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O medo de ser traído faz você sufocar o outro e perder-se de si mesmo...


Tenho ouvido muitas pessoas reclamando e, portanto, se esquivando de relações duradouras e compromissos “sérios”. Alegam que se sentem sufocadas, presas, vigiadas, como se já não pudessem viver suas próprias vidas, ou pior, como se já nem soubessem quem realmente são...

Quando tentamos controlar o outro por medo de sermos traídos (ou por qualquer outra crença), ocasionamos um duplo aprisionamento: o do outro e o da gente mesma. Porque a ilusão de que o parceiro deva ficar sob nossa supervisão nos dá a sensação equivocada de segurança... mas enquanto tentamos vigiá-lo, perdemos também a nós mesmos, desviamo-nos de nosso próprio caminho para seguir um caminho que não existe, que não é o nosso e também não é o da pessoa amada.

Estranhas escolhas... que nos remetem inevitavelmente ao sofrimento, à decepção e ao desejo – consciente ou não – de nos libertar desta entediante prisão. Feminismos e machismos à parte, creio que sejam geralmente as mulheres que mais tentam aprisionar os homens... e são os homens que, geralmente, mais se perdem entre o desejo de viver um relacionamento e, ao mesmo tempo, uma rotina de descompromissado, de solteiro.
Verdade seja dita: nem um destes dois comportamentos ajuda em nada. Ideal seria que as mulheres relaxassem e tentassem respeitar um pouco mais a liberdade dos homens. Assim, da mesma forma, que os homens fizessem escolhas mais adultas e conscientes, sabendo que compromissos – qualquer um e em qualquer área da vida – pedem atitudes coerentes.

Repito que esta é apenas uma tendência, pois existem também muitos homens que sufocam suas mulheres e muitas mulheres que se comportam de maneira dúbia, deixando uma insegurança constante pairando sobre o relacionamento.
O intuito aqui não é rotular homens e mulheres, mas esclarecer que quem sufoca ou quem gera insegurança está mais para se defender de seus próprios medos do que contribuir para que a relação seja um encontro que acrescente ao invés de subtrair.
Depois de tantos depoimentos deixados pelos leitores nos BLOGS sobre traição, ficou muito evidente que a maioria das pessoas, depois de romper uma relação longa e cheia de cobranças, críticas e desentendimentos, termina descobrindo que havia se perdido de si mesma, que deixou de fazer o que gostava, de sorrir, de se sentir feliz, de respeitar suas verdadeiras vontades para tão somente tentar garantir alguma segurança e, especialmente, evitar uma traição.

Entretanto, parece que as relações castradoras e maquiadas, que podam a individualidade e a atuação do outro, terminam justamente por causa de um diagnóstico que traz à tona frustrações, pressões, cobranças e bem poucas ocasiões de preenchimento e de respeito um pelo outro e pela própria relação, que é uma instituição formada em nome do amor.
Então, por mais que pareça contraditório a tudo o que ouvimos a vida inteira sobre relações perfeitas, creio que seja urgente entendermos que namoro e casamento não podem significar grades para a alma e a personalidade de ninguém.

Sair com os amigos, fazer programas que não incluam necessariamente o outro e sobretudo preservar a ‘solidão’ extremamente necessária para o crescimento de cada um podem ser medidas essenciais em prol da preservação desta espécie em extinção: relacionamentos felizes e que ofereçam a sensação de ganho e não de perda aos envolvidos.
E talvez você se pergunte: mas tanta “permissividade” não terminaria induzindo o outro à traição?!? E eu responderia: será que não está na hora de compreendermos que cabe somente a cada um a responsabilidade por suas próprias escolhas?
Mais do que isso: será que não está na hora de vivermos mais as nossas próprias vidas e deixarmos que o outro decida se quer ir ou ficar? Afinal de contas, ao invés de impor ao outro uma vigilância insana e destrutiva, cada casal deveria conversar sobre o que realmente significa traição e o que, então, colocaria em risco a confiança, o respeito e a própria relação.

Porque definitivamente, pressões e cobranças não são garantia de fidelidade. Nunca foram, mas atualmente, atitudes como estas parecem estar garantido bem mais o exato oposto, ou seja, que haja menos tolerância e disponibilidade para fazer dar certo, que a relação acabe mais rapidamente ou que sobreviva permanentemente doente...
Infelizmente, muitas vezes nos damos conta do quanto estávamos perdidos dentro de um relacionamento e o quanto estávamos transferindo nossas neuroses e inseguranças somente quando perdemos um grande amor!

Sinceramente, creio que este seja um momento muito precioso para a transformação da afetividade, para a revisão do que vem a ser companheirismo, confiança e liberdade. Quem sabe, assim, possamos experimentar bem menos dor e bem mais amor...



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Rosana Braga é Especialista em Relacionamento e Autoestima, Autora de 9 livros sobre o tema. Psicóloga e Coach. Busca através de seus artigos, ajudar pessoas a se sentirem verdadeiramente mais seguras e atraentes, além de mostrar que é possível viver relacionamentos maduros, saudáveis e prazerosos.
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