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Uma história de neném e de Osteopatia

por Violaine Fourcroy

O neném se encontra tranqüilamente deitado sobre a mesa de exame. Me sento atrás dele e pego docemente o seu crânio entre minhas mãos.

Ele tem entre um e dois meses e começa apenas a sair de sua bolha de recém nascido e, um pouco inquieto, se agita e busca a presença tranquilizadora de sua mãe. Eu explico ao neném que nós vamos trabalhar juntos, eu para desatar as tensões, os "nós", que eu leio com meus dedos em seu crânio e que repercutem no conjunto de seu corpo, e ele para me indicar onde se encontram “os fios” da meada.

A mãe não compreende muito bem o que eu faço: minhas mãos se movem de forma imperceptível, mas eu toco a cabeça do neném com doçura, delicadeza e experiência.

O neném aceita a presença de minhas mãos, suas pernas se alongam e seus dedos relaxam. A mãe também se acalma e, enquanto eu começo a testar a mobilidade dos ossos do crânio e a preparar um diagnóstico osteopático, ela começa a falar.

Ela conta: o período anterior à gravidez; a gravidez, o parto, os primeiros meses, o cansaço, os conselhos que a sufocam, o medo de fazer mal feito, as visitas ao pediatra, a pequena depressão que apareceu mesmo se este neném era tão esperado, ... e que não para de chorar, ou que dorme pouco de noite, ou que dorme somente por pequenas sextas de 20 minutos, que regurgita assim que é tocado, que tem cólicas, que tem dificuldades de mamar, etc....

Nada de grave, nada de urgente, todos os exames são normais, no entanto, a persistência destes 'pequenos' problemas perturbam a serenidade de toda a família.

Eu escuto a mamão falar, ouço o que ela diz e o que ela não diz. O neném escuta, receptivo além das palavras.
Mas o que fazem minhas mãos?

Primeiramente elas recuperam a história deste pequenino ser a partir da posição dos ossos de seu crânio, das membranas de tensão internas ( Foice do cérebro - Tentório do cerebelo), da qualidade dos tecidos: crânio duro, firme ou muito mole. Elas descobrem a posição no interior do útero, a gravidez difícil, o parto normal, rápido demais ou muito lento, o parto induzido ou com fórceps, o parto de cesariana, o neném separado de sua mamãe, o neném hospitalizado.

O neném nasce com um crânio anatomicamente maleável e cujas estruturas não serão definitivas que aproximadamente na idade de 7 anos. O nascimento irá ficar impresso no crânio deste bebê, desta criança e do adulto que ele será.

Para funcionar de uma forma optimal, o crânio do bebê precisa ser modelado, esculpido desde o nascimento, o que explica como nós encontramos "lesões osteopatico-cranianas' mesmo nas crianças que nasceram de um parto cesáreo, antes do início do trabalho de parto.

Com um mês de vida, se as condições são favoráveis, as sobreposições e as assimetrias praticamente desapareceram.

Graças ao aleitamento no seio da mãe, o neném vai recolocar as suas estruturas cranianas numa posição normal: a língua, no momento da mamada, irá exercer fortes e repetidas pressões sobre o palato e remodelar a base do crânio. Além disso, a alternância das mamadas do seio direito e esquerdo favorece a simetria natural dos tecidos cranianos. Alguns bebês, assim que podem abrir suficientemente a sua mão, entre 1 e 2 meses, chupam o seu polegar ou outro dedo, o que lhes permite, entre outras coisas, de aliviar certas tensões cranianas, pois o apoio sobre o palato irá repercutir como uma roda denteada, sobre todos os ossos do crânio.

No entanto, mesmo se tudo parece estar acomodado na superfície, a estrutura interior, invisível a olho nu, mas perceptível à um toque mais minucioso das mãos, pode permanecer perturbada.

O osteopata com sua percepção manual, consegue traçar uma imagem muito precisa do pequeno crânio, livre, flexível, "respirando" normalmente, ou tenso, desalinhado na base, desequilibrado. Dando alguns pontos de apoio aos tecidos, o terapeuta vai permitir que a estrutura do crânio se recoloque numa posição de bem-estar e de eficácia.
Algumas lesões ficarão à princípio silenciosas, e somente mais tarde elas criarão alguns problemas como a escoliose, a miopia, a otite, os resfriados, as dificuldades de concentração. Outras lesões irão aparecer imediatamente, dando cólicas, regurgitações, choros 'sem causa', perturbações do nono, eczema, prisão de ventre, torcicolos, estrabismos e uma má posição dos pés e dos quadris.

Alguns sintomas deveriam alertar as mães: O neném não suporta dormir de um só lado; vira constantemente a cabeça; recusa um seio e não o outro; detesta ser trocados; tem a aparência rígida, arqueada ou pouco tônica; dorme demais ou dorme de menos.

Algumas posições estão em relação com uma tensão membranosa intracraniana refreada por um mau funcionamento ou/e por uma perda de mobilidade da estrutura do crânio. De fato elas são uma verdadeira campainha de alarme.

Em linguagem médica eu poderia indicar que:
- perturbações do sono: verificar o esfeno-basilar, o frontal, o occipício;
- cólicas: verificar D4-D5, e occipício;
- choros e irritabilidade: tensões das membranas internas e intra-espinhais;
- dificuldades de sucção: liberar o XII (nervo hypoglosse) no nível da base do crânio;
- etc.

A Osteopatia não se improvisa: ela se baseia sobre bases anatômicas e fisiológicas precisas. Mesmo se o núcleo essencial do osteopata é a toque com as palmas da mão, desenvolvidos para os estudos e a experiência, os dedos devem “ver, pensar, sentir e conhecer”.

O bebê que repousa entre minhas mãos, ignora toda esta linguagem, mas ele sente a descompressão dos ossos do crânio, a liberação das tensões, e ele sente seu crânio respirar livremente.

O neném se mexe um pouco, minhas mãos o seguem e ele se coloca na posição que o incomoda menos, dando-me as preciosas indicações para o seu tratamento. Ele não precisa mais lutar contra as tensões que o incomodam e que o irritam. Ele pode finalmente dormir, parar de chorar e se abrir para o exterior.

A urgência na osteopatia reside na precocidade da intervenção. Mesmo se ela é destinada seja aos adultos que às crianças, mais cedo o tratamento é iniciado mais rápidos serão os resultados. Isto é particularmente verdadeiro a partir do momento em que as perturbações neurológicas são detectadas, em razão de um sofrimento ou dor, antes ou durante o parto, de uma infeção (meningite), ou de convulsões, de forma a limitar os problemas psicomotores que podem sobrevir e para evitar a paralisia. A osteopatia pode trazer também uma grande ajuda para as crianças “diferentes”.

Se eu devesse definir a osteopatia em algumas palavras, eu diria que ela é uma medicina manual que considera o corpo em sua globalidade corporal, emocional, energética e que busca e trata a causa do sintoma.

Com o bebê, o problema é abordado não do ponto de vista dos sintomas, que representam somente uma indicação e a introdução a um problema subjacente, mas em relação às estruturas craniana.

O neném dorme agora muito tranqüilamente. Pode ser que eu o reveja ainda uma ou duas vezes para resolver definitivamente o problema, e mais tarde, no momento dele aprender a andar, para corrigir as disfunções ligadas à quedas, e depois, uma vez por ano, como prevenção, de forma a que estando livre de todas as tensões supérfluas, ele possa se desenvolver e crescer feliz em sua cabeça e em seu corpo.

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Atualizado em 20/06/2000 00:12:16

Violaine Fourcroy é osteopata e atende em seu Consultório. Tel: (11) 9442-7908
Email: violaine.osteo@caramel.com
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