Tornar-se criança

Tornar-se criança

Autor Paulo Tavarez - paulo.tavarez@cellena.com.br

Por que devemos nos tornar crianças para entrarmos no Reino de Deus? Por que razão esse ensinamento tornou-se tão respeitado e tem sido repetido a exaustão no meio espiritualista?

Bem, vou dar a minha opinião a respeito, pois considero que esse tema mereça um aprofundamento e não pode estar restrito a análises rasas e doutrinárias.

Imaginem um mundo onde as coisas não têm nome e onde não somos afetados por nada. Onde tudo parece ser uma simples extensão do nosso próprio ser e onde o pensamento dual ainda não se desenvolveu. Também perceba que não existe um sujeito observando objetos, o que existe é uma Consciência presente em tudo, percebendo sem sofrimento os fenômenos. 

Muito bem, esse é o mundo visto pelos olhos de uma criança. Ele ainda não foi contaminado pela mente, nenhuma programação de certo e errado, de bom e mal ou quaisquer que sejam os conflitos, foram implantados, por isso o ambiente semiótico tal qual o conhecemos ainda não foi desenvolvido. No mundo visto por ela, objeto algum tem a importância que, inadvertidamente, temos dado a eles. Pessoas e coisas flutuam diante dos seus olhinhos como meras informações e tudo parece estar engendrado, como o mecanismo de um relógio.

A criança é um exemplo  daquilo que devemos buscar, pois ela não julga, não condena, não discrimina e não perde energia tentando interferir na dinâmica da existência. Ela simplesmente navega na imensidão do Todo, como uma folha sendo conduzida pela correnteza. 

A criança também não sente as perturbações provocadas por ideias antagônicas e crenças limitantes, muito menos cria expectativas com interesses pessoais. Sua visão é holística e está em perfeita harmonia com as diferenças. Para ela pouco importa se você é rico, pobre, hetero, gay, inteligente ou burro, ela não quer qualificar a experiência, quer apenas testemunhar, sem problematizar. Ela trata a experiência como uma brincadeira, na verdade, ela é a representação perfeita daquilo que os hindus chamam de Lila (brincadeira do divino).

A postura dela diante de um padre será a mesma diante de um delegado, nada muda, tudo segue sem que haja perturbações. Esse é o mundo da criança, é justamente isso que Jesus nos propõe: voltarmos a ver o mundo com os olhos de uma criança.

Só há um caminho que possa nos conduzir a essa condição novamente e ele passa pelo uso de virtudes como a confiança, a aceitação, a entrega, a compreensão, a alegria, a coragem, o desapego e a serenidade. 

É preciso, para isso, como nos ensina a tradição taoista, agir pelo não agir (Wu Wei).

Quando você deixar de ser um fazedor e sair do controle, tudo muda. Não havará mais lutas e todas as necessidades deixarão de existir e incomodá-lo. A própria Vida passa a reger as suas ações e escolhas.

É preciso deixar a Vida no comando, pois é uma insanidade querer assumir o comando de algo que está sendo controlado pela própria Natureza. É como se fôssemos um bebê no colo do pai, segurando o volante e acreditando que somos nós o motorista.

É preciso sim, voltar a ser criança, ou melhor, voltar a ser o que sempre fomos em essência: uma criança. Não há salvação para o adulto, não há realização para aquele que tenta interferir da ordem cósmica, apenas uma mergulho incondicional nos braços da Mãe Divina poderia nos trazer de volta a realidade.

Texto revisado



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Autor: Paulo Tavarez   
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Atualizado em 19/11/2019



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