Psicanálise e Regressão - Parte I

Psicanálise e Regressão - Parte I Autor Pri Gaspar - priscilagaspar@terra.com.br

Psicanálise e Regressão como métodos psicoterapêuticos
A psicanálise é uma disciplina e método terapêutico criado por Sigmund Freud, dos estudos que realizou entre o final do século XIX as primeiras décadas do século XX. Freud inspirou-se nos trabalhos de Charcot, com hipnose, sendo apoiado pelo amigo e médico Breuer. Os estudos de Freud acerca do inconsciente e da sexualidade abriram as portas para uma série de descobertas, como as da moderna medicina psicossomática, bem como para o desenvolvimento de métodos psicoterapêuticos.
Uma das teorias em que se baseia a psicanálise é a de que a energia psíquica seria reprimida para evitar a dor e o sofrimento. O esquecimento de um trauma, por exemplo, consistiria em um mecanismo de defesa que visa proteger o sujeito impedindo-o de entrar em contato com o que lhe faça sofrer. No entanto, a energia reprimida acumulada acabaria por gerar sintomas, desequilíbrios psíquicos e até mesmo a somatização, ou seja, a formação e o agravamento de doenças orgânicas.
A partir de estudos científicos sobre o hipnotismo, Charcot havia proposto uma teoria para a histeria, então considerada a mais enigmática das doenças nervosas. Reconheceu que os sintomas orgânicos eram reais, evidenciando que se tratavam de fenômenos psíquicos e não simulação por parte dos pacientes como se acreditava. Utilizando técnicas de hipnose, Charcot suprimia ou gerava sintomas orgânicos em pacientes histéricos. Breuer havia observado a melhora significativa em uma paciente histérica, após narrar e reviver cenas traumáticas de sua vida, de forma alucinatória, em estados de sonolência (estado hipnoidal leve). Assim, ocorria a catarse, ou seja, a liberação da energia psíquica represada em um evento traumático no momento em que o paciente tomava conhecimento de sua realidade interna. Para aumentar e acelerar este efeito terapêutico, Breuer passou a induzir hipnose por sugestão, prática que foi também adotada por Freud. Posteriormente Freud substituiu a hipnose pela associação livre, pela qual o paciente pode acessar conteúdos de seu inconsciente e também chegar à catarse.
Nos dias de hoje, o método psicanalítico utiliza a associação livre e a escuta atenta do discurso do paciente para que parte do conteúdo inconsciente aflore, seja evidenciada e interpretada. Isso faz com que o paciente simbolize e dê novos significados aos conteúdos psíquicos de seu inconsciente, reestruturando-se e libertando-se de bloqueios psicoemocionais. O auto-conhecimento e a posse de seus desejos são os maiores ganhos obtidos pelo método psicanalítico, pois o próprio paciente é levado a compreender os mecanismos de seu comportamento e as verdadeiras razões que o levam às escolhas que realiza em sua vida e que, muitas vezes, ele próprio julga inadequadas.
Embora em psicanálise a palavra regressão refira-se a estados que assemelham-se às fases infantis, o termo é aqui utilizado com o sentido de indução a estados de recordação. Assim, a regressão é a rememoração de fatos e conteúdos psíquicos do próprio paciente. Como método terapêutico, a regressão utiliza ferramentas como o relaxamento profundo, a visualização criativa e a hipnose, visando que o paciente se recorde de eventos ocorridos na infância, na vida intra-uterina e antes do nascimento. Quando as causas são buscadas em outras encarnações, denomina-se Terapia de Vidas Passadas (T.V.P.).
Na T.V.P. o terapeuta atua de forma semelhante à dos primeiros trabalhos de Breuer e Freud, ou seja, com a hipnose induzida e a sugestão para que determinados acontecimentos sejam recordados, levando o paciente a abrir janelas de seu inconsciente e permitindo que cargas emocionais traumáticas esquecidas venham à tona por meio da catarse. A principal diferença é com relação ao período de abrangência dessa recordação, pois Freud e Breuer foram, no máximo à recordação do nascimento e dos traumas do parto. Freud observou que, na maioria dos casos, sempre havia uma causa anterior ao momento do trauma, porém , em decorrência da própria cultura àquela época, seria impossível considerar a possibilidade de memória de outras encarnações. Assim, Freud falava de uma suposta “causa primária” e também dos “fatores constitucionais”, que atribuia à hereditariedade.
O trabalho de Terapia de Vidas Passadas não visa apenas saciar a curiosidade daqueles que se interessam pelo assunto. Tem como objetivo proporcionar alívio aos sintomas e, sobretudo, realizar uma cura profunda, melhorando a saúde geral do paciente e facilitando seu equilíbrio. Acredita-se que muitos traumas e bloqueios psíquicos atuais se devem a vidas difíceis e mortes violentas no passado. Com a T.V.P. é possível recordar-se de traumas e, com isso, desbloquear a energia psíquica, desvinculando-se de sentimentos que não pertencem ao momento atual. Quando o paciente consegue ver seu passado de fora, como se fosse um espectador de sua própria vida, pode entender melhor os fatos, dando-lhes novos significados. Ao ver e sentir o que era necessário aprender em determinado momento, analisando as lembranças de forma mais objetiva, torna-se capaz de redirecionar sua vida. Trata-se de um método terapêutico e, portanto, não se prende a nenhum tipo de religião ou crença específica. Não existe, portanto, a necessidade de acreditar em reencarnação para submeter-se ao método, embora uma predisposição favorável facilite a obtenção dos resultados desejados.

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Autor: Pri Gaspar   
Priscila Gaspar é Psicanalista, Terapeuta de Regressão e Terapeuta de Casais, com especialização em Sexualidade Humana. Atende em psicoterapia individual e de casal.Contato: (31)99312-8269 priscilagaspar@terra.com.br
E-mail: priscilagaspar@terra.com.br
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Atualizado em 10/01/2006



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