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À espera da melhor condição...


Como já contei anteriormente, estou numa fase de revisões: descartando o que não serve mais, organizando o que ainda faz sentido e reavaliando todos os espaços – internos e externos.

Em meio a tudo isso, encontrei entre outras preciosidades uma lista que escrevi há quase dez anos, onde relacionei uma série de ‘sonhos’ que desejava realizar. Constatei, com alegria, que alguns já foram realizados, enquanto outros aguardam atitudes, escolhas, ou melhor – agora eu sei! – aguardam a melhor condição...

Foi ótimo revivescer antigos sonhos; os sonhos sempre atuam como combustível para a alma. Nesta lista constava “Voar de asa delta”. Foi o que escolhi realizar primeiro; e o Universo entrou em sintonia comigo, ou vice-versa.

Conversando com um amigo muito querido, que não via há algum tempo, entre fatos e pretensões do passado, presente e futuro... de repente, ele fez o convite: ‘quer voar de parapente?’. ‘Claro que quero!’, respondi, eufórica e feliz.

Dez dias se passaram e lá estava eu, numa sexta-feira ensolarada, lindíssima, no Pico do Gavião, em Andradas, Sul de Minas Gerais. Alguns contratempos me fizeram duvidar de que aquele seria mesmo o dia da realização. As horas foram passando e o que mais ouvi, durante o tempo em que estive entre os voadores, foi a seguinte frase: ‘presta atenção... quando a condição ficar favorável, você decola...’.

A cada expressão desconhecida, fui questionando meu amigo. Queria saber mais sobre o mundo de quem ganha asas, conquista os céus, passeia entre nuvens e sente tão perto o dedo de Deus. E ele me explicava...

Aguardar a melhor condição significa perceber a direção e a velocidade do vento e, principalmente, o movimento das nuvens. Quando uma térmica (bolha de ar quente) sobe, é o momento perfeito para a decolagem. Ao entrar nesta térmica, o parapente é levado para o alto e o vôo acontece com sucesso! Essas são informações de aerologia, aerodinâmica e meteorologia.

Eu faria um vôo duplo; assim, eu e o piloto nos preparamos. Roupas adequadas, posição correta, equipamento no lugar certo, no topo do Pico... aguardando a condição ficar favorável.

E dali, donde a vista era maravilhosa e a tarde perfeita, fiquei observando meus próprios sentimentos. Estava ansiosa, querendo voar de qualquer jeito, um tanto contrariada por estar esperando desde as 11h30 da manhã, ainda mais porque corria o risco de a condição não se tornar favorável e, consequentemente, de não conseguir voar naquele dia.

E comecei a pensar que, na maioria das vezes, os acidentes – sejam de ordem física ou emocional – acontecem porque não queremos esperar, não queremos observar a condição, não queremos aguardar o momento mais favorável.

Inclusive eu, neste momento de revisões, quantas vezes me incomodo com essa estranha sensação de estar no ‘morno’. Nem no quente, nem no frio. Nem no tudo, nem no nada. Apenas aguardando... como quem espera o bolo assar; como quem espera a hora do parto chegar; como quem espera para decolar...

Às 15h25, meu amigo, o piloto com quem eu voaria e os outros voadores que estavam no morro deram o alerta. A condição estava se formando. Era hora de se posicionar. Quando dessem o sinal, eu deveria correr, pois como estava na frente do piloto, qualquer vacilo meu poderia atrapalhar a decolagem.

Meu coração disparou. Tive medo da melhor condição. Justo eu, que tanto havia esperado por ela, tive medo... Mas não desistiria. Foi dado o sinal. Corri em direção ao abismo até sentir meus pés fora do chão.

Valeu a pena esperar... ah, se valeu! Descobri, a quase dois mil metros do nível do mar, que nunca mais seria a mesma... Voar não era apenas a realização de um sonho, mas a constatação de que ninguém ganha asas, ama ou é amado por acaso. De uma forma ou de outra, é preciso aprender a esperar a melhor condição...



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Rosana Braga é Especialista em Relacionamento e Autoestima, Autora de 9 livros sobre o tema. Psicóloga e Coach. Busca através de seus artigos, ajudar pessoas a se sentirem verdadeiramente mais seguras e atraentes, além de mostrar que é possível viver relacionamentos maduros, saudáveis e prazerosos.
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