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Como despertar a felicidade


Segundo a filosofia do budismo tibetano, somos realmente felizes quando nos encontramos num estado energético, positivo, de permanente abertura e disponibilidade para apreciar e interagir com nós mesmos, com o ambiente e com as pessoas à nossa volta.

Não somos felizes quando perdemos nosso espaço interno: estamos tão sobrecarregados de idéias preconcebidas, expectativas e exigências que não conseguimos mais nos mover dentro de nós mesmos! Sentimos a rigidez de nosso mundo interno e tudo à nossa volta passa a ser insatisfatório.

Uma mente flexível é uma mente feliz. Flexibilidade é uma capacidade que só adquirimos quando percebemos tanto as nossas necessidades quanto as dos outros. Portanto, ter abertura para trocar idéias com os outros é um sinal de felicidade, pois indica que já não estamos mais atados em nós mesmos e ao mesmo tempo também já não nos perdemos nos desejos dos outros...

O segredo para ser feliz está em conquistar esse espaço energético dentro de nós. Lama Gangchen, mestre do budismo tibetano, ensina um método para ganhar espaço interno: coloque dentro de caixas os objetos que representam seus problemas ou escreva-os num papel.
Muitas vezes precisamos nos separar literalmente dos problemas para reconhecer o quanto eles eram de fato pesados e negativos. É como viver numa cidade tão agitada como São Paulo. Só quando passamos uns dias fora dela é que nos damos conta do quanto a cidade é barulhenta e poluída!
O mais importante é aprender a separar-se da negatividade que o problema desperta em nós. Uma vez que soubermos recuperar nossa energia interna o problema em si deixa de ser “um problema”.
É difícil de admitir, mas temos apego aos nossos problemas. O pior sofrimento é o apego ao sofrimento. Muitas vezes estamos tão apegados aos nossos problemas que não sabemos como nos desfazer deles. Afinal, estamos tão familiarizados com o drama de nossos problemas que nem sabemos mais quem seríamos sem ele.
Por isso Lama Gangchen insiste ao nos dizer: “Coloquem seus problemas nas caixas e, um dia, vocês podem desfazer-se delas. Mas se vocês quiserem manter seus problemas com vocês, deixem-nos dentro das caixas! Deixem os problemas num espaço fora de vocês. Cada um tem que fazer sua experiência para entender o que estou falando. Se vocês ficarem com saudade de um problema, podem abrir a caixa e olhar para ele. Vocês logo vão sentir que não querem mais o problema, que não precisam mais dele. Na realidade, os problemas não fazem parte da natureza de nossa mente. A energia da mente deve ser sempre um espaço limpo e leve. Assim, poderemos reconhecer o espaço de nossa mente como algo muito precioso. Algo tão precioso que queremos preservar acima de tudo”.

Lama Gangchen notou que para nós, ocidentais, a palavra paciência já está contaminada por um sentimento de sustentar uma dificuldade ao invés de nos libertarmos dela. Então ele sugere que troquemos a palavra paciência por espaço. Na próxima vez que você se disser: “Preciso de paciência com fulano”, diga para si mesmo: “Preciso criar espaço entre eu e fulano”. Não se trata de distanciar-se de alguém como numa fuga, mas, sim, de recuperar a sua autonomia emocional, isto é, não ficar mais vulnerável às condições externas adversas.

Podemos ter “paciência” com as situações adversas e ficarmos exaustos. Isto acontece quando suportamos o sofrimento externo à custa de muito sofrimento interno.

Ron Leifer, em Projeto Felicidade (Ed.Cultrix), escreve: “Aceitar a confusão é um passo em direção à clareza. Quando fica claro que estamos confusos, então, a nossa busca pelo menos começa num momento de clareza sincera”.

Alegrar-se com a sua determinação de sair de um problema é um estado de regozijo interno. Enquanto não formos capazes de superar um problema, podemos gerar a determinação de sair dele. Gostar de resolver seus problemas é um sinal de boa autoestima.

Felicidade e infelicidade sempre andam juntas. Poderemos lidar positivamente com nossa tristeza se nos aproximarmos dela com a intenção de curá-la. Ao escutar nossa dor, ela nos informa o que estamos precisando fazer por nós. Isto é, que energia precisamos gerar. Assim, aos poucos criamos uma nova estrutura interna que nos permite lidar com a dor e continuar crescendo. Essa estrutura interna é fortalecida a cada vez que abandonamos uma atitude mental de vítima ou de autorrejeição. Quando aceitamos o fato de que podemos experimentar conscientemente nossa dor, então, estamos prontos para nos liberar dela! Finalmente, rompemos o hábito de autocomiseração e estamos aptos para ser felizes.


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Bel Cesar é psicóloga, pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano desde 1990. Dedica-se ao tratamento do estresse traumático com os métodos de S.E.® - Somatic Experiencing (Experiência Somática) e de EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares). Desde 1991, dedica-se ao acompanhamento daqueles que enfrentam a morte. É também autora dos livros `Viagem Interior ao Tibete´ e `Morrer não se improvisa´, `O livro das Emoções´, `Mania de Sofrer´, `O sutil desequilíbrio do estresse´ em parceria com o psiquiatra Dr. Sergio Klepacz e `O Grande Amor - um objetivo de vida´ em parceria com Lama Michel Rinpoche. Todos editados pela Editora Gaia.
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