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De Volta para Casa


A adorável sensação de estar em casa ao lado da família, dos filhos, dos netos, dos amigos, da pitangueira que cresceu no jardim indiferente à nossa saudade, não tem preço.
Saudade que não tem jeito, por mais que a gente cresça em direção ao éter, ao nada, a página em branco que está disponível todos os dias para a gente reescrever a história da nossa vida.

Ficar longe das nossas referências físicas e familiares é às vezes estranho porque, por mais que tenhamos amigos e clientes nas terras por onde andamos, nada aplaca o sentido de pertencer.
Somos seres gregários, nascemos em tribos e precisamos do nosso clã para nos reconhecermos e sermos reconhecidos.
Como brasileiros temos passado bons apuros nas policias de fronteiras do estrangeiro. Olham para nós, mulheres, como se fôssemos seres estranhos que estamos entrando no país para ameaçar a estabilidade das famílias. Fazem muitas perguntas, olham nossas bagagens, pedem para ver se temos passagem de volta, dinheiro, conhecidos, amigos, endereços, etc.
Sei que eles estão apenas tentando cumprir ordens, mas a sensação que um ser sente sendo espionado desta forma é bem dolorosa.
Eu tento abstrair e imagino que já estou entre amigos e que todos sabem quem eu sou e conhecem minhas intenções. Desta forma afasto o mal-estar de estar sendo confundida com suspeitos.

Que pena que o mundo ficou assim!
Que pena que, como irmãos no Universo, nos estranhamos uns aos outros, nos acusamos, nos perseguimos, nos odiamos tanto!
Estava em Lisboa no dia 11 de março e segui, pela TV, os acontecimentos do atentado aos trens em Madri. Foi tão triste ver aquelas pessoas, na sua maioria trabalhadores indo para seus empregos, cruzando seus destinos cruéis numa manhã ainda fria de inverno.
Mais triste ainda foi ver, nas ruas, a angústia dos portugueses. Estava explícito em seus rostos o medo de serem eles os próximos.
Quem podia evitou sair de casa ou usar transportes públicos. E eu, mais uma vez, pensei que queria estar em casa. Senti um forte apelo de estar ao lado dos meus filhos e netos compartilhando da felicidade de não termos guerras.
Mas meu sentimento durou alguns segundos, porque lembrei imediatamente que sim, temos guerras e muitas.
Estamos há tanto tempo ameaçados que talvez isso faça parte da nossa rotina e nem pensamos mais que vivemos sobre o domínio de forças das sombras que moram logo ali ao virar da esquina ou mesmo dentro das nossas próprias casas. Quem sabe?

Que pena que as pessoas já não se reconhecem mais como semelhantes.
O que está acontecendo conosco? O que estamos fazendo com nosso plano de vida aqui na terra? Onde está a força do nosso coração? Porque agüentamos tudo isso amedrontados, calados, encolhidos como se nos tivessem tirado o poder?
Até onde vai a maldade do ser humano? Até quando seremos capazes de açoitar o nosso Cristo interno, de rir de sua dor, de sentir poder ao vê-lo sangrar até sua última gota de sangue?
Deus, por que o Senhor nos abandonou? Por que, o Senhor que cria todos os dias as maravilhas sobre o terra, faz crianças crescerem perfeitas dentro do útero das mulheres, faz com que as células não se esqueçam de reproduzir detalhes ínfimos do nosso sistema biológico; faz com que as rosas vermelhas inundem de perfume os nossos olhos; faz com que gênios humanos encontrem saídas para tantos dilemas: por que, MEU DEUS, o Senhor nos pede para olhar para os seres das sombras e nos ensina a compreendê-los, amá-los e perdoá-los como se eles fossem nós mesmos. Por que, Deus? Por que fica cada dia mais difícil amar todos os nossos semelhantes?

Eu sei que somos todos um. Já sei disso. Mas como fazer para que todos os seres do Universo compreendam que este planeta chamado Terra nos foi emprestado para nosso crescimento por alguns poucos anos. Sinto-me minúscula quando tento viajar pelo fio da história até encontrar o dia em que viramos as costas uns para os outros e começamos a combater as nossas diferenças num movimento de desrespeito e amargura que parece não ter fim.
Tende pena de nós todos, meu Deus. Pegue, por favor, Sua imensa borracha e apague as trevas para que possamos começar de novo.
Dê-nos mais uma chance. Precisamos voltar para a Sua casa. Precisamos rever nossos irmãos e filhos. Precisamos recriar as tribos, a vida, o mundo.
Queremos sentir novamente a felicidade de estar de volta para a paz.



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Izabel Telles é terapeuta holística e sensitiva formada pelo American Institute for Mental Imagery de Nova Iorque. Tem três livros publicados: "O outro lado da alma", pela Axis Mundi, "Feche os olhos e veja" e "O livro das transformações" pela Editora Agora.
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