Vivemos cercados de excessos.
Excesso de palavras, de compromissos, de objetos, de ruídos — e, paradoxalmente, carentes de sentido. A alma, silenciosa, pede menos. Não menos amor, não menos vida, mas menos peso.
Francisco de Assis compreendeu isso cedo.
Ele não rejeitou o mundo; apenas recusou carregá-lo nos ombros. Escolheu a simplicidade não como fuga, mas como caminho de cura.
A simplicidade franciscana não é pobreza estética nem romantização da escassez. É liberdade interior. É retirar da vida aquilo que não alimenta o coração para abrir espaço ao essencial: o amor, o cuidado, a presença, a criação.
Quando simplificamos, algo profundo acontece:
a alma começa a respirar.
O excesso nos fragmenta. A simplicidade nos integra.
Ela alinha o que pensamos, sentimos e vivemos. Por isso cura. Cura a ansiedade que nasce da comparação, a angústia que vem da pressa, o vazio que cresce quando confundimos valor com posse.
Francisco chamava o sol de irmão e a lua de irmã porque já não precisava dominar nada. Quem não precisa possuir, aprende a pertencer. E quem pertence, encontra paz.
Jesus viveu essa mesma lógica.
Falava de Deus olhando lírios, sementes e pássaros. Mostrava que o Reino não se constrói acumulando, mas confiando. A simplicidade, para Ele, era linguagem do Pai.
Hoje, talvez, o maior ato revolucionário seja simplificar.
Simplificar a agenda, os desejos, as palavras. Simplificar o modo de olhar o outro — sem julgamentos apressados. Simplificar a fé — tirando dela o peso do medo e devolvendo-lhe a leveza da confiança.
Na minha própria caminhada, aprendi que quanto menos carrego, mais longe caminho. O silêncio ganhou espaço, o essencial ganhou nome, e o supérfluo perdeu autoridade. Não foi empobrecimento — foi cura.
A simplicidade não resolve tudo.
Mas organiza tudo por dentro.
Ela não elimina as dores, mas ensina a atravessá-las com dignidade. Não responde a todas as perguntas, mas devolve serenidade às que permanecem sem resposta.
Talvez a sua alma não precise de mais coisas.
Talvez precise apenas de menos ruído.
Simplificar é um gesto espiritual.
E, muitas vezes, o início de uma profunda cura interior.
Um Sonhador, Caminhando com Francisco - Paulo Roberto Savaris – Autor dos eBooks Série, Descubra Caminhando com Francisco e O Eremita Digital – Silêncio no Caos Moderno. Reflexões sobre espiritualidade, fé, natureza e simplicidade. https://www.caminhandocomfrancisco.com/
Visite o Site do autor e leia mais artigos.. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Autoconhecimento clicando aqui. |
Compartilhe


