Carma – Parte 2

Carma – Parte 2

Autor Osvaldo Shimoda

Assunto Vidas Passadas
Atualizado em 08/04/2002 16:04:52


Ao definir Carma como Lei de causa e efeito no início da minha resposta à pessoa que me mandou o E-Mail, gostaria de me estender mais explicando melhor o que eu entendo por carma.

Na realidade, carma é a resposta (efeito) que a Vida dá diante de suas atitudes, isto é, de suas crenças, do que você acredita (causa).
Enquanto você mantiver, cultivar, determinadas crenças, certos fatos e acontecimentos continuarão se repetindo em sua Vida.

Freud, criador da Psicanálise em seu texto: “Recordar, repetir e elaborar”, estudou o mecanismo neurótico. Ele dizia que todo neurótico tende a repetir, isto é, reproduzir velhos padrões de comportamentos e sentimentos mal resolvidos de experiências traumáticas do passado, reprimidas no inconsciente.

Quando eu era criança, dos 7 aos 11 anos, cursava o ensino fundamental, isto é, o primário numa escola pública do Estado de São Paulo. A professora era uma educadora muito rígida, autoritária, severa e descontrolada emocionalmente, pois costumava agredir, espancar os alunos com bofetadas, reguadas e jogava o apagador na cabeça dos mesmos quando estes conversavam na sala de aula. Ficava mais violenta nos dias em que entrava na sala de aula com tiques nervosos (tentativas de “morder a orelha”).
E, nesse dia, ela me escolheu para ir à lousa. Ao me interrogar as tabuadas de matemática, como não tinha estudado, respondi evidentemente utilizando o “chutômetro”. Para minha infelicidade, a cada resposta errada sofria corretivos na base de bofetadas, puxões de orelhas e o rótulo de “burro”, num tom de voz alto, sonoro e estridente. A dor e a humilhação dessa violência física e moral foram insuportáveis e traumáticas na época.

Achei que tinha superado essa experiência dolorosa de infância. No entanto, quando tinha 30 anos, ao prestar meu exame para tirar o título de membro certificado em Análise Transacional, um curso de especialização que cursei durante 4 anos, percebi que não havia superado aquele trauma.

Esta banca de examinadores era constituída por uma psiquiatra e três psicólogos. A psiquiatra era a coordenadora da mesa e foi a que começou fazendo perguntas. Já no início, antes de ser sabatinado, notei que ela tinha uma postura “autoritária” e expressão “severa”. Comecei a ficar inseguro e nervoso. Quando ela me fez as perguntas, me deu um “branco”, estava totalmente fora de mim, tremendo e nervoso. Ela percebendo o meu descontrole, me perguntou como eu estava sentindo naquele momento em frente à lousa. Eu lhe respondi que estava nervoso. Ela me perguntou o motivo desse nervosismo? Disse-lhe que não estava me sentindo à vontade, pois me sentia intimidado com sua personalidade autoritária e isso me incomodava. Então, ela me perguntou se estava sendo autoritária comigo. Disse-lhe que não, mas o seu “jeitão” é que me incomodava, me inibia. Então, ela me disse: "Você notou que seus olhos estão arregalados. Sua expressão é de choro e seus ombros estão encolhidos e tensos? Que idade emocionalmente falando você está se sentindo nesse momento?"
Diante dessa pergunta, pude perceber que estava agindo e me sentindo como uma criança, talvez com 7 anos de idade. Na verdade, estava regredido, houve uma regressão espontânea. Em seguida, ela me perguntou se o “jeitão” dela me fazia lembrar alguém do meu passado. Foi aí que me veio subitamente a imagem da minha antiga professora.

O velho Freud de guerra tinha razão. No seu texto: “Recordar, repetir e elaborar”, eu estava recordando, isto é, relembrando através do “jeitão autoritário” dessa avaliadora, a professora do primário. Da mesma forma que fui castigado, punido por não saber a tabuada, temia que seria reprovado pela coordenadora da banca. Então, eu estava repetindo, isto é, reproduzindo os mesmos padrões de comportamentos e sentimentos do passado.

Disse-lhe que o seu “jeitão autoritário” me lembrava a minha antiga professora do primário que me agrediu física e moralmente por não responder corretamente suas perguntas. Então, sabiamente ela me perguntou: “Olhe bem para mim. Eu sou essa professora?” Foi aí que “caiu a ficha”. Realmente ela não era a minha professora. Ela não estava sendo autoritária comigo, estava apenas perguntando, fazendo seu papel de examinadora. Portanto, não fazia sentido temê-la. Subitamente sai da hipnose, da ilusão mental que me encontrava. Ela percebendo minha expressão de alívio, fez uma brincadeira: “Vamos voltar o filme”. Veio me cumprimentar novamente, me deu um bom dia e me fez as perguntas iniciais. Só que desta vez eu respondi as perguntas dela e dos outros membros da banca, com segurança e desenvoltura. Felizmente fui aprovado, apesar desse “pequeno escorregão” de regredir ao meu passado. Eu tinha elaborado, compreendido o que havia acontecido comigo. Então, como dizia o mestre Freud, quando você passa a elaborar, isto é, compreender a causa verdadeira de seu problema, não mais repete os mesmos comportamentos e sentimentos neuróticos do passado.

A partir dessa elaboração, compreendi porque tinha dificuldades de me relacionar com outra figuras de autoridade como chefes e pessoas autoritárias. Sentia-me inseguro, amedrontado no relacionamento com essas pessoas. Percebi também porque só atraia na minha vida namoradas autoritárias, mandonas e chefes severos, intolerantes e até perseguidores.
Na verdade, após aquela experiência traumática, criei uma crença de que não sou capaz, não sou uma pessoa valorosa, digna de respeito. Fui cultivando um sentimento de desvalorização. E como você expressa essa desvalorização na sua vida? Atraindo pessoas tóxicas, críticas, autoritárias, condenadoras e desvalorizantes que costumam destratar os outros. Compreendi que as pessoas, o meio onde você vive, os problemas, as dificuldades com as quais convivemos, são determinadas por nossas crenças.
No entanto, quando mudamos as nossas crenças, tudo muda em nossas vidas.Por outro lado, em muitos casos, a origem dessas crenças vem de várias vidas passadas, e se perpetuam nesta vida. E quando resistimos em mudar essas crenças, querendo mantê-las, cria-se o Carma. Portanto, carma não é o castigo de quem pecou, mas é o preço da resistência em mudar. É, portanto, em muitos casos, a repetição de velhas crenças, às vezes por séculos, de idéias que você vem alimentando há várias encarnações e que já teria condições de modificar mas que ainda teima em conservar, na ilusão de que o novo é perigoso.

Para sair de seu carma de infelicidade, basta renovar suas idéias, conhecer e descobrir quais as crenças que estão provocando seus problemas.
O recurso das Terapias de Vidas Passadas, quando administrado por terapeutas capacitados pode ajudá-lo através da técnica da regressão a buscar a causa verdadeira de seu problema, fazendo-o revivenciar acontecimentos traumáticos reprimidos no inconsciente e bloqueados pelo consciente que são aflorados e conscientizados pelo paciente. O terapeuta age como facilitador, auxiliando o paciente a elaborar o conteúdo inconsciente que emerge no nível da consciência, fazendo-o compreender suas crenças e ajudá-lo a modificá-las.

Gostaria de trazer alguns casos de pacientes que foram beneficiados pela terapia de Regressão ao identificarem suas crenças cultivadas em várias vidas e que se perpetuaram nesta vida, gerando problemas de toda ordem. Aguardem...

Primeira Parte do Artigo

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Shimoda
é terapeuta com mais de 40 anos de experiência e 60 mil sessões de regressão já realizadas. Criador da Terapia Regressiva Evolutiva TRE, professor e pesquisador das terapias integrativas e do desenvolvimento espiritual, com atuação dedicada ao estudo da consciência, dos processos terapêuticos profundos e da formação de novos terapeutas. Reconhecido por sua abordagem ética, responsável e acolhedora, Osvaldo Shimoda desenvolveu e estruturou metodologias terapêuticas que auxiliam pessoas em seus processos de autoconhecimento, equilíbrio emocional, expansão da consciência e desenvolvimento espiritual.
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