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Como a mente processa informações

por Marilia Reis em Corpo e Mente
Atualizado em 09/08/2000 10:31:00


Já comentei anteriormente que temos um mapa da realidade, que é a nossa maneira específica de compreender o mundo que nos cerca. De modo análogo a um mapa cartográfico, que representa mas não é o território, quanto mais rico, detalhado e cheio de alternativas o nosso mapa interno for, mais ele nos permitirá que nos orientemos bem e que atinjamos nossos objetivos, chegando ao lugar desejado.

Se os mapas internos são pessoais e únicos, como fica a questão da comunicação? Como conseguir que a nossa mensagem alcance a outra pessoa, seja inteligível e faça sentido para ela? Vamos primeiro entender como esse mapa se apresenta a nós mesmos.
Antes, faça uma pequena experiência: pense em uma situação muito agradável que você viveu - pode ser recente ou bem antiga. Lembrou? Agora responda: como você sabe que neste momento está pensando neste episódio específico e não em outro?
Resposta: você vai notar que existe uma imagem interna que representa esta experiência - não é necessariamente toda a situação, mas flashes, fotos ou um filme curto em sua mente, com imagens significativas daquela situação. Junto à imagem existem também sons - do mundo externo (como vozes, música ou barulho do mar, por exemplo) ou interno (o som da sua própria voz comentando algo sobre essa cena). Às vezes, o som é o do silêncio. E também está presente nesta representação algumas sensações... Neste nosso exemplo, elas devem ser agradáveis, porque foi o que pedi para você selecionar. Todas as nossas experiências internas têm os três componentes: visual, auditivo e cinestésico (palavra que se refere às sensações táteis, olfativas e gustativas). Estes aspectos são chamados de sistemas representacionais.

Apesar de todos termos registros das situações vividas e imaginadas (nós temos memórias de futuro também!) em todos esses sistemas, muitas pessoas têm uma tendência por um ou dois deles. Algumas são mais ligadas aos aspectos visuais, outras aos auditivos ou ainda aos cinestésicos. Essa preferência (que não é consciente ou intencional e se desenvolve ao longo da vida) se manifesta em diversas áreas: no modo como nos comunicamos, na maneira como organizamos nosso trabalho, etc.

Pessoas com orientação mais visual, quando vão comprar um roupa, por exemplo, dão mais importância à cor e à aparência, enquanto que para a cinestésica a textura é fundamental. Para alguém mais auditivo, tem amis impacto ouvir uma declaração de amor do que ler as mesmas palavras num bilhete apaixonado. Um par de tênis largado no meio da sala que não traz desconforto ao cinestésico, pode "enlouquecer" uma pessoa visual.

Muitos conflitos de relacionamento ocorrem pelo fato de as pessoas terem sistemas preferenciais diferentes. Imagine um casal em que a mulher seja mais visual e o marido cinestésico e que vai comemorar, num juntar íntimo em casa, o aniversário de casamento. A mulher certamente vai montar um cenário caprichado, com louça bonita (a de todo dia, nunca!), flores, velas, roupa especial e até cabelo com novo corte. O marido (cinestésico) ao chegar, vai afrouxando o colarinho e a gravata, pois, para um pessoa assim, conforto é muito importante. Larga a pasta e o paletó em cima do sofá, abraça afetuosamente a mulher, faz um carinho em sua cabeça e nem comenta sobre o penteado novo e a roupa chique - provavelmente ele nem se deu conta. Além disso, esqueceu de trazer um presentinho (lembre-se de que para uma pessoa visual é importante VER algo). Nesse momento, a mulher pode estar começando a olhar a perspectiva do jantar como algo não muito brilhante e o marido a sentir um certo desconforto ao perceber uma frieza na companheira. Nessas alturas, ele vai tomar banho, deixando o banheiro daquele jeito - toalha jogada, poças de água no chão - e coloca uma roupa confortável: bermuda, camiseta e chinelos. Quando ele chama a mulher para ficarem juntos, ela está desesperada, tentando colocar uma ordem na bagunça que a deixa aflita.

Este tipo de situação leva as pessoas, pelo fato de não conhecerem as preferências de sistemas, a interpretar o comportamento do outro como desrespeito e desatenção já pedi tantas vezes para guardar o paletó no quarto, ele não liga a mínima para o que eu peço) ou como mania de limpeza e falta de carinho (em vez de ficar comigo, prefere arrumar o banheiro!) e assim acontecem desentendimentos que poderiam ser contornados se cada um soubesse que o comportamento do cônjuge é direcionado pelo seu sistema representacional mais desenvolvido.

Aqui é importantíssimo tomar cuidado para que a preferência no sistema representacional não se torne um rótulo. Uma pessoa NÃO é visual, ela ESTÁ operando visualmente em determinado momento. Mesmo que faça isso em 80% das vezes, é fundamental que possamos identificar como ela está no momento em que nos comunicamos e não nos relacionarmos com a idéia de que ela é - e sempre será - visual.

Outra informação básica: sistemas representacionais podem, e é muito bom que sejam, desenvolvidos. Ajudam na comunicação e permitem que aproveitemos mais do mundo que nos cerca.


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clube Marilia Reis é Psicóloga e trabalha com Programação Neurolinguística. Atende adolescentes e adultos em seu consultório em São Paulo. Conheça o interativo de PNL
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