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Apropriar-se de si mesmo

Apropriar-se de si mesmo
Publicado dia 18/11/2015 15:15:38 em Autoconhecimento

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Certa vez, no caixa de uma farmácia em Nova York, uma senhora negra e forte me perguntou em tom incisivo: “Como vai você hoje?” e eu respondi de modo gentil e formal, “Bem, obrigada”. Ela parou, me olhou nos olhos e perguntou mais uma vez: “Você está mesmo bem?”, então olhei em seus olhos e respondi sinceramente: “Sim, estou”. Ela então apenas comentou: “Good” (bom). Sorrimos, paguei a minha conta e saí rindo sozinha. A sensação do olhar transparente e sincero desta senhora me ensinou que responder à simples pergunta: “Como vai você?” nós dá a chance de nos abrirmos e localizarmo-nos internamente.

Quando nossos afazeres diários se tornam apenas um contínuo cumprimento da realização de tarefas, temos pouco contato com nossas emoções. Elas estão presentes, mas em função do que é preciso ser feito, e não sentido. No entanto, assim como a água corrente de um rio fluente carrega suas fagulhas e pedregulhos, as emoções cotidianas também trazem consigo experiências não verbais - sensações e sentimentos e ideias que perambulam por nossa mente em busca de direção. Nesse sentido, falar de si é uma experiência organizadora.

O psicanalista Joel Birman em sua palestra "Caos e trauma no mundo contemporâneo" (www.cpflcultura.com.br) comenta que quando um bebê chora está possuído por excitabilidades que não tem como lidar e então grita e esperneia, pois não tem formas reflexas de lidar com isso. Por isso, precisa do acolhimento de um cuidador para se tornar viável, quer dizer, transformar seus gritos e descargas corporais num apelo. Birman ressalta: “A criança não está pedindo nada. Está simplesmente descarregando. A mãe é que vai transformar essa descarga infantil, essa manifestação desse desamparo infantil, num apelo, isto é, num ato de comunicação. E a mãe vai tratar isso como uma forma de linguagem que a criança está utilizando. O que a mãe vai fazer? Ela vai dizer que talvez ela esteja com frio, talvez ela esteja com fome, talvez ela esteja com dor, e vai, a partir desta interpretação, porque se trata de uma interpretação, oferecer algo para esse bebê para apaziguar a sua excitabilidade e vai produzir aquilo que se chama de uma experiência de satisfação”. Em outras palavras, nos tornamos satisfeitos na medida em que nossa excitação se liga ao objeto que nos foi oferecido e produz uma experiência de satisfação. Isso irá ocorrer durante toda a nosso vida quando a presença acolhedora de alguém nos oferecer a oportunidade de transformar nossas inquietudes em comunicação.

Quanto melhor soubermos reconhecer conscientemente um sentimento, mais seremos capazes de usar a emoção como sinal de algo que precisamos saber a nosso próprio respeito. Desta forma, nos apropriamos de nós mesmos em vez de deixarmos que as emoções se apropriem de nós.

Joel Birman comenta que na medida em que somos tomados por intensidades que ultrapassam nossa capacidade de nos regular, passamos a viver uma certa despossessão de nós mesmos.
O fato é que quando nos tornamos reféns dessas intensidades perdemos um certo domínio mínimo de nós mesmos. Birman ressalta que as depressões resultam de uma desvitalização em função dessa despossessão de si.

Podemos ser a mãe acolhedora de nós mesmos para traduzir em comunicação o que quer que estivermos sentindo. Ao treinarmos esta atitude de autoacolhimento cotidiano, passaremos a ter um diálogo interno organizador em invés de nos levar à loucura com pensamentos obsessivos e destrutivos. Para tanto, que tal introduzirmos em nossa rotina o hábito de falar, escrever, dançar, pintar, cantar ou tocar um instrumento?

por Bel Cesar

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Sobre o autor
bel
Bel Cesar é psicóloga, pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano desde 1990. Dedica-se ao tratamento do estresse traumático com os métodos de S.E.® - Somatic Experiencing (Experiência Somática) e de EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares). Desde 1991, dedica-se ao acompanhamento daqueles que enfrentam a morte. É também autora dos livros `Viagem Interior ao Tibete´ e `Morrer não se improvisa´, `O livro das Emoções´, `Mania de Sofrer´, `O sutil desequilíbrio do estresse´ em parceria com o psiquiatra Dr. Sergio Klepacz e `O Grande Amor - um objetivo de vida´ em parceria com Lama Michel Rinpoche. Todos editados pela Editora Gaia.
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