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Rótulos e sentimentos...


Certa vez me disseram, em tom de reprovação: “ah, você também é do tipo que precisa de rótulos!”. Pega assim, de surpresa, respondi que não, que não precisava de rótulos e sim de sentimentos... Naquele momento, pareceu-me quase falta de educação desejar nomear as relações.

Depois, pensando na conversa, descobri que havia mentido sem me dar conta. Preciso mesmo dos rótulos! Entretanto, mais do uma necessidade pessoal, estou certa de que os rótulos são uma necessidade conseqüente, coletiva; afinal, vivemos sob a regência de uma cultura, agregados em sociedade, entre amigos, familiares, colegas de trabalho e conhecidos em geral.

Claro que continuo priorizando os sentimentos, até porque creio que os rótulos devam ser colocados somente depois e nunca antes de percebermos nossos sentimentos, tal como acontece com os produtos, onde primeiro se conhece o conteúdo e somente depois a embalagem é rotulada; e que um seja o mais fiel possível ao outro, sob pena de denúncia à propaganda enganosa.

Ou seja, não dá para chamar alguém de amigo sem antes ter sentido confiança para vivenciar com este alguém uma relação de amizade. Não dá para chamar alguém de namorado sem antes ter sentido carinho, atração e o coração batendo mais forte. Isto é, são os sentimentos que justificam os rótulos.

O que acontece, no entanto, é que o rótulo ‘namoro’, para algumas pessoas, parece ter se tornado piegas, falta de bom senso, pressão ou - quem sabe (?) - demonstração de fragilidade... Assim, o rejeitam sob a justificativa de que os nomes não servem para nada. Certamente elejam outras expressões, tais como: “estou ficando (ou saindo) com alguém” ou “estou transando com uma fulana interessante que conheci”... ou ainda “não namoro, só tenho um caso!”.

Pois muito bem... não é ‘namoro’, mas “nomes foram dados aos bois”: ‘sair’, ‘ficar’, ‘transar’, ‘ter um caso’... Outros rótulos, mas ainda rótulos!!! Há ainda os que insistem em usar o rótulo ‘amizade’ para aquilo que se tem com alguém com quem se transa, beija na boca, troca intimidades.

Sinceramente, amizade - a meu ver - existe sempre que você se disponibiliza para alguém, independentemente do que vem depois. Ou seja, amizade é o chão das relações produtivas. Se não há amizade, creio que sobram apenas dois rótulos: falta de oportunidade ou vontade de conhecer o outro ou inimizade.

Agora, a partir do momento em que há contato físico íntimo, deixou de ser apenas amizade. E se fica tão difícil assumir o rótulo ‘namoro’, certamente tem a ver com a intensidade do que é sentido. Não dá mesmo para rotular uma relação como namoro se não existem sentimentos que o justifiquem.

O fato é que agimos de acordo com o rótulo que assumimos internamente. Se, de acordo com meus sentimentos, é ‘namoro’, meu comportamento será de namorada e minha expectativa será que o outro me corresponda como namorado. Se os meus sentimentos são limitados, será um ‘caso’ e me comportarei como quem tem um caso, esperando que o outro me corresponda enquanto caso, sem planos para amanhã, sem a sutileza que o coração oferece nos encontros especiais.

Até aí, muito coerente, considerando ainda que cada um tem um ritmo particular para absorver e assumir seus sentimentos e, por conseqüência, seus rótulos. Porém, infelizmente, algumas pessoas simplesmente renegam os rótulos como se isso lhes dispensasse de olhar para o que sentem - ou pior! - de ter que contar ao outro que não sentem o suficiente para corresponder às suas expectativas.

Em última instância, o “não-rótulo” - que já é por si só, um rótulo - parece dar a cada um o direito de se comportar como ‘namorado’ quando assim lhe for interessante e ‘amigo’ quando assim lhe convier. Deste modo, os ‘distraídos’ ou ‘disfarçados’ insistem em tentar transformar esta situação que “nem é e nem deixa de ser” em muito normal e aceitável.

Só que na prática, a abstinência de escolhas tem servido apenas para desgastar e inviabilizar relações que poderiam ser bem mais do que têm sido: frustrantes desencontros, vitaminas para a solidão e tijolos para novos muros contra o medo da dor...


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Rosana Braga é Especialista em Relacionamento e Autoestima, Autora de 9 livros sobre o tema. Psicóloga e Coach. Busca através de seus artigos, ajudar pessoas a se sentirem verdadeiramente mais seguras e atraentes, além de mostrar que é possível viver relacionamentos maduros, saudáveis e prazerosos.
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