O Cansaço de Estar Sempre Conectado

O Cansaço de Estar Sempre Conectado
Autor Paulo Roberto Savaris - [email protected]
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Quando o excesso de estímulos começa a esvaziar a alma

Vivemos uma era paradoxal.

Nunca estivemos tão conectados — e, ao mesmo tempo, tão desconectados de nós mesmos.

A cada notificação, uma pequena descarga de urgência.
A cada mensagem, uma expectativa de resposta imediata.
A cada opinião alheia, uma pressão silenciosa para posicionar-se.

E assim, quase sem perceber, passamos o dia reagindo.

Reagimos às notícias.
Reagimos às redes.
Reagimos às demandas.
Reagimos às críticas.
Reagimos até ao que nem nos diz respeito.

Mas raramente escolhemos.

O problema não está na tecnologia. Ela é ferramenta.
O problema é a ausência de interioridade suficiente para não sermos dominados por ela.

O “Eremita Digital” https://a.co/d/0drJtXKJ — figura que nasce no interior da própria hiperconexão — não é aquele que abandona o mundo, mas aquele que aprende a criar ilhas de silêncio dentro dele.

Francisco de Assis, séculos antes de qualquer algoritmo, já compreendia algo essencial:
a alma precisa de espaço para respirar.

Ele se retirava não por desprezo ao mundo, mas para reencontrar clareza.
Voltava mais lúcido.
Voltava mais humano.
Voltava mais compassivo.

Hoje, talvez o gesto mais revolucionário não seja publicar algo —
mas silenciar.

Não para fugir.
Mas para ouvir.

Porque há um cansaço que não é físico.
É existencial.

É o cansaço de estar sempre disponível.
Sempre acessível.
Sempre opinando.
Sempre exposto.

E nesse excesso de presença virtual, vamos nos ausentando de nós.

O silêncio, então, deixa de ser ausência de som e passa a ser recuperação de identidade.

Desligar por alguns minutos.
Caminhar sem fones.
Almoçar sem tela.
Ler sem alternar abas.
Orar sem pressa.

Pequenos atos.
Grandes revoluções interiores.

O mundo continuará barulhento.
Mas você não precisa ser.

Talvez o primeiro passo para recuperar a consciência não seja fazer mais —
mas reduzir.

Não seja falar —
mas escutar.

Não seja reagir —
mas discernir.

A alma não precisa de mais informação.
Ela precisa de direção.

E direção nasce no silêncio.

Quem aprende a silenciar o ruído exterior descobre que a verdadeira conexão começa dentro.













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Autor Paulo Roberto Savaris   
Paulo Roberto Savaris – Professor Aposentado. Autor dos eBooks da Série Descubra Caminhando com Francisco (Amazon) e de obras publicadas também pela UICLAP. Escreve sobre espiritualidade, fé, natureza e simplicidade. Conheça mais em: https://www.caminhandocomfrancisco.com/
E-mail: [email protected] | Mais artigos.

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