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Conversando sobre vida após a morte


Sentado na beira do túmulo, um rapaz chorava desconsolado a perda recente dos seus pais. Triste, ele se perguntava se haveria vida para além da morte. Fervilhavam, em sua mente, aquelas perguntas que tanto perseguem a alma dos homens:

"De onde eu vim? Para onde eu vou? E o que eu estou fazendo aqui?
A vida se resume apenas a comer, beber, dormir, copular e, um dia, chegar ao fim simplesmente?
Passar por toda uma vida aprendendo as lições de cada experiência, para quê?
Se no final, tudo acaba, será só isso a existência?
É apenas isso o que resta de duas pessoas, meus pais, que eu amava tanto?
É isso que restou de nosso amor?...
Dois cadáveres embaixo da terra e eu, aqui, triste, sozinho no mundo, sem saber o que se passa, cheio de perguntas e nenhuma resposta.
Haverá vida para além da morte?"


Enquanto o rapaz, sentado à beira do túmulo de seus pais chorava entristecido, algumas quadras à frente um dos coveiros do cemitério estava trabalhando e, dali, observava o sofrimento do rapaz. Depois de tantos anos trabalhando naquele cemitério, já havia visto, milhares de vezes, as mesmas cenas: familiares chorando à beira do túmulo de alguém que se foi... Entretanto, naquela tarde havia algo muito especial.

Ele olhava para o rapaz com um carinho diferente do seu jeito habitual. Alguma coisa lhe chamou a atenção naquele rapaz triste, mas ele não sabia exatamente o quê. Além disso, outra coisa o intrigava: naquele dia, ele havia levado um caderno e uma caneta para o trabalho. O material estava ali pertinho dele (que não sabia por que tinha levado caderno e caneta para o ambiente. Ele deixou ali do lado e ficou olhando o sofrimento do rapaz.
Alguma coisa comoveu aquele coveiro.

Sem que ele soubesse, havia uma presença espiritual ao seu lado. Era o seu amparador extrafísico, o seu guia espiritual, que não era um deus, não era um mito nem uma divindade, mas apenas um ser humano extrafísico que lhe conhecia de outras vidas e que o acompanhava ocasionalmente, inspirando, protegendo e ajudando-o invisivelmente naquilo que lhe fosse possível.

Esse mentor espiritual observava o coveiro e também observava o rapaz. E ele o acompanhava porque, além dele ser um amigo de outras vidas, respeitava muito o seu trabalho, pois aquele coveiro tratava a todos com respeito, percebia o sofrimento das pessoas e respeitava a sua dor.

Mais importante ainda, respeitava os restos mortais de cada criatura e enterrava os cadáveres com imenso respeito e, em silêncio, sem que as famílias soubessem, fazia preces para as pessoas. Ao final do dia, em casa, ele elevava os pensamentos, abria o coração e oferecia preces a todos aqueles que tinham partido naquele dia. As famílias não sabiam disso e a administração do cemitério também não, mas os espíritos sabiam e, por isso, um desses espíritos amigos o acompanhava frequentemente.

Observando o sofrimento do rapaz na quadra ao lado, o guia espiritual encostou perto do coveiro e projetou um raio de luz branquinho e brilhante em sua cabeça.
Imediatamente, ele foi tomado por uma vontade irresistível de escrever algo...
Então, correu e pegou o caderno e a caneta que tinha deixado ali pertinho. E, olhando para o rapaz e já influenciado pela presença do mentor extrafísico, ele escreveu algumas palavras e teve a intuição de entregá-las ao moço triste.
Por alguns minutos, ele escreveu bastante, sem saber exatamente o que estava escrevendo e sem saber o porquê, sem saber que, ali, ele era um médium, um elemento interplanos passando uma mensagem para alguém sofrido.
Finalizados aqueles escritos, ele foi até o rapaz, entregou o papel em silêncio e se afastou sem falar nada. E sumiu por entre as campas do cemitério.

O rapaz, então, pegou o papel e, também influenciado, sem perceber, por aquele Ser invisível, começou a lê-lo. Enquanto isso, o guia espiritual projetou um raio de luz verde em seu peito e um raio de luz amarelinho no topo de sua cabeça.
A luz verde era para curar as feridas emocionais, as dores da perda. E a luz amarelinha no topo da cabeça era para abrir a intuição, receber a luz do Cosmos, intuir as ideias profundas que vêm do Alto e ampliar o discernimento e a inteligência.

Tocado por essas luzes, o rapaz entrou, sem perceber, num estado alterado de consciência e teve a impressão que algo invisível o tocava e uma voz sutil lhe falava algumas coisas. Ele não escutava com os ouvidos, mas com o coração. E essa voz lhe dizia intuitivamente de que não havia correspondência entre o seu luto e o brilho do sol derramando as partículas luminosas na atmosfera, que cada raio de sol trazia presentes solares, presentes de luz na atmosfera e que não havia correspondência entre a sua tristeza e aquela luz que banhava a atmosfera, que a vida não se resume apenas a comer, beber, dormir e copular, mas é também viver, amar e aprender. E uma das coisas básicas para aprender é que a vida nunca acaba na morte, pois a consciência prossegue viva em outros planos. E que a morte é uma ilusão sensorial. E que as pessoas queridas só deixaram de ser percebidas pelos cinco sentidos convencionais, mas que poderiam ser percebidas pela luz da inteligência e do coração.

Então, o rapaz leu as palavras escritas pelo “coveiro mediúnico”:
“Cemitério não é lugar de ninguém. Os cadáveres não são as pessoas. Nenhum cadáver possui o brilho no olhar. Nenhum cadáver ama. Nenhum cadáver vive.
A vida vem da consciência espiritual que habita o corpo por um tempo determinado, de acordo com a própria experiência por que a pessoa precisa passar. O brilho pertence à pessoa, ao espírito, à consciência. Quando esse espírito se retira, sobra só a carcaça, elemento terrestre, que será novamente recebido pela Mãe-Terra e transformado por Ela em nutriente, para que outras formas de vida se expressarem oportunamente.

Esses corpos serão absorvidos pela Terra, que é sua verdadeira dona, mas os seus pais estão viajando por entre os planos, na direção de seus destinos, que também não têm fim, assim como o infinito do espaço interdimensional. Eles prosseguem para outros aprendizados, em outros lugares, com outras pessoas e em outras condições. E, nos planos espirituais, os seus pais não são mais pais, são apenas filhos de Deus, assim como todos os seres. Os pais de alguém não passam de filhos do Criador, são filhos da vida multidimensional. E essa vida prossegue por aí... Em outros planos e orbes, sempre seguindo...

Erga a cabeça, abra o coração, veja o brilho do Sol na atmosfera, o azul do céu e o vento que passa balançando as folhas das árvores. Sinta o cheiro da vida. Perceba, por sintonia, a magnitude da existência. Acabe com a sua tristeza, com o seu luto, e abrace a luz do Sol. Abrace o vento, sinta-o! Perceba a magnitude da vida em todos os planos, na natureza e em você mesmo.

Um raio de luz verde no peito e um raio de luz amarelo-dourado na cabeça. E um abraço invisível que fica. E que eleva a consciência para sempre pensar no melhor.
Quais são os ossos que podem portar o brilho do amor de alguém?
Quais são os restos mortais que podem portar a beleza de um amor?
Que túmulo frio poderá portar o calor de um coração que ama?
Que cemitério poderá enterrar uma consciência espiritual que é de outros níveis?
Que cartório terrestre e transitório registrou o nome de um espírito milenar?
Que terra poderá absorver aquilo que pertence aos céus?
Que vermes poderão consumir aquilo que pertence às estrelas?
Que espírito eterno fará parte da cadeia alimentar de seres minúsculos dentro da terra? Um ser que veio das estrelas nunca poderá ser alimentos de vermes em lugar nenhum. Isso é insanidade, é ignorância, é cegueira!
O espírito pertence às estrelas! O corpo pertence à terra!
Por que os homens não pensam nisso?”

O rapaz terminou de ler essas palavras naquela carta mediúnica. Olhou em volta, mas o coveiro tinha sumido. E ele tinha ido embora, mas tinha deixado a mensagem. Então, levantou-se e foi andando também. Contudo, em lugar de olhar para as cruzes e as tumbas, ele agora olhava para cima. E admirava a luz do Sol. E admirava aquele céu azul. E ele, então, de alguma forma, percebeu que o azul do céu e o dourado da luz do Sol abrigavam os espíritos de seus pais. E que, na terra, ficavam apenas os restos mortais, sempre temporários, para serem transformados, reciclados e oferecerem vida a outros seres minúsculos. E o rapaz prometeu a si mesmo que, sempre que lembrasse de seus pais, também lembraria da luz do Sol e do azul do céu. E sempre pensaria neles como estrelas que partiram para outras vivências, e que ele mesmo, um dia, partiria também para outras vivências, além...

E pensaria que a vida não se resume apenas à existência física, mas também a existência do amor, o qual a morte não rompe, e a existência da consciência, que nada pode matar.
Com coração e consciência, esse rapaz se retirou do cemitério e foi para a vida. Foi viver. Foi tocar sua vida da melhor maneira possível, consciente de que alguma coisa a mais existe e não pode ser explicada para outras pessoas, mas pode ser sentida dentro do coração. Algo que não pode ser provado para os outros, mas que pode ser percebido pela consciência, que raciocina, discerne, sente e, pelas vias da meditação, percebe a existência de outros planos, e reconhece que as consciências nunca morrem.

E elas comunicam-se também, porque a morte não mata o amor. E o amor, prosseguindo, sempre busca o ser amado, independente dos limites interplanos, e atravessa todos os planos, todos os níveis e se comunica, de coração a coração.
Por isso, as pessoas que ficam na Terra, ainda por viver mais um tempo de sua experiência, que procurem sentir, dentro do coração, nunca no cemitério, a presença de seus seres queridos que já partiram.
Que sintam dentro da consciência, nunca dentro da tumba, pois uma lápide e um cemitério são frios, são da Terra e não podem abrigar o brilho do amor e o brilho das estrelas, que pertencem a consciência (que, agora, levou seu brilho para outros rumos, além...)

Paz e Luz!
Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
Transcrição do Programa "Viagem Espiritual" do dia 2 de maio de 2002 - Rádio Vibe Mundial de São Paulo - 95,7 FM.

P.S.:
Dedico essa mensagem de imortalidade da consciência a todas as pessoas que me escrevem pedindo mensagens sobre os seus seres queridos que partiram para morar "do lado de lá". Que elas possam vencer as limitações da dor da perda e sentir a pulsação da vida em seus corações chamando-as para novas experiências nesse magnífico oceano da existência. Que elas possam sentir um amor invisível que as abraça em silêncio e que não necessita de prova material para quem o sente. Que elas possam receber, por intermédio destes escritos, uma onda de esperança e de LUZ, aquela mesma LUZ que anima os milhões de sóis espalhados pela imensidão sideral, que dá vida a todos os seres e que é a mesma luz que mora no coração espiritual.
Aquela LUZ eterna, Pai-Mãe de todos, invisível aos olhos físicos, mas visível à inteligência e ao coração.
Aquela LUZ que me inspira a escrever tudo isso e que me diz, no silêncio, que a saudade sadia, que não impede de viver e aprender, é mola propulsora para novos encontros na eternidade da vida em todos os planos. Entretanto, a saudade que paralisa o viver e só aumenta o sofrimento e o luto é nefasta, pois leva ao engano de buscar no cemitério, lar dos ossos e dos vermes da terra, o espírito imortal, que mora nas estrelas e que não nasce nem morre, apenas entra nos corpos perecíveis e sai deles.
Aquela LUZ, puro amor silencioso, que sempre me pede para escrever que é necessário viver, amar, sorrir e seguir...
Aquela LUZ da qual Buda, Jesus e Krishna falavam e sobre a qual ensinavam... Aquela luz que mora no coração...
(Texto extraído do livro “Falando de Vida Após a Morte”, que acabou de ser reeditado ela Editora Luz da Serra – Agosto de 2020.)


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Wagner Borges é pesquisador, conferencista e instrutor de cursos de Projeciologia e autor dos livros Viagem Espiritual 1, 2 e 3 entre outros.
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