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Como estar ao lado de uma pessoa que enfrenta a morte


O mestre tibetano Sogyal Rinpoche, em seu O Livro Tibetano do Viver e do Morrer (Ed.Talento), nos aconselha:
"Quando você visita pela primeira vez uma pessoa que vai morrer, geralmente ela tende a guardar reserva e sentir-se insegura; não está certa de suas intenções. Assim, não pense que alguma coisa extraordinária vai acontecer, apenas fique natural e relaxado, seja você mesmo. As pessoas que vão morrer não costumam dizer o que querem ou pretendem, e as que estão perto delas não sabem o que dizer ou fazer. É difícil descobrir o que podem estar querendo falar, ou mesmo o que estão escondendo. Às vezes nem elas mesmas sabem. A primeira atitude é relaxar todas as tensões para que a atmosfera seja a mais descontraída e natural possível.

"Uma vez que se estabeleceu a confiança, a atmosfera fica desimpedida, permitindo à pessoa que vai morrer trazer à tona as coisas sobre as quais realmente quer falar. Encoraje amigavelmente a pessoa a se sentir tão livre quanto possível para expressar os seus pensamentos, temores e emoções a respeito da morte e do morrer. Essa exposição honesta e sem retraimento da emoção é fundamental para qualquer possível transformação – chegar a um acordo com a vida ou morrer uma boa morte – e você deve assegurar àquele que morrer liberdade completa, podendo dizer o que bem entender.

"Quando aquele que morrer está afinal comunicando seus sentimentos mais íntimos, não o interrompa, negando ou contestando o que está dizendo. Os doentes terminais ou aqueles que vão morrer estão na situação mais vulnerável de suas vidas, e você precisará de toda sua habilidade e recursos de sensibilidade, além de calor humano e compaixão, para dar-lhes condições de se revelarem. Aprenda a ouvir, aprenda a receber em silêncio: um silêncio calmo e aberto que faz com que o outro se sinta aceito. Fique o mais relaxado que puder, fique à vontade; sente-se lá ao lado de seu amigo ou parente que vai morrer como se não tivesse nada mais importante ou agradável para fazer".

Ao presenciar alguém morrendo, o que é prioritário em nossa vida torna-se mais claro. Para muitos de nós, surge um profundo desejo de estabelecer uma comunicação autêntica com a pessoa que está morrendo e com os outros à nossa volta. Na próxima semana, falaremos como investir num diálogo autêntico com os outros.


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Bel Cesar é psicóloga, pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano desde 1990. Dedica-se ao tratamento do estresse traumático com os métodos de S.E.® - Somatic Experiencing (Experiência Somática) e de EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares). Desde 1991, dedica-se ao acompanhamento daqueles que enfrentam a morte. É também autora dos livros `Viagem Interior ao Tibete´ e `Morrer não se improvisa´, `O livro das Emoções´, `Mania de Sofrer´, `O sutil desequilíbrio do estresse´ em parceria com o psiquiatra Dr. Sergio Klepacz e `O Grande Amor - um objetivo de vida´ em parceria com Lama Michel Rinpoche. Todos editados pela Editora Gaia.
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