Como transformar entusiasmo em direção para a vida
Autor Rodolfo Fonseca
Assunto AutoconhecimentoAtualizado em 01/10/2026 15:05:39

Entusiasmo é uma palavra curiosa, e sua origem está no grego *enthousiasmós*, algo próximo de "inspiração divina", uma ideia que, para alguém com minhas convicções agnósticas, naturalmente provoca uma certa resistência. Afinal, se existe por trás do entusiasmo alguma dimensão que eu não consigo compreender ou comprovar, como posso afirmar que entendo o que ele realmente é? E, mais importante, como posso falar sobre sua capacidade de orientar nossas escolhas e transformar nossa experiência sem simplesmente aceitar a explicação que me está sendo apresentada?
A questão me interessa justamente por isso: preciso acreditar na explicação para investigar a experiência? Se percebo que determinadas atividades despertam em mim energia, curiosidade e uma vontade genuína de agir, posso observar esse fenômeno sem saber exatamente de onde ele vem. Posso não acreditar que seja uma "mensagem do universo" e, ainda assim, reconhecer que existe alguma coisa ali que merece ser compreendida.
E, para complicar ainda mais minha investigação, esses dias estava assistindo a um vídeo interessante da Andrea Vermont, que soltou uma frase que me pegou de jeito: "Venda é transferência de entusiasmo!" Putz, estou perdido... pensei. kkkkk. Mas a frase ficou na cabeça... Se entusiasmo realmente influencia nossa capacidade de agir, convencer, criar, vender e até contagiar outras pessoas, então existe algum valor concreto nessa experiência!
Quero descobrir como identificá-la, como utilizá-la a meu favor e até onde ela pode nos conduzir, sem precisar transformar o desconhecido em certeza.
Há meses uma pergunta me assombra diariamente e, de quebra, perturba também minha esposa, de tanto que insisto em falar sobre ela: o que realmente desperta em mim a vontade de agir?
Essa pergunta ganhou um significado especial quando comecei a conhecer os ensinamentos associados a uma entidade conhecida como Bashar, nome pelo qual *Darryl Anka afirma canalizar desde os anos 1980.
Independentemente da crença sobre a origem dessa experiência, existe na chamada "Fórmula de Bashar" uma proposta prática que merece ser examinada por seus próprios méritos: perceber o que desperta entusiasmo, agir nessa direção com presença, abandonar o apego a um resultado específico e aprender com aquilo que acontecer.
A fórmula é contínua, e cada experiência produz uma nova escolha. Mas é importante separar duas coisas: a ideia de Bashar como consciência extraterrestre pertence ao campo das crenças e não possui comprovação científica estabelecida. Já a fórmula pode ser analisada como filosofia prática, perguntando se seus princípios ajudam ou não uma pessoa a viver com mais consciência, coerência e liberdade. E é justamente nesse território que ela fica realmente interessante.
Vamos lá, o que é essa tal Fórmula de Bashar?
A proposta dele é apresentada em quatro passos principais:
seguir o maior entusiasmo disponível naquele momento,
colocar energia real nessa direção,
abandonar o apego a um resultado específico e
confiar na capacidade de aprender com aquilo que acontecer.
e depois, o ciclo recomeça.
Entendi que o objetivo não é descobrir imediatamente uma missão definitiva, mas sim, perceber qual é o próximo movimento que faz sentido.
Entusiasmo, nesse contexto, não significa euforia nem seguir qualquer impulso, mas pode ser algo mais simples, como ler determinado assunto, fazer uma ligação, aprender uma habilidade, iniciar um projeto ou mudar uma rotina...
A pergunta é: o que neste momento desperta mais energia, curiosidade ou interesse genuíno?
Essa mudança é importante porque tira a pessoa da obsessão por encontrar um grande propósito antes de começar a viver, e muitas vezes, a direção aparece justamente enquanto estamos em movimento.
Aqui está uma das armadilhas da fórmula: Se entusiasmo significar simplesmente "fazer tudo o que dá vontade", a ideia vira hedonismo, pois uma decisão impulsiva pode produzir prazer imediato e ainda assim ser completamente incompatível com aquilo que realmente valorizamos.
Por isso vale perguntar: isso realmente me energiza ou apenas me excita por alguns minutos? Estou escolhendo ou reagindo? Essa direção combina com meus valores? Ainda fará sentido depois que a empolgação passar?
Essas perguntas transformam o entusiasmo em instrumento de autoconhecimento, pois nem toda vontade merece ser seguida... algumas são impulsos, outras são medos disfarçados, outras nasceram da comparação social.
A fórmula também propõe colocar-se inteiro naquilo que escolheu. Não se trata de perfeccionismo nem de trabalhar compulsivamente, mas de presença. Podemos passar horas estudando sem realmente estar estudando, conversar com alguém sem escutar ou iniciar um projeto já imaginando que dará errado. Quando escolhemos uma direção que faz sentido, a proposta é abandonar essa divisão interna e participar plenamente da experiência.
Essa ideia se aproxima de uma percepção muito antiga da filosofia: não controlamos o mundo inteiro, mas somos responsáveis pela qualidade da nossa ação. Escolher uma direção e agir bem nela está ao nosso alcance, mas garantir seu desfecho, não.
Sabe o ponto mais difícil pra mim? abrir mão dos resultados
Essa talvez seja a parte mais interessante da fórmula, pois teoricamente podemos escolher uma direção, agir com intensidade e ainda assim não obter o resultado esperado... e assim "nasce" o sofrimento. Trabalhamos esperando reconhecimento, investimos esperando determinado retorno, criamos uma empresa imaginando um determinado futuro, entramos em um relacionamento esperando determinada resposta e quando o resultado não aparece, tendemos a concluir que toda a experiência foi um erro.
Sim, uma decisão boa pode produzir um resultado ruim, assim como uma decisão ruim pode produzir um resultado excelente, por acaso. Por isso é importante separar a qualidade da ação do controle sobre o desfecho.
Desapego então significaria não transformar o resultado em condição para considerar válida a própria experiência.
A vida não assina contratos com nossos planos, podemos trabalhar intensamente e não ser reconhecidos, amar alguém e ser rejeitados, cuidar de uma empresa e vê-la fracassar. Isso não torna inútil agir, mas mostra que agir e controlar são coisas bem diferentes.
Mas e quando isso dá errado?
Bashar propõe interpretar os resultados como parte de um processo de aprendizado, chegando ao ponto de dizer que aquilo que acontece está sempre a nosso favor. Essa ideia precisa ser recebida com cuidado, pois nem todo sofrimento possui um significado oculto, e nem toda tragédia aconteceu "para o nosso bem". achei bem conveniente isso... ;-)
Existe, porém, uma versão mais simples e muito mais útil: nem sempre escolhemos o que acontece, mas podemos escolher o que fazemos com aquilo que aconteceu.
Uma demissão pode revelar a necessidade de mudar, um relacionamento terminado pode revelar um padrão que precisava ser observado, um projeto fracassado pode mostrar uma premissa equivocada e uma crítica pode apontar um ponto cego... O acontecimento não precisa ter sido enviado por alguma inteligência cósmica para se transformar em aprendizado.
E o que significa confiar?
Confiar não é acreditar que tudo dará certo, mas que você conseguirá responder ao que acontecer. Essa diferença permite agir mesmo diante da incerteza, pois quem precisa de garantias para começar pode passar anos esperando e quem confia na própria capacidade de adaptação consegue avançar sem conhecer todo o caminho.
Você não precisa saber exatamente onde terminará, entende? Precisa apenas saber qual é o próximo passo que faz sentido dar.
Outro conceito associado a Bashar é a sincronicidade, entendida como a percepção de coincidências significativas que parecem apontar uma direção. Não precisamos decidir aqui se essas coincidências são mensagens do universo ou simplesmente acontecimentos que ganham significado porque nossa atenção mudou. Existe uma explicação mais pragmática: quando nossa atenção muda, também muda aquilo que conseguimos perceber.
Quem começa a estudar determinado assunto encontra livros que antes ignorava.
Quem procura uma oportunidade profissional passa a perceber possibilidades que sempre estiveram diante dos olhos.
A realidade pode continuar igual, mas é o observador é que mudou.
Então, como transformar a fórmula em uma prática de autoconhecimento?
A proposta pode ser usada sem qualquer crença em canalização, basta transformá-la em um exercício diário: o que desperta minha curiosidade hoje? Qual atividade está me dando energia? Qual direção faz sentido agora? Estou realmente presente nisso? O que aprendi com o resultado? Qual é o próximo passo?
Essas perguntas criam um ciclo de observação, ação e aprendizado. Em vez de tentar descobrir toda a vida de uma vez, você passa a prestar atenção no próximo movimento e isso é especialmente útil em períodos de mudança, quando o futuro parece grande demais e a direção ainda não está clara.
E quando o entusiasmo entra em conflito com a responsabilidade?
A vida real possui contas, compromissos, filhos, limites financeiros, saúde e inúmeras outras variáveis. Seguir um entusiasmo não significa ignorar nenhuma delas, o grande movimento não é abandonar tudo amanhã, mas pesquisar uma nova profissão, fazer um curso, conversar com alguém, testar um projeto ou reservar algumas horas por semana para uma atividade que desperta interesse.
A direção pode ser grande, mas o próximo passo pode ser pequeno.
Bom, pessoalmente acho que toda filosofia interessante perde parte de seu valor quando vira uma explicação para absolutamente tudo... Então, seguir o entusiasmo não significa concluir que toda dificuldade mostra falta de alinhamento ou que todo fracasso aconteceu porque ignoramos algum "sinal"... A vida é mais complexa do que isso!
Existem escolhas boas que terminam mal, decisões ruins que dão certo e experiências dolorosas que não carregam nenhuma mensagem oculta e por isso, considero mais útil tratar a fórmula como uma ferramenta de investigação, não como uma lei universal da existência. Seu valor está naquilo que ela nos ajuda a observar em nós mesmos!
Aja sob o seu maior entusiasmo
Siga, momento a momento, aquilo que mais lhe dá energia e vontade, pois esse é o sinal mais claro do seu caminho.
Dê 100% nessa direção
Ao escolher agir, entregue-se por completo à experiência, com presença e comprometimento, sem se segurar.
Tenha zero apego aos resultados
Faça pelo prazer de fazer, pois a própria ação alinhada já é a recompensa, e a expectativa só gera sofrimento.
Confie que tudo o que acontecer é a seu favor
Aceite cada resultado como o melhor possível para o seu crescimento, mesmo quando não parece, pois nada é erro, tudo é aprendizado.
... e repita o ciclo.
Ao final de cada ação, olhe ao redor e pergunte: Qual é o meu próximo maior entusiasmo? e a fórmula deve continuar e se renovar a cada momento.
A grande contribuição desses ensinamentos está menos na promessa de que o universo reorganizará nossa vida e mais na mudança de postura que eles propõem: pare de tentar controlar toda a jornada antes de dar o próximo passo.
Observe aquilo que desperta sua curiosidade, escolha uma direção, aja com presença, aceite que o resultado pode ser diferente do esperado, aprenda com o que acontecer e escolha novamente. O processo é simples e a dificuldade está em praticá-lo.
A Fórmula de Bashar pode ser lida, como um convite para uma relação diferente com a própria existência e não uma promessa de que tudo dará certo, mas uma proposta para que cada movimento seja conscientemente escolhido.
Você não precisa descobrir agora qual será o destino da sua vida, precisa perceber qual é o próximo passo que faz sentido hoje.
Um passo, depois outro, depois outro... e, quando olhar para trás, vai perceber que você construiu seu caminho enquanto caminhava.
*Bashar é o nome dado por Darryl Anka à consciência que ele afirma canalizar desde 1983. Segundo o próprio Anka e o material oficial sobre Bashar, trata-se de uma consciência não física associada à civilização Essassani, descrita como extraterrestre e pertencente a uma realidade futura. Bashar transmite, por meio de Anka, ensinamentos sobre consciência, crenças, realidade e escolhas pessoais, apresentados principalmente em palestras e sessões de perguntas e respostas.










in memoriam