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Agora que voltei para casa - Capítulo 21

por Angela Li Volsi
Agora que voltei para casa - Capítulo 21
Publicado dia 01/10/2004 12:44:54 em Espiritualidade

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No meu segundo dia em Medjugorjie, encontro à mesa do café uma moça italiana que me conta coisas que ela já sabe do lugar, pois não é a primeira vez que vem. Propõe-me irmos juntas até o Krizevac, o monte sagrado em que Nossa Senhora apareceu e onde foram vistos fenômenos incríveis se manifestarem diante de todos. Respondo que para mim isso é impossível, porque a distância e a subida íngreme são obstáculos grandes demais para minhas pobres pernas. Ela sugere que vamos de táxi até onde a estrada permite, e depois poderemos tentar subir até onde nossas pernas agüentam a caminhada.

O Krizevac é um monte todo em subida e todo de pedras dos mais variados tamanhos, que rolam sob os pés e que às vezes formam enormes degraus que é preciso escalar. A vegetação é muito seca e o calor muito forte. Quando chegamos, por volta das onze horas, encontramos dois rios de fiéis, um ascendente, outro descendente, alguns descalços, todos rezando o terço ou entoando preces e cantos sacros. Nos pontos mais críticos da escalada, sem falar nada, e sem interromper suas orações, todos se preocupam em ajudar aqueles que estão em dificuldade. Os agradecimentos e as orações em todas as línguas fazem dessa peregrinação uma abençoada ilha de paz, em que a fraternidade universal não é apenas uma expressão oca. Começo a subir com os outros. De vez em quando, eu e minha companheira sentamos para descansar, mas não tenho a menor intenção de interromper a subida. Fico pensando como conseguirei, depois, descer tudo aquilo, já que para meus joelhos é mais fácil o movimento de subir do que descer. Não me preocupo muito, porque há uma força muito poderosa que me guia e me sugere onde firmar meus pés. É como se Nossa Senhora tivesse me pego no colo e lá vou eu, confiante na divina providência. Quando chegamos ao topo é meio-dia em ponto. O sol é escaldante, mas a alegria é tanta, a sensação de comunhão com tudo e com todos é tão completa, que só há lugar para a oração e o agradecimento.

Em frente à enorme cruz de cimento fincada no topo da montanha, levanto os olhos para o céu azul e vejo, repetidas três, quatro, cinco vezes, outras tantas cruzes formadas por leves faixas de nuvens brancas, perfeitas como se tivessem sido desenhadas pelos anjos. Esse não é um milagre, mas um estranho fenômeno. Apenas uma feliz coincidência da natureza. Será que é apenas coincidência?
A descida se faz sem percalços. Para mim o verdadeiro milagre é ter conseguido driblar todos aqueles obstáculos, sem nem ter ameaçado cair ou me machucar. Devo isso, além de Nossa Senhora, é claro, à insistência daquela minha companheira, que à primeira vista eu tinha até julgado com uma certa severidade, pelo seu aspecto nem um pouco recatado.

À tarde ainda vou visitar o lugar da primeira aparição, o Podbrdo, que também é um monte, mas muito mais acessível e plano, dentro da cidade. Outro passeio obrigatório é a casa onde mora uma das videntes, Vicka, a única que se dispõe, em horários determinados, a receber os peregrinos e a responder às suas perguntas.
As pessoas se comportam como se estivessem diante da própria Virgem Maria, ficam desesperadamente procurando sua atenção, uma palavra, um contato físico, como se a moça tivesse procuração para conceder o tão sonhado milagre.
É comovente presenciar a infinita paciência e compaixão da vidente, que, além de suportar um assédio às vezes inconveniente, não se cansa de repetir as mensagens recebidas, que basicamente se resumem sempre à mesma recomendação: jejuar e rezar o terço.

Amanhã, domingo, preciso tomar o navio que sai ao meio-dia de Dubrovnik. Já comprei a passagem de ônibus que sai às oito da manhã.
Desço bem cedo para tomar café, e como ainda há tempo, saio para uma última despedida desses lugares em que me senti tão perto do céu. Se pudesse, ficaria aqui indefinidamente. Percorro várias vezes o trajeto que vai até os pés da montanha, e mentalmente peço proteção e orientação à Virgem. Vou precisar, porque o difícil vai ser manter essa paz dentro de mim quando voltar à minha vida de todos os dias. Sei que ela me ouve, e nosso diálogo é muito doce.
Quando chega a hora, pego minha malinha e vou até o ponto que me foi indicado para esperar o ônibus. Estou bastante adiantada, mas esse é um hábito que não consigo mudar. Só que minha paciente espera se transforma aos poucos em angústia, quando me dou conta de que alguma coisa está errada. Procuro me informar, mas como a agência que me vendeu a passagem está fechada, ninguém sabe me dar informações sobre o ônibus.

Nunca saberei o que aconteceu, só sei que, em desespero de causa, para não perder o navio, dirijo-me a um dos táxis que ficam à espera de freguês e contrato a corrida, bastante salgada, até Dubrovnik. Por sorte, o motorista fala um pouco de italiano e de inglês e parece ser uma pessoa civilizada. Ele tem até uma certa cultura, e uma interessante história de vida, que compartilha comigo durante a viagem.
Como chegamos muito adiantados, ele propõe, pelo mesmo preço estipulado, me levar para conhecer a cidade de Dubrovnik.
Deixamos o carro num estacionamento, e vamos a pé ao centro histórico. Nunca poderia imaginar que um dia iria pisar o mesmo solo, deixado intacto, da primeira cidadela construída ainda na Idade Média. Os muros da cidadela também são os originais, e meu cicerone me explica que são fechados todo dia à meia-noite e reabertos de manhã. Encontro uma autêntica cidade medieval, com as igrejas, as casas e as lojas originais, que funcionam até hoje. Realmente devo agradecer o contratempo que tanta angústia me causou, porque de outra forma nunca mais teria a oportunidade de visitar aquela autêntica jóia de arquitetura medieval.
(Alguns anos depois, começou a guerra fratricida entre sérvios, bósnios e croatas que, além de dizimar a população, transformou o mapa da antiga Iugoslávia).

Meu guia é extremamente gentil e paciente. Eu é que fico um pouco preocupada com a hora, e peço para ele me levar de vez até o navio. Nos despedimos, e recomeço o caminho de volta.



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Sobre o autor
clube Angela Li Volsi é colaboradora nesta seção porque sua história foi selecionada como um grande depoimento de um ser humano que descobriu os caminhos da medicina alternativa como forma de curar as feridas emocionais e físicas. Através de capítulos semanais você vai acompanhar a trajetória desta mulher que, como todos nós, está buscando...
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