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Existe, sim, amor incondicional... Eu me redimo!

Existe, sim, amor incondicional... Eu me redimo!
Publicado dia 04/06/2004 11:07:08 em Almas Gêmeas

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Semana passada, escrevi um artigo intitulado: “Não acredito em amor incondicional!” e, felizmente, recebi muitas opiniões sobre o tema, algumas concordando e outras discordando, causando uma polêmica positiva e da qual pude absorver aprendizados preciosos.

Em primeiro lugar, gostaria de consertar a minha expressão. De fato, o amor é incondicional por essência. Ou seja, ele nasce a despeito de qualquer condição humanamente imperfeita, porque se trata de um sentimento soberano e perfeito.
Entretanto, minha crença recai sobre o exercício do amor, sobre a decisão e, simultaneamente, a atitude de vivenciar o amor com alguém no dia-a-dia, transitando por um espaço em que todas as nossas expectativas vêm à tona.
Fui atrevida a ponto de falar do amor do Criador, porém não tive o intuito de supor ou insinuar que o Amor Divino é limitado. Acredito, sobretudo, que exista este amor soberano, que se sobrepõe a qualquer imperfeição humana. Entretanto, acredito também na retidão que nos é pedida em troca, numa semelhança com o Divino que nos é cobrada a cada dia ou a cada vida de nossa existência, através de escolhas responsáveis e comprometidas com o outro e com a gente mesma. Neste sentido, afirmei que o amor do Criador também não é “gratuito”. Ele nos ama como filhos e é exatamente por reconhecer nossa capacidade de sermos melhores e mais perfeitos, que nos pede evolução.

E isso me fez lembrar de uma frase de Vladimir Maiakovski:
Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que haja falta de amor.

Ou seja, não quero defender aqui que o amor deva ser objeto de negociação. Isso seria realmente um sacrilégio. Amor a gente dá, a despeito do outro, simplesmente porque sente, sem contabilizar. No entanto, não creio no exercício de um amor que aceita tudo, que aceita ser maltratado, subjugado, preterido ou ignorado. Neste sentido, não creio nem que o Criador considere tal exercício como aceitável: ao contrário, Ele exige de nós uma revisão de valores, Ele nos impõe situações para que possamos refletir sobre nossas atitudes e sentimentos.
E ao traçar um paralelo desta “condição Divina” com o amor praticado nas relações afetivas, especialmente entre homens e mulheres que compartilham suas vidas baseados no amor sim, mas também em suas limitações, imperfeições e individualidades, quis ressaltar que podemos sentir amor a qualquer tempo e com toda a intensidade possível por quem quer que seja... e ainda assim, impormos “condições” para que uma relação possa ser estabelecida com esta pessoa.

Aldo Novak, grande amigo, jornalista e articulista (www.academianovak.com.br), me escreveu depois de ler o artigo, dizendo:
...O amor, como sentimento, é incondicional sempre - ou não é amor por definição. Talvez seja apenas carinho, amizade, sexo, partilha... ou seja lá o nome que se dê. A AÇÃO de amar é que não é incondicional. Posso amar alguém (um filho, por exemplo) e será incondicional. Mas, a expressão deste amor é que pode depender do relacionamento, ou seja, do que a outra pessoa oferece, ou faz. Matadores que estão na penitenciária ainda recebem visitas de suas mães, que os amam, mas isso não quer dizer que elas farão o que eles pedirem. Você entende? Posso amar até sozinho, sem nenhuma reciprocidade, por causa da própria definição de amor. Entretanto, um namoro, noivado e casamento exige, sim, ações condicionais. Você está certa. Mas, não podemos misturar o relacionamento com o sentimento, ou vira tudo um "negócio". Se a métrica do amor for apenas o "cada um tira o que deseja", basta um dos dois não poder oferecer algo e "acaba" o amor.

Além dele, muitos outros leitores e amigos me escreveram. Alguns concordando, outros discordando e outros, ainda, dizendo-se em processo de reflexão depois da leitura. De qualquer forma, agradeço de todo coração a cada um que se expôs e me deu a chance de perceber que eu havia misturado os significados. Quis falar de relacionamento e usei a palavra ‘amor’. Certamente, estou agora um tanto mais evoluída e motivada a olhar este termo – incondicional – mais com o coração do que apenas através de um ângulo.
Desejo terminar este artigo reafirmando que não defendo o amor como moeda de troca, mas o exercício dele fica muito mais rico, interessante e evolutivo quando há troca. E não falo de “toma lá, dá cá”, mas de concessões mútuas, com respeito e reconhecimento pelo humano que o outro é e, acima de tudo, do acolhimento de si mesmo, da permissão que a gente se dá de “querer” ou “não querer” compactuar de determinadas situações por achar que a prática do amor tudo aceita, tudo permite e a tudo se submete.
E, assim, posso concluir que amar é, de fato, incondicional, mas o amor praticado exige o compromisso pessoal de cada um a fim de facilitar a evolução do outro e de si mesmo.

E se você pensa diferente, se você tem uma experiência que acrescente positivamente a esta idéia, sinta-se à vontade para trocá-la comigo, porque assim como a grande maioria das pessoas, também sou aprendiz e estou em busca de uma compreensão maior do que seja a vida e o amor. A diferença entre mim e aqueles que estão à espreita, esperando um instante oportuno para atirar uma pedra, é que me exponho... e isso tem seu preço!
Mais uma vez, agradeço a todos aqueles que me enviaram “pedaços” preciosos de suas almas, transformando este tema numa polêmica amorosa, entre pessoas que desejam acrescentar e não serem donos de alguma verdade absoluta!

por Rosana Braga

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Sobre o autor
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Rosana Braga é Especialista em Relacionamento e Autoestima, Autora de 9 livros sobre o tema. Psicóloga e Coach. Busca através de seus artigos, ajudar pessoas a se sentirem verdadeiramente mais seguras e atraentes, além de mostrar que é possível viver relacionamentos maduros, saudáveis e prazerosos.
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