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Não devemos interpretar uma interferência negativa como um retrocesso

Não devemos interpretar uma interferência negativa como um retrocesso

por Bel Cesar


Acompanho meu mestre Lama Gangchen Rinpoche há quase 30 anos. Por isso, sou uma testemunha viva de como seus projetos têm crescido continuamente, possibilitando que cada vez um número maior de pessoas sejam beneficiadas por suas ações e ensinamentos. Rinpoche, sempre segue em frente, mesmo diante das interferências negativas. O que repetidamente aprendo com ele é a não interpretar uma interferência negativa como um retrocesso, mas, sim, como algo a mais que temos que lidar. Só isso. Para ele, estamos sempre seguindo em frente, mesmo que temporariamente parados diante dos períodos mais conturbados. Por isso ele costuma dizer que seus projetos são para "agora e sempre".

Lama Gangchen Rinpoche nos fala que o apego é a razão pela qual temos dificuldade de lidar positivamente com as mudanças. "Só o fato de pensar em nos desapegar de algo já nos deixa inquietos. Quando temos muito apego ficamos sempre agitados. Não conseguimos relaxar: sentimos medo e dúvida. A questão não é definir o que devemos deixar de fazer, mas sim como lidar com a nossa mente apegada".

Somos tão rígidos que nem percebemos o quanto estamos sobrecarregados de ideias preconcebidas, expectativas e exigências. Sentimos que essa rigidez nos atrapalha, faz tudo à nossa volta parecer insatisfatório. Deixa-nos endurecidos, congelados, emocionalmente distantes. Não conseguimos mais nos mover dentro de nós mesmos, perdemos o nosso espaço interior. Nesses momentos, é preciso buscar alguém com a determinação de nos ajudar. Alguém que consiga nos ver além de nossas barreiras emocionais. Uma vez que quebramos a resistência em nos desapegarmos de nossas ideias e sensações viciadas na indignação e na raiva, poderemos ser o nosso próprio suporte, lidar positivamente com a tristeza, nos aproximarmos dela com a intenção de curá-la.

A raiva está sustentada no medo e sob o medo está a tristeza de que as coisas não são como gostaríamos que fossem. Acolher nossas frustrações é um gesto de autocompaixão. O amor ativo volta-se para nós mesmos. Ao nos escutarmos, nossa dor nos informa sobre o que precisamos fazer, que energia devemos gerar. Desse modo, criamos aos poucos uma nova estrutura interna, que nos permite lidar com a dor e continuar crescendo. Essa estrutura é fortalecida toda vez que abandonamos uma atitude de vítima ou de autorrejeição. Quando aceitamos o fato de que podemos entrar em contato com a nossa dor de forma consciente, algo muda.

Assim como nos fala Lama Michel Rinpoche: "Se expandirmos esse amor ativo, atingiremos a firme intenção de fazer o possível ajudar todos os seres".



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Bel Cesar é psicóloga, pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano desde 1990. Dedica-se ao tratamento do estresse traumático com os métodos de S.E.® - Somatic Experiencing (Experiência Somática) e de EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares). Desde 1991, dedica-se ao acompanhamento daqueles que enfrentam a morte. É também autora dos livros `Viagem Interior ao Tibete´ e `Morrer não se improvisa´, `O livro das Emoções´, `Mania de Sofrer´, `O sutil desequilíbrio do estresse´ em parceria com o psiquiatra Dr. Sergio Klepacz e `O Grande Amor - um objetivo de vida´ em parceria com Lama Michel Rinpoche. Todos editados pela Editora Gaia.
Email: contato@vidadeclaraluz.com.br
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Publicado em: 13/09/2016 23:56:26

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