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Conto de advertência

Conto de advertência
Publicado dia 14/05/2020 17:29:49 em Autoconhecimento

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Os Mitos, especialmente os gregos, eram cautionary tales (contos de advertência) pra sociedade. Os contos de fadas vieram substituir os Mitos, com avisos pras crianças não se aventurarem nas florestas, tomarem cuidado com pessoas muito boazinhas, que não existe almoço grátis, etc. Histórias de fantasmas substituíram em parte os contos, no interior do país. Hoje perdemos essa prática, no máximo temos histórias circulando na Internet sobre acordar numa banheira cheia de gelo após ser atraído por um mulherão. Mas existe sim um “conto de advertência” dos tempos modernos, um tristemente REAL, um que todo mundo deveria conhecer e cujo perigo é sempre (SEMPRE) atual: a história do nazismo.

Por que, com tantos ditadores que tivemos desde que o mundo é mundo, o nazismo é sempre citado? Definitivamente não é pra ganhar debate. Ele é importantíssimo por dezenas de motivos, dos quais podemos listar: não confie em aventureiros, atitudes são mais importantes pra conhecer alguém do que o que ele fala, a responsabilidade do coletivo nas decisões de uns poucos, separação de poderes, como a liberdade é perdida aos poucos e o povo nem sente, e talvez o mais importante: como um problema local de um país pode se tornar um problema MUNDIAL (Taí o Coronavírus que não me deixa mentir).

Então vamos a alguns pontos dessa história:

Devido a crise financeira que seguiu a primeira guerra mundial, toda a população alemã via com desgosto a atuação de seus políticos. A jovem democracia não trouxera os benefícios que muitos esperavam. Muitos sentiam raiva das elites tradicionais, cujas políticas tinham causado a pior crise econômica na história do país. Buscava-se um novo rosto. Um anti-político, que promoveria mudanças de verdade.

Adolf era um cara muito, muito popular. Adorado por quase todas as classes sociais, fazia o povo se identificar com ele, com sua linguagem, pavio curto, revolta constante contra os “poderosos”, os inimigos invisíveis do povo que faziam o trabalhador alemão permanecer na pobreza. Tal inimigo poderia ser o que ele quisesse, a depender da platéia ou do discurso. Ex: França, empresários Judeus, Sociedades secretas zionistas controladoras do capitalismo internacional, Churchill, etc. A classe talvez mais relutante era a alta, porque alguns discursos resvalavam neles. Mas Adolf os tranquilizou, se certificando de que o ódio seria direcionado para os judeus. E foi o que aconteceu: Fábricas e indústrias de judeus foram desapropriadas e entregues a industriais “alemães” (enfim, Alemães que Adolf considerava Alemães).

Adolf se identificava com a Alemanha, embora nem fosse alemão. Carl Jung chamou isso de “Inflação de Ego”, onde a pessoa embarca numa de representar uma Nação, a dar demonstrações de MEGALOMANIA, com os slogans “Alemanha acima de tudo” (onde a “Alemanha” era, obviamente, ELE) e “Um povo, uma nação, um líder”. Segundo a tese do melhor biógrafo de Hitler, Ian Kershaw, Hitler pôde agir porque os alemães “foram ao seu encontro”, ou seja: prepararam o terreno para a ideologia nazista por si mesmos.

Adolf se vestia sempre com a mesma roupa, um uniforme militar, e não tinha posses visíveis. Mantinha um ar de cansaço e humildade para mostrar a dedicação ao povo alemão e apesar de viver com Eva Braun, sempre a escondeu do público, para mostrar que ele valorizava a Alemanha acima de qualquer vida pessoal.

Os políticos e militares da época achavam que poderiam conter os arroubos populares de Adolf. Especialmente o político mais importante da época, Franz von Papen, que conseguiu convencer o então presidente, o Marechal Hindenburg, a fazê-lo Chanceler. Acharam que seria bom ter no governo um representante do povo, mas sob as rédeas deles. Pois bem: cada vez mais Adolf foi concentrando poderes, não só no Executivo como no Legislativo e Judiciário, até um ponto em que conseguiu que o PRÓPRIO CONGRESSO abdicasse de seus poderes em favor dele, com a ajudinha do Partido do Centro Católico.



No seu discurso no Reichstag, logo antes da aprovação da Lei de plenos poderes, Adolf disse:

Pela sua decisão de realizar a faxina política e moral da nossa vida pública, o governo está criando e garantindo as condições para uma vida religiosa realmente profunda e íntima. (…)
A peleja contra a ideologia materialista e a construção de uma verdadeira comunidade popular atende igualmente aos interesses da nação alemã e os da nossa fé cristã. (…) O governo nacional, percebendo no cristianismo o firme alicerce da moralidade e ética do nosso povo, percebe como de primeira importância o fomento e a manutenção das mais amistosas relações com a Santa Sé. (…) Os direitos das igrejas não serão cerceados; tampouco mudará a sua relação ao estado político.
Adolf, 1933


O que Adolf falou não durou um ano:

Logo ficou claro que [Hitler] pretendia aprisionar os católicos, por assim dizer, em suas próprias Igrejas. Eles podiam celebrar a missa e manter seus rituais o quanto quisessem, mas não poderiam ter nada a ver com a sociedade alemã de outra maneira. Escolas e jornais católicos foram fechados e uma campanha de propaganda contra os católicos foi lançada.
Anton Gill; Uma derrota honrosa


Essa era uma característica de Adolf: mentir despudoradamente. Ele falava exatamente aquilo que seu interlocutor queria ouvir, e não se envergonhava em falar e fazer outra coisa completamente diferente logo depois. É um caso clássico da Diplomacia como Adolf enganou o Primeiro-Ministro Inglês Chamberlain ao assinar um acordo de paz com ele num dia e no dia seguinte atacar os Sudetos. Também mudava sua ideologia quando necessário, como no Pacto de Não-Agressão que fez com os Soviéticos, pra alguns anos depois atacá-los pelas costas, enquanto dizia pro povo alemão que ELES é que tinham traído o pacto.

Vitimismo: São muito populares os trechos de discursos de Adolf parecendo um louco virulento e querendo guerra com o mundo, mas a verdade é que em muitos de seus discursos ele se faz de vítima, pra depois atacar. Existe toda uma preparação psicológica em seus discursos pra que envolvesse a população em sua lábia. Ele dizia o tempo todo que a Alemanha era vítima, arrastada pra uma guerra que ele não queria fazer por seus perseguidores invisíveis (ou visíveis, a depender do interesse).

Controle: Adolf era famoso por dizer uma coisa a um e outra a outro, sem escrever nada. Assim, ele podia monitorar as informações, saber como ela se espalha, identificar traidores, fofoqueiros, etc. E fazia as pessoas irem até ele buscar a informação mais correta. Adolf era bastante centralizador, e desse modo tudo poderia ser “Ordem do Fuhrer” e ao mesmo tempo não era, podia ser descartada como “Fake news” caso algo desse errado ou a responsabilidade jogada nas costas de algum subordinado.

Por falar em controle, a Gestapo foi criada a partir da Polícia Secreta Prussiana. Seu primeiro comandante foi Rudolf Diels, que era Chefe da polícia politica prussiana, e graças aos nazistas ele fez com que ela funcionasse como uma Polícia federal. O resto nós sabemos.

Ironicamente a imprensa na Alemanha continuou livre por um tempo na época de Adolf. Primeiro ele processava os desafetos. Depois, passou a intimidá-los. Depois ainda, procedeu à destruição dos jornais. E depois matou seus editores. Tudo acontecia progressivamente, com amplo apoio da propaganda nazista na mudança de mentalidade do povo alemão, que ia aceitando os absurdos em doses homeopáticas até que nada mais os chocava.

Bom, esses são só alguns pontos do nosso “conto de advertência” (na verdade uma história de cautela). Já a usei aqui no blog antes, muitos anos atrás. Não fico feliz de ter de fazer isso de novo.

Referência:
9 revelações do psicanalista que analisou a mente de Adolf Hitler;
El País – Por que votamos em Hitler?

por Acid

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Sobre o autor
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