A Consciência é o verdadeiro castigo
Autor Rodolfo Fonseca
Assunto AutoconhecimentoAtualizado em 29/11/2025 18:21:27
Ninguém fala que o verdadeiro castigo desta vida não é o trabalho nem a dor, mas sim o instante em que abrimos os olhos demais... Em algum momento na história do mundo, simbólico ou não, o ser humano acordou... e de repente, a vida não era mais apenas alegria e fluxo penso que ele começou a perceber que existia e pior, que um dia morreria. Foi então que o paraíso acabou!
Antes do despertar, tudo era simplesmente ser. Não havia medo, nem culpa, nem propósito, nem a tirania do tempo.
Acredito que os animais, nossos irmãos na matéria, ainda vivem nesse estado de graça: comem, dormem, matam e morrem, e nada disso os atormenta.
A teologia diz que Deus nos deu a consciência para que pudéssemos amá-lo. Mas te digo, com uma sinceridade brutal, que as vezes penso que foi o contrário, que Ele tenha nos dado a consciência porque não nos suportava mais como inocentes. O silêncio da inconsciência era grande demais, até mesmo para o Criador.
A serpente no paraíso não foi o mal, foi a mensageira da lucidez e o fruto proibido não nos fez divinos, mas doentes. Porque ver é sofrer, e saber é a condenação de nunca mais poder voltar.
Desde esse momento primordial, toda a história humana é a tentativa desesperada de anestesiar o despertar. Religião, prazer, tecnologia, entretenimento, amor, trabalho, dinheiro... tudo parece servir ao mesmo propósito, o de nos distrair do fato devastador de que estamos conscientes demais para viver em paz.
A consciência é a chama que nunca apaga, mesmo quando tudo dentro de nós implora para apenas relaxar.
e o tempo, por sua vez, é a prisão onde a mente apodrece.
O prazer, o riso, a pressa, o feed infinito das redes sociais são apenas formas modernas de não encarar o absurdo da própria lucidez. O castigo nunca foi o esforço, foi a consciência do esforço. A maldição não é o trabalho, é saber que ele é inútil.
Só um ser que pensa é capaz de sentir pavor do infinito. O animal morre sem saber que morre; o homem morre todos os dias ao lembrar que vai morrer.
A consciência é a antecipação da morte dentro da vida e ela sofre por antecipação.
Dizem que a consciência nos deu a ciência, a arte, o amor... Mas tudo isso são remédios e não vitórias!
A ciência tenta explicar o vazio.
A arte tenta suportá-lo.
O amor tenta esquecê-lo.
... e toda criação humana é uma tentativa desesperada de maquiar o abismo que a consciência revelou.
Criamos mundos imaginários, porque o real é insuportável!
A verdade é que a consciência é como uma lâmina, ao tentar usá-la para nos entender, nos cortamos ainda mais fundo. Quem pensa demais, sangra mais. Quem entende, perde o consolo. O que resta é a aceitação nua: o despertar foi um erro, e pensar demais é morrer em prestações.
Morrer não dói, a dor vem de viver sabendo que vai morrer, é amar sabendo que vai perder, é criar sabendo que nada dura...
Quando o homem percebeu que existia, perdeu para sempre o direito de simplesmente ser.









in memoriam