEI DE AÇÃO E REAÇÃO”, utilizando os princípios da chamada TEORIA DO CAOS que preconiza a existência do EFEITO BORBOLETA.

2. A TEORIA DO CAOS (O EFEITO BORBOLETA)

Filha da cibernética e da teoria da informação a TEORIA DO CAOS surgiu no século XX, em meados da década de 60, com as elaborações do matemático Benoilt Mandelbrot a respeito do tempo metereológico. Os trabalhos de Mandelbrot começavam nos limites da ciência clássica que era extremamente influenciada pela invenção do relógio. O relógio simbolizou, para muitos cientistas, a ordem do universo porque seus movimentos são “totalmente previsíveis”.

Na visão cartesiana da natureza proposta pela ciência tradicional, bastava “desmontar” os fenômenos do universo para conhecer seu funcionamento e essa visão mecanicista do mundo ganhou uma metáfora no DEMÔNIO DE LAPLACE. O cientista francês propôs que se uma “consciência” soubesse todos os dados de todas as partículas do universo e fosse capaz de fazer os cálculos necessários, teria condições de prever o seu funcionamento com perfeição. O Demônio Laplaciano teria diante de si O PASSADO, O PRESENTE E O FUTURO.

2.1 O EFEITO BORBOLETA

Quando falamos de determinismo – o demônio de Laplace – podemos pensar numa simples viagem de avião: se soubermos a distância a ser percorrida, a velocidade do avião, a existência ou não de escalas, poderemos calcular com absoluta precisão o horário de chegada no local de destino.

A situação pode funcionar na teoria, mas na prática a realidade é outra. Uma turbulência imprevista, a formação de um teto baixo no aeroporto de destino impossibilitando o pouso, um defeito numa peça da aeronave, e outras ocorrências, poderão provocar atrasos ou impossibilitar simplesmente a viagem. Tais possibilidades estão presentes em concordância com a Teoria do Caos, porque a maioria dos sistemas não pode ser determinado em decorrência da chamada “dependência sensível das condições iniciais, ou EFEITO BORBOLETA”.

A expressão “efeito borboleta” é usada para denominar um fenômeno no qual uma borboleta, batendo suas asas na muralha da China, pode provocar uma tempestade em Nova York, ou seja, fenômenos em que um pequeno fator provoca grandes transformações são mais comuns do que se pensa.

3. DETERMINISMO E LIVRE-ARBÍTRIO

A tese filosófica do DETERMINISMO, debatida há milênios pelos filósofos, sustenta em termos gerais que tudo o que acontece está predeterminado, ou seja, o livre-arbítrio seria quase uma ilusão. A ciência e a filosofia têm sustentado que a matéria comporta-se de forma completamente determinista, e a partir dos séculos XVI e XVII, tal posicionamento foi ratificado com as teorias do brilhante Sir Isaac Newton.

Podemos afirmar com alguma segurança que no âmbito dos fenômenos materiais o determinismo pode ser utilizado como parâmetro para prevermos o comportamento de sistemas, em dado momento e condições específicas, com “absoluta” precisão. Entretanto, quando aplicamos o chamado determinismo ao ser humano e sua existência no atual panorama planetário, surgem vários obstáculos que impedem a “pré-determinação”.

3.1 LIVRE-ARBÍTRIO E FATALIDADE

Ao lidarmos com o ser humano, a visão materialista de que tudo no homem é MATÉRIA coloca-nos em conflito com a delicada questão do LIVRE-ARBÍTRIO. Se o homem fosse composto apenas de matéria, que está sujeita a leis rígidas segundo a ciência clássica, como poderíamos modificar nosso destino? Haveria por conseqüência a chamada FATALIDADE? Buscando a definição de fatalidade no dicionário encontramos: “fatalidade é a marca do que é fatal, a força daquilo que predispõe irrevogavelmente os acontecimentos, o destino”.

Na definição de fatalidade surge o adjetivo fatal que segundo sua definição é “aquilo que é certo, prescrito pelo destino, inadiável, irrevogável, que necessariamente acontecerá, inevitável, decisivo funesto, nefasto” (grifos nossos). Logo, quando falamos de destino vinculamos ao mesmo à idéia de fatalidade, algo fatal, simplesmente irrevogável, inevitável, decisivo, funesto e nefasto. A noção de destino como algo fatal, e fatal como funesto e nefasto está implícita em nosso inconsciente há muitas vidas, provavelmente, e tem levado o ser humano a conclusões equivocadas a respeito dos acontecimentos de sua vida.

Parte 2

Texto revisado por Cris

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Autor: Victor Sergio de Paula   
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Publicado em 09/09/2006



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