Bem-vindo ao mundo novo

Bem-vindo ao mundo novo

Autor Acid

Assunto Autoconhecimento
Atualizado em 26/03/2026 16:05:55


Enquanto a realidade da podridão do mundo desaba sobre nossas cabeças sem filtro, ironicamente estamos atingindo cada vez mais o tão sonhado e/ou alertado século 21 dos livros e filmes, com todas as maravilhas e perigos que as gerações passadas avisaram que teríamos. A Inteligência Artificial abriu uma porta pra caixa de Pandora onde a única coisa que talvez não saia de dentro é a esperança de termos finalmente um carro voador acessível à sociedade.

A IA facilitou a vida daqueles que criam robôs. Se antes cada movimento era programado por um ser humano, seguindo uma sequência pre-determinada, agora o robô pode aprender novas tarefas, sequências e objetivos só olhando para um ser humano fazendo (às vezes nem isso, pois pode treinar e errar até acertar virtualmente, numa espécie de Matrix só deles, antes mesmo de aplicar no mundo real).

A popularização dos robôs vai trazer uma das maiores revoluções da História da Humanidade desde a Revolução Industrial até sua maior consequência social: o Comunismo. Se o que começou por volta de 1760 traz discussões acaloradas até hoje no âmbito do Direito Trabalhista e na política mais elementar (de discussões em bares a debates para presidente), o que a revolução dos robôs vai fazer será rediscutir o papel do ser humano na sociedade.

O ser humano parece complexo, com várias camadas, mas olhando o macro você observa uma pirâmide onde a maioria trabalha para subsistir e existe para girar a roda do rato, que gera energia para sustentar uma minoria de parasitas no topo. Lá pelo meio da pirâmide temos os Empresários e Servidores, engenheiros que mantém as engrenagens da roda do rato engraxadas e eficientes, redistribuindo as riquezas (nem sempre de forma justa). O fato é que nós nos DEFINIMOS e AGIMOS de acordo com nossa posição na pirâmide (ou pelo menos a posição na qual NÓS ACHAMOS que estamos). Como diz Leonard Cohen na música "Steer Your Way":

"Assim como Ele (Jesus) morreu para santificar os homens, morramos nós para tornar as coisas baratas".


Passei o dia pensando nessa frase, e é por isso que estou escrevendo esse post. Cohen está citando diretamente o hino patriótico americano "The Battle Hymn of the Republic", de Julia Ward Howe, que diz: "As He died to make men holy, let us die to make men free". Ao trocar free (livres) por cheap (baratos), Cohen transforma um chamado ao sacrifício nobre em uma observação cínica sobre o consumismo e a desvalorização da vida humana.

Essa "baratização" é o reflexo da nossa sociedade atual. No passado, um artesão colocava sua vida num móvel que duraria séculos; havia algo de litúrgico na criação. Hoje, sacrificamos nossa vitalidade em cubículos de escritório para que o mundo seja inundado por objetos descartáveis, por comida que é apenas simulacro químico e por entretenimento que dura 15 segundos. Estamos construindo um mundo de simulacros e obsolescência. O chocolate já não é mais cacau, é "sabor chocolate"; o sorvete virou "mistura láctea" e o ventilador que você compra hoje já sai da caixa com data de morte programada, rangendo em poucos meses. O sistema descobriu que é mais lucrativo nos manter num ciclo de "comprar-quebrar-comprar" do que nos permitir possuir algo de valor real. Afinal, o que é "valor" no mundo de hoje? Uma tag com um preço.

Os robôs em escala (como Elon Musk e os chineses pretendem fazer) acabarão com o papel dessa base da pirâmide. Isso não é futurologia, nem ficção científica. É um FATO pra daqui a 10, 20 anos. A tecnologia existe, e o incentivo econômico existe (robôs serão mais baratos que humanos). A IA em sua versão software já está substituindo os programadores, vai substituir os trabalhos artísticos e de Design, está avançando pra substituir uma grande parte da medicina e os robôs serão a pá de cal, substituindo desde o entregador de pizza até o médico do postinho.

E o que sobra pro Betinha? Elon Musk diz que vamos ter de criar uma renda básica universal (RBU) como resposta ao impacto da Inteligência Artificial e da robótica no mercado de trabalho. EU DUVIDO MUITO. Ao mesmo tempo, Musk também expressou preocupações psicológicas sobre esse cenário, alertando que, se o trabalho não for mais necessário, as pessoas podem enfrentar uma crise de sentido. Isso certamente vai acontecer. Muitas pessoas morrem depois que se aposentam. Mesmo os que se aposentam com dinheiro e saúde. É como disse lá atrás, nós nos DEFINIMOS e AGIMOS de acordo com nossa posição na pirâmide. E aqui surge o abismo: uma vez livre do trabalho monótono, o que o "Beta" fará? A visão otimista diz que finalmente nos dedicaremos às artes e à filosofia. A visão realista? Olhe ao seu redor hoje. As pessoas não usam seu tempo livre para ler os clássicos ou estudar astrofísica; elas o usam para se entorpecer no scroll infinito do TikTok. Sem a pressão da sobrevivência, a tendência humana não é a transcendência, mas o hedonismo de baixo custo. Seremos uma massa vivendo de esmolas governamentais (a RBU), trancados em quartos baratos, consumindo mundos virtuais mais interessantes que a nossa realidade cinzenta. Wall-E não foi um entretenimento: foi um alerta brutal.

Talvez o maior perigo da Matrix não seja a escravidão pelas máquinas, mas a liberdade total em um mundo onde nada mais tem valor, porque tudo é barato demais para importar (ou se importar). Já estamos vendo o reflexo disso nas novas gerações, que apostam entre si, em redes sociais, se são capazes de assassinar animais da forma mais cruel possível. E são. Matou? Arranja outro pra matar outro dia. Não há consequência, especialmente para os ricos. O que esses jovens não farão no futuro com outros seres humanos, tendo muitos recursos, tempo livre, poder e total impunidade? O caso Epstein vai parecer um balão de ensaio pra algo muito mais "democratizado" na parte média da pirâmide.

Boa sorte tentando criar uma menina nesse mundo novo.


The Humanoid Robot Revolution: What's Coming in 2026 (And Why Silicon Valley Is Terrified)

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acid
é uma pessoa legal e escreve o Blog www.saindodamatrix.com.br
"Não sou tão careta quanto pareço. Nem tão culto.
Não acredite em nada do que eu escrever.
Acredite em você mesmo e no seu coração."
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