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Comunicar não é o que a gente fala e sim o que o outro entende


Esta noite tive um sonho, para mim muito significativo. Um sonho que me fez pensar sobre a arte da comunicação.
Sonhei que estava com uma turma em frente a uma faculdade e que ninguém aparecia para dar aulas.
Estávamos muito indignados e eu me prontifiquei em ir até a secretaria da faculdade para saber o que estava acontecendo.
Encontrei alguns funcionários e perguntei onde estavam os professores. Ninguém sabia de nada. Perguntei se não havia um folheto explicando sobre os cursos, os horários das aulas e os nomes dos professores - ninguém sabia de nada. Fui ficando revoltada com aquela falta de responsabilidade e pedi um microfone para anunciar a toda a turma que havíamos sido enganados. Quando comecei a falar senti que havia sobre a minha língua uma camada espessa de goma de mascar cor-de-rosa que entupia minha garganta e eu não conseguia falar.

Acordei suando, assustada, sufocada. Sentei na cama e perguntei em voz alta a mim mesma:
- O que você não está conseguindo comunicar?
E iniciei imediatamente um processo de procurar onde eu estava me sentindo tão sufocada.
Não foi difícil encontrar.
Com quase 60 anos e uma vida vivida intensamente, com o privilégio de falar com pessoas todos os dias sobre suas emoções e seus sentimentos, creio que já tenho uma pequena bagagem do que pode acontecer ao ser humano quando ele é submetido a alguns condicionamentos na infância e na sua vida em geral.

A experiência acaba nos mostrando que é quase matemático: uma criança criada sob a intolerância, desamor, a violência e a insegurança dos pais vai – quase sempre – desabar num adulto sem energia, sem força para lutar e conquistar seu espaço no mundo. Um adulto cheio de medos e baixa auto-estima, que acaba precisando de um, ou outros, para se sentir seguro e integrado. Um ser dependente de substâncias, afeto, amor, necessitando sempre de saber o que os outros pensam dele ou o que podem fazer para ele se sentir aceito e amado.
Pode ser uma das raízes de pessoas que amam demais, comem demais, bebem demais, fumam demais, trabalham demais, maníacas por ordem, por sexo, enfim, uma gama enorme de desarmonias que povoam este planeta.

Pela organização das coisas, via de regra estas pessoas, ou algumas delas, acabam sentadas na frente dos terapeutas quando já são adultas e já cansaram de tanto sofrer e tentar mil e uma coisa para se verem livres dos seus tormentos emocionais.
Claro que dá vontade de chorar com elas o tempo da infância em que foram alvos de um verdadeiro laboratório de “como não se educa”, mas isso já não é mais possível e só resta correr atrás do prejuízo.

Minha conclusão, talvez simplista, é a de que quando comunicamos, educamos, influenciamos ou formamos alguém devemos sempre nos perguntar:
- O que esta pessoa está entendendo, sentindo ou memorizando desta minha maneira de transmitir as coisas?
- O que eu estou comunicando está no nível correto do que este ser pode entender?
- Quais as conseqüências que minha comunicação pode causar neste indivíduo que está sob minha responsabilidade?
- Estou respeitando o sistema de crenças e a religiosidade desta pessoa?
- Vejo esta pessoa como uma face de Deus que está ao meu lado para trocar experiências comigo?
- Sinto profundamente que o que eu fizer para este ser estarei fazendo para todo o planeta?
- Acredito que quem está perto de mim é um espelho que reflete quem profundamente eu sou?
- Sei honrar e respeitar meus semelhantes quando estabeleço um processo de comunicação, seja para o que for?
- Falo sempre o que sinto ou o que quero que o outro sinta?

Pense nisso. Pense também que comunicar não é aquilo que falamos e sim o que o outro entende, sente, decodifica.
Bons sonhos!



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izabel
Izabel Telles é terapeuta holística e sensitiva formada pelo American Institute for Mental Imagery de Nova Iorque. Tem três livros publicados: “O outro lado da alma”, pela Axis Mundi, “Feche os olhos e veja” e “O livro das transformações” pela Editora Agora.
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