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Brincar sim, agredir não

por Bel Cesar

Brincar sim, agredir não

"Estava só brincando, não leva a mal o que eu disse..." diz quem não assume a falta de sensibilidade no uso de seus movimentos e palavras. Talvez não os assuma porque não consegue se dar conta do efeito que tem sobre os outros, tal a sua falta de percepção. É sério. Estamos com baixa capacidade de percepção alheia porque mergulhamos em nossos mecanismos de defesa. Atacamos para não sermos atacados. Todo mundo sai perdendo com isso.

Com frequência, noto que casais que perderam o prazer em estarem juntos, um deles, ou mesmo ambos, têm o hábito de fazer comentários que diminuem o outro. Podem ser sutis, mas denigrem. Machucam. Eles usam frases irônicas com mensagens de desfeita e menosprezo como: "Duvido que você consiga", "Deixe que eu faço, isso é para pessoas inteligentes", "Bem que eu sabia que não ia dar certo, você sempre erra". Quem fala ou escuta estas frases sabe que elas são armas. Por isso, não podemos usá-las nem por "brincadeirinha"...

Afinal, o que é brincar? Stephen Porges, professor de psiquiatria na Universidade de Illinois (Chicago), ressalta a importância de entendermos o que é a brincadeira para os mamíferos, para as crianças e os bebês. Brincar é mover-se de uma coisa para outra, do que é ora previsível, ora imprevisível. O que garante esta brincadeira ser saudável é a troca recíproca de olhares e expressões faciais empáticas. Elas garantem que a brincadeira não se torna agressão. Quando ocorre a agressão, mesmo que não intencional, é porque o agressor não estava lendo as dicas que o rosto do companheiro estava lhe dando. A brincadeira tem a função de ensinar o cérebro a controlar seu comportamento agressivo no engajamento social. Porges exemplifica o que ocorre quando observamos dois cães brincando. Um corre atrás do outro. O que está atrás morde de leve a perna traseira do da frente. Por segundos eles se olham para se certificarem de que tudo está bem. Depois, trocam de papéis, agora é a vez do perseguidor ser perseguido. Brincar é isso: movimentos previsíveis e imprevisíveis, mobilização, certificação de que tudo está seguro e troca de papéis. Neste sentido, Porges conclui que os princípios para estabelecer relacionamentos saudáveis são semelhantes ao da brincadeira: requerem reciprocidade, movimento e inibição de movimento e interações face a face, vocalizações melódicas que garantam de que não haja agressões que impeçam o movimento e o toque.

Quem gosta de fazer "brincadeirinhas de mal gosto" reclama que o outro é muito frágil. Bom, ele pode aprender a relevá-las e não perder seu eixo, nem ficar magoado, mas o fato é que comentários desagradáveis convidam o outro a se retirar. Se quisermos ter o outro ao nosso lado teremos que gerar um ambiente de confiança e não de hostilidade.

Amar é desejar que o outro seja feliz. Neste sentido, o bem-estar de uma pessoa passa a ser um prazer para quem ama. As coisas mudam quando começamos a interagir positivamente com elas. Se o nosso modo de interagir é OK, a mudança começa a se tornar positiva.


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Bel Cesar é psicóloga, pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano desde 1990. Dedica-se ao tratamento do estresse traumático com os métodos de S.E.® - Somatic Experiencing (Experiência Somática) e de EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares). Desde 1991, dedica-se ao acompanhamento daqueles que enfrentam a morte. É também autora dos livros `Viagem Interior ao Tibete´ e `Morrer não se improvisa´, `O livro das Emoções´, `Mania de Sofrer´, `O sutil desequilíbrio do estresse´ em parceria com o psiquiatra Dr. Sergio Klepacz e `O Grande Amor - um objetivo de vida´ em parceria com Lama Michel Rinpoche. Todos editados pela Editora Gaia.
Email: contato@vidadeclaraluz.com.br
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Publicado em: 08/01/2016 10:56:32

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