Deixe a desejar.

Deixe a desejar.
Autor Raphael Mello - [email protected]
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O desejo de agradar nasce cedo.
Não se trata ainda de amor como sentimento elaborado, mas de sobrevivência psíquica. O olhar, o cuidado, a presença, tudo isso vem do Outro. E, pouco a pouco, a criança começa a supor: “Se eu agradar, eu existo; se eu decepcionar, posso perder o amor.”

É aí que se instala a fantasia de que é possível ser suficiente para o Outro.

Esse desejo infantil de agradar não é patológico é constitutivo. Freud já nos mostrava que o amor do Outro funciona como primeiro organizador do eu. O problema começa quando essa lógica não encontra limites simbólicos e segue operando na vida adulta como se ainda estivéssemos diante de um Outro todo-poderoso, capaz de retirar o amor a qualquer falha.

Pessoas que se moldam excessivamente, se adaptam demais, se violentam silenciosamente para não perder vínculos. Amar, passa a ser desempenho. Ama-se tentando não frustrar, não contrariar, não faltar.

Quando esse desejo infantil atravessa para as relações amorosas, o resultado costuma ser sofrimento. Espera-se do parceiro algo que ninguém pode dar: garantia absoluta de amor. E, ao mesmo tempo, oferece-se demais, esperando que isso finalmente assegure o vínculo.

Isso não se limita ao amor romântico. Aparece no trabalho, nas amizades, na família. O sujeito que precisa ser amado por todos frequentemente vive exausto, ressentido, sentindo que “dá demais e recebe de menos”, sem perceber que está preso a uma cena antiga.

Em análise, trata-se de reconhecer que não é possível, nem necessário, ser amado por todos. Que o amor que importa não é o que vem da adaptação total, mas o que suporta a diferença, o desencontro, a falta.

Talvez o trabalho psíquico mais delicado seja esse: abrir mão da fantasia de agradar a todos para sustentar o risco de ser alguém.

Deixe a desejar (só um pouquinho) ??

Raphael Mello | Psicólogo
CRP 06/122146
@psicologo.raphaelmello
Espaço Cântaros | Pinheiros | SP


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Autor Raphael Mello   
Olá, sou Raphael Mello, Sócio do Espaço Cântaros, Psicólogo & Psicanalista. Atuo em clínica desde 2015 e trabalho a partir do inconsciente e suas singularidades.
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