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É Preciso Fé


Quando chegamos na Plaza de Armas de Cuzco no Peru, local de encontro com Daniel Saul Oscco, menino de 12 anos de idade, eu jamais poderia pensar que com ele aprenderia algumas coisas tão profundas sobre filosofia de vida.
Fé. Fé na vida, nas atitudes, em Deus e na Verdade.

Fiz uma rápida viagem e, além de Cuzco, fui a (A foto ao lado foi tirada por Saul ao entardecer, neste mesmo lugar sagrado. Aparece no céu uma formação multicolorida como que a premiar este momento de profunda sintonia com o Universo (NdE)) Macchu Picchu(*) por apenas um dia. Era uma rápida jornada de alguns assuntos pendentes. Havia muita energia que precisava ser recuperada e reencontrada. Foi como uma rápida carregada de bateria e recuperação de visão de vida. Obrigado mestra Sonia pelos ensinamentos e por sua companhia.
Desde o momento que conheci Daniel Saul não nos separamos e logo aprendi a admirá-lo.
Com oito anos de idade deixou a família porque não conseguia assistir às brigas entre seus pais. Começou uma nova vida, só, vivendo da venda de postais da cidade de Cuzco aos turistas que lá chegam. Com este dinheiro conseguia alojamento e o pagamento de seus estudos. Jamais deixou de estudar. Privava-se da compra de roupas a calçados para adquirir livros escolares. Sua cultura surpreende quando comparada à de uma criança de doze anos. Fala Espanhol, Quéchua (idioma Inca) e já se atreve a iniciar o Inglês e o Japonês. Diz que o Japonês é uma mistura de Espanhol com o Quechua e que muitas frases são incrivelmente coincidentes. Não tenho conhecimento para contestar isso.

Sua fé em seu futuro é inabalável. Nada, absolutamente nada, para ele é difícil. Tudo tem um jeito e uma forma de se fazer. Quando perguntado e colocado em algum ponto de dificuldade encontra facilmente uma saída. Pensa e age positivamente. É corajoso e determinado. Acredita em si e na sua capacidade de resolver seus problemas. Ao ser perguntado diz:
- Sin problema, és fácil...

Quer conhecer o Brasil, pois admira muito o nosso país e sabe quem é o nosso Presidente, quem são os nossos melhores jogadores de futebol, nossas principais cidades e admira nossa capacidade de realização industrial.
Suas roupas cabem em uma mochila. Não é materialista e tem uma visão muito critica de propriedade e para quê serve o dinheiro.
Combinamos de ir juntos para Macchu Picchu e nosso trem sairia cedo. Teríamos que nos encontrar na estação às cinco horas da manhã. Daniel Saul não chegou... Partimos e ficamos nos perguntando a razão dele não ter chegado...

Em nossa viagem parecia que faltava alguém... Claro, faltava Daniel Saul...
Após nossa chegada a Águas Calientes, povoado perto das ruínas de Macchu Picchu, fizemos algumas compras, almoçamos e fomos para o quarto descansar. Gosto de poder fazer isso. Tirar uma soneca após o almoço. Mas, neste dia não conseguia ficar tranqüilo. Alguma coisa me tirava a serenidade. Resolvi sair e o fiz em seguida. Só, comecei a caminhar, me detendo em cada uma das tendas de artigos típicos que ficam espalhadas pelas ruas da cidade. Na realidade queria que o tempo tivesse o seu tempo e eu o meu... Pela primeira vez em minha vida fiquei mais tranqüilo abandonando minha soneca da tarde... Como sempre digo, quando achamos que sabemos todas as respostas, vem o Universo e muda as perguntas. Este foi um caso típico.
Quando estava admirando um colete, em uma das tendas, ouvi:
- “Ei tocayo, Saul soy yo, Daniel Saul”...

Nos abraçamos e ele me contou sua pequena aventura daquele Dia. Pegou um ônibus em Cuzco e pagou um sol (moeda peruana) e depois “subornou” um chefe de trem de carga em um povoado próximo pagando seus últimos quatro soles para conseguir ir até Macchu Picchu. Lá chegando, caminhou oito quilômetros, subindo até as ruínas à nossa procura e retornou de carona, foi até as termas de Águas Calientes e sem comer e cansado às catorze horas encontrou-se comigo.

Exemplo de fé e determinação. Foi isso que vi em Daniel depois de tudo o que aconteceu. É preciso considerarmos que ele só tem doze anos e, quando me transporto a esta idade é que meu julgamento de valor aumenta, cresce e junto a tudo uma admiração profunda.
Quando lhe perguntei sobre a sua religião me disse que era Evangélico. Pedi se já tinha tido experiência de outras, respondeu apenas isso:
“Saul, não é a religião que salva as pessoas mas as suas atitudes e a fé em Deus. Não há falta grave ou pequena. Se pegarmos duas pedras, uma grande e uma menor e as jogarmos ao rio, ambas vão ao fundo, só que uma chega antes, mas as duas chegam lá. Temos que prevenir antes de lamentar. Não adianta irmos a Igreja e mantermos atitudes incorretas em nosso dia a dia”...

Gostaria de poder lhes contar mais sobre Daniel Saul, sua vida atual, suas vidas passadas, mas neste momento me resguardo...
Fico com sua fé, sua coragem e sua crença de valores de vida.
É preciso coragem, É preciso acreditar e É Preciso Fé.

Nos veremos.
Beijo na alma.



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saul
Saul Brandalise Jr. é colaborador do Site, autor do livro: O Despertar da Consciência da editora Theus, onde mostra através das narrativas de suas experiências como extrair lições de vida e entusiasmo de cada obstáculo que se encontra ao longo de uma vida.
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