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A volta das Guirlandas de Natal

A volta das Guirlandas de Natal
Publicado dia 02/12/2009 13:56:14 em Espiritualidade

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Um amigo me manda num email um artigo sobre guirlandas de Natal... meu mesmo! Engraçado, foi escrito há tanto tempo que não me reconheço mais nele. Fui ler, não gosto tanto assim dessas coisas que voltam, o que escrevo, lanço ao vento, outros que encontrem, não é mais meu... No entanto, descobri que ainda faz sentido, tudo, as guirlandas, a prece, ainda gosto tanto dessas mandalas vivas e verdes!

Por isso, conto a história de novo...

Tradicionalmente, para os cristãos, os quatro domingos antes da celebração do nascimento de Jesus Cristo são um tempo de espera e de preparação: o tempo do Advento. A palavra, que vem do latim, quer dizer “chegada”, “aparecimento” e sugere, mesmo, uma expectativa diante de algo que está prestes a começar, alguma coisa nova. Em muitos países, essa época é pontuada por rituais e pequenas celebrações. Gestos que servem para ajudar a lembrar que, além de preparar a casa, montar a árvore, organizar a festa, a gente deveria também preparar a alma para o Natal.

Por isso eu gosto de montar uma guirlanda de Advento. Essa é uma tradição muitíssimo antiga. Nasceu onde hoje é a Alemanha e a Escandinávia. As pessoas recolhiam folhas de pinheiro em pleno inverno porque eram as únicas que permaneciam verdes. Com elas, preparavam uma guirlanda, que refletia a esperança do retorno do Sol, depois da escuridão do inverno. O formato circular simbolizava o ciclo anual das estações do ano. E velas eram colocadas ao redor, cada uma guardando a promessa de luz e de renovação da vida. Na Escandinávia, mesmo em tempos pré-cristãos, era costume dispor velas em um círculo e acendê-las, as preces eram dirigidas ao deus da luz e pediam que ele fizesse girar a “roda da terra” de volta em direção ao Sol, para que os dias voltassem e a longa noite fosse embora...

Se você fizer uma guirlanda de Advento, a cada domingo acenda uma das velas: são quatro, em geral, três cor de púrpura, a cor da espiritualidade e uma rosa, para o terceiro domingo, que é reservado para celebrar a alegria. No meio, você pode colocar uma vela branca, que só vai ser acesa no dia de Natal. Para os cristãos, é ela que simboliza Cristo, a Luz do Mundo. Mas nada impede que você use outras cores. Aliás, as cores do Natal já são, em si mesmas, simbólicas. Vermelho, a cor do fogo, do sangue, da carne e, por conta disso, das paixões, dos impulsos, do amor, na China, o vermelho era considerado a mais feliz de todas as cores... Verde, a cor da Natureza e para estes povos sempre friorentos, a cor da esperança, da fertilidade, da vida, da abundância e, sobretudo, da renovação... Minha guirlanda é sempre verde e branca, com uma vela vermelha no centro e figurinhas coloridas dançando em volta...

Faça uma prece antes de acender cada vela ou, simplesmente, deixe o coração ficar, assim, tranqüilo, apaziguado, esperando. Imagine que cada uma representa um aspecto do Espírito de Natal, essa coisa que a gente quer tanto e que parece tão difícil de conseguir: paz, esperança, alegria e generosidade. Dizem que as velas devem queimar até o final, o que seria, afinal, uma boa oportunidade de exercitar uma certa quietude e permitir-se contemplar a chama até ela extinguir-se... não tem tempo? Não faz mal, a gente às vezes precisa só de poucos minutos para nutrir a alma...

Navegando na Internet, encontrei um artigo muito lindo sobre o significado do Advento, de uma escritora luterana, chamada Jean M. Blomquist. E a prece que ela faz ao acender as velas é tão simples, quanto cheia de mistérios.

Deus,
Abra meu coração
Abra meus olhos
Aquieta-me em teu silêncio sagrado


E, então, com a alma assim preparada, talvez seja mais fácil não deixar escapar o Espírito de Natal, mesmo estando há horas no meio do trânsito, mesmo driblando a multidão no caos dos shoppings centers lotados ou mesmo correndo para tentar fazer desse Natal, mais uma vez, a melhor época do ano.

Como você se prepara para o seu Natal?

A foto é da minha guirlanda do ano passado. Meu jardineiro, o Ney montou para mim. A base é feita de fibra, a gente compra nos mercados de flores. Por cima dessa base, ele prendeu, com paciência de verdadeiro jardineiro, muitos pedacinhos de musgo de dois tipos, usando fios de arame bem fininhos. Uns galhinhos verdes, desses de plantinhas sem nome, dançam ao redor. Depois da ceia, pendurei na minha porta, está lá até hoje. O musgo secou, mas ela continua linda, agora com um jeito de outono. Pendurada, uma árvore da vida de metal que comprei há séculos numa papelaria.


por Adília Belotti

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Sobre o autor
Adília Belotti é jornalista e mãe de quatro filhos e também é colunista do Somos Todos UM.
Sou apaixonada por livros, pelas idéias, pelas pessoas, não necessariamente nesta ordem...
Em 2006 lançou seu primeiro livro Toques da Alma.
Email: [email protected]
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