Encantamento

Encantamento
Autor Flávio Bastos - flavio01bastos@gmail.com
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"Se as coisas são inatingíveis não é motivo para não querê-las. Tristes seriam os caminhos sem a mágica presença das estrelas". (Mario Quintana)

Encantar-se é deslumbrar-se, admirar-se com alguma coisa boa, prazerosa que se vê, ouve e percebe. Ou seja, o sentido atual da palavra encantar é "maravilhar". A vida sem a magia das coisas simples e belas é uma experiência oca, sem um sentido mais profundo e encantador que a vida proporciona.

Nesta lógica, as crianças, os poetas e artistas conseguem expressar através de suas narrativas e obras, uma sensação que a maioria não consegue porque tem a sensibilidade embotada e limitada ao cotidiano das experiências mundanas da nossa realidade física.

A percepção limitada pelos bloqueios de nossa suprasensorialidade, geralmente é responsável pelas origens dos sentimentos negativos, que vão interferindo na sensibilidade e gerando mecanismos de defesa contra tudo que se manifesta espontaneamente ou não tenha uma lógica que se enquadre no ângulo de visão materialista.
Não esqueçamos que a autocensura antecede algo que não compreendemos ou selecionamos como não sendo aceito porque não segue os rígidos valores de convivência social que foram internalizados pelo modelo de educação.
No entanto, em certos casos, a experiência regressiva de memória pode estimular a abertura de uma sensibilidade embotada pelas agruras da vida, à medida que tais memórias podem despertar emoções relacionadas a situações pregressas e anterior ao processo atual de "fechamento" da sensibilidade como forma de autodefesa a sentimentos hostis.

Neste sentido, um caso ocorrido no âmbito da psicoterapia interdimensional pode ilustrar o que queremos registrar: a pessoa em processo regressivo, se vê inserida numa deslumbrante paisagem na qual se reconhece como pastor de ovelhas. Na sua retaguarda, a uma considerável distância do verdejante e florido vale em que encontra-se com as suas ovelhas, ele visualiza uma magnífica cadeia de montanhas com picos nevados. Sente-se em perfeita comunhão com a sua essência, se emociona e encanta-se com aquele mágico momento. No momento posterior que é a avaliação da regressão, questiono-o sobre o significado da experiência e ele responde sem hesitar: "Mostraram que eu preciso romper com as amarras que ligam-me à rigidez de comportamento. Soltar, me libertar e voltar a sentir a vida como aquele camponês, pastor de ovelhas, que percebia a sua experiência vital com um olhar de encantamento".

A complexidade da vida moderna contribui para que as neuroses interfiram nos relacionamentos interpessoais, a ponto de estabelecer "fronteiras" entre o que é e o que não é permitido. Estes julgamentos geram barreiras quase intransponíveis que bloqueiam a expansão da consciência associada ao desenvolvimento da sensibilidade suprassensorial, ou seja, aquela que capta o que a sensorialidade limitada não consegue captar por condicionamento ou medo.

Nesta direção, a era de regeneração espiritual do planeta Terra pressiona o homem para a libertação de condicionamentos que o mantém isolado de civilizações planetárias mais avançadas. Num contexto de transformações, a longo prazo, desviaremos o olhar sobre nós mesmos para um olhar em direção ao cosmos na busca por um sentido mais profundo da vida inteligente.

Portanto, o encantamento pela vida nada tem a ver com a condição social ou intelectual do indivíduo, e tem mais a ver com a simplicidade do que a ostentação como opção. As crianças, na sua inocência, conseguem perceber a vida com mais intensidade, devido à sensibilidade suprassensorial que vai desparecendo com o desenvolvimento e a doutrinação religiosa/materialista das sociedades ocidentais, onde o consumo e o dinheiro ditam as regras do sistema.

Enquanto não encontrarmos a criança saudável que habita em nós, estaremos perdendo em autoconhecimento e qualidade de vida, que passa pela alegria e encantamento com as coisas naturais, simples e verdadeiras que pertencem a este mundo e a outros mundos habitáveis e cheios de vida.

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Conteúdo desenvolvido por: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva (TRE), Psicoterapia Reencarnacionista e Terapia de Regressão, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose, e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
E-mail: flavio01bastos@gmail.com | Mais artigos.

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