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Pedras do Caminho


Embaixo do Umbral, havia umas pedras, cuidadosamente colocadas por alguém. Vinha cautelosa, zelosa pelo Caminho e por um instante, vacilei. Meus pés tropeçaram naquelas pedras, as Pedras do Caminho... e novamente eu caí....

Senti um calafrio percorrendo meu corpo, era o medo que o arrependimento nos traz. Eu sabia das Pedras do Caminho e por isso, deveria usar a calma e sobretudo a compreensão. Mas um sentimento pequeno tomou conta do meu ser e sentindo a dor daquela queda, me lembrava das Pedras do Caminho, tive a vontade de chutá-las. Chutá-las. Usando toda a pequenez do meu ser.

Sentei no meio do Caminho e entendi que mais uma vez eu fora testada, mais uma vez eu provei a mim mesma que não estou preparada. Mais uma vez eu percebi que aquele era o início da estrada e que a cada tropeço, mais alongada seria a minha caminhada. E como se o vento soprasse aos meus ouvidos, ouvi uma melodia que cantava frases soltas, que dizia que o tempo era a medida do Caminho, e quanto mais eu ficasse ali parada, pensando no que acabava de ocorrer, mais o tempo se estenderia, e mais longe eu estaria do fim.

Olhei ao redor, mirei as pedras imóveis, emudecidas, serenas. Haviam cumprido o seu papel. Afinal, se não houvessem pedras no Caminho, não haveriam tropeços, e por conseguinte, não haveria aprendizado.

Um sublime sentimento, encheu minha alma vazia. Meus olhos umedeceram e um estranho sentimento invadiu o meu coração, tive vontade de acarinhar aquelas pedras, agradecê-las. Pensei em recolhê-las do Caminho, não queria que outro viajor se machucasse. E quando já havia me levantado e curvado para apanhá-las, eis que o vento soprou novamente. E desenhou um redemoinho na areia que cobria o Caminho. Olhei firmemente para aquele desenho, que muito se assemelhava a um caracol... Algo me veio à mente e então me aprumei, mirei o horizonte, não havia ninguém. O Caminho estava deserto e então voltei meus olhos para trás, também não avistei nada além das inúmeras Pedras do Caminho, algumas toceiras, areia, terra e um céu divinamente azul. Percebi que por muitas daquelas pedras, eu havia passado sem sequer notar, uma ou outra, por ser tão grande, havia contornado. Então compreendi. Compreendi, que aquelas eram as pedras do meu Caminho, as pedras colocadas por "alguém" que em algum momento sentiu a necessidade de seguir... seguir de volta pra Casa. Como um menino que sai para ir à escola pela manhã, e à tarde, faminto, busca na casa do seu pai, a mesa farta e o aconchego do lar.
Então, retomei meu Caminho, as pedras ficaram no mesmo lugar...

Cláudia Machado


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