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Em busca do Autoconhecimento - Parte 1

por Wagner Borges
Publicado dia 30/01/2020 11:45:58 em Espiritualidade

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Entrevista publicada na Revista Espiritismo & Ciência – Número 31 – Páginas 26-30; Ano de 2005 - Mythos Editora.

Apresentamos a primeira parte da entrevista com Wagner Borges a respeito do abrangente tema do autoconhecimento, que propõe o caminho do raciocínio não dogmático e com liberdade de pensamento.

Wagner Borges é um destacado pesquisador de Projeciologia e Bioenergia, conferencista, escritor de diversos livros de cunho espiritual e fundador do IPPB (Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas), de São Paulo, com uma programação constante de palestras e cursos sobre inúmeras questões espirituais.
Segundo ele, atualmente, o assunto “saídas do corpo” ainda é visto com preconceito, mas no próprio Espiritismo, em O Livro dos Espíritos (no capítulo VIII), Kardec esclarece a “emancipação da alma”. E não só ele. Existe muita informação sobre isso nas obras de Gabriel Delanne, Léon Denis e Camile Flammarion, pensadores clássicos do Espiritismo do século 19.
O espírito André Luiz, em sua série psicografada pelo médium Chico Xavier, também nos dá algumas informações sobre as saídas do corpo**.
Na verdade, segundo Wagner, essa é uma realidade que está acoplada ao sono. A própria natureza obriga a todos nós, espíritos, a sair do corpo à noite, ao dormir. Isso acontece ao corpo astral (períspirito) porque ele precisa se recarregar de energia cósmica, numa espécie de nutrição. E ainda ressalta que faz parte do nosso autoconhecimento saber disso, porque os próprios egípcios já afirmavam que nós vivemos duas vidas – uma durante o dia e outra durante a noite.

- O que é o autoconhecimento?
Wagner Borges - Como dizia Sócrates: “Homem, conhece a ti mesmo”.
Essa é uma frase escrita no templo de Delfos, na Grécia, significando que não adianta conhecer algo fora, se você não se conhece por dentro.
Certa vez, chegou alguém para o Buda, e perguntou: “Qual o caminho para Deus?”
Ele respondeu: “Você conhece a si mesmo? Se não conhece, não terá condição de conhecer algo mais.”
Então, o “mergulho interior” é importante, porque o universo interno, além de vasto, precisa ser conhecido para poder ser propagado ao universo exterior... E essa propagação só acontece quando estamos equilibrados dentro de nós mesmos. E a chave para isso é o autoconhecimento. São as experiências do dia a dia, pois cada experiência nos ensina algo.
Nós precisamos saber tirar a lição do que foi passado no dia. Além disso, temos as experiências anteriores, porque somos espíritos e viemos de outros planos.
A grande dica é prestar atenção, durante o dia, no que acontece no “aqui e agora”. Falo isso porque muitos se perdem em lembranças do passado e autoculpas, que não resolvem nada; ou em outros casos, pela ânsia de viver no futuro e não conseguir ficar no hoje. Raras são as pessoas que estão realmente vivendo a existência atual.
Vou tomar como exemplo o dia de hoje. Aqui em São Paulo, tivemos um lindo dia de sol após vários dias frios. A primeira coisa que fiz ao acordar foi olhar para a janela, e dizer: ”Meu Deus, que luz maravilhosa!”
Outra coisa muito importante a ser dita é que conhecimento não é sabedoria. Por mais que as pessoas estudem e tenham autoconhecimento, este sempre será um “trampolim” para que, um dia, seja possível chegar a algo maior, que é a sabedoria, na qual estão contidos o amor, a ética, a alegria e até o universalismo.
A história está repleta de exemplos de pessoas com muito conhecimento que fizeram besteiras enormes porque não havia sentimento. Mas também está repleta de indivíduos que eram muito bons e muito burros. Tinham bom coração, mas não tinham conhecimento.
Então, o que é que a lógica manda? Unir o conhecimento com sentimento elevado, ou seja, sentimento bom com conhecimento bom; os dois somados vão dar em algo, que é a sabedoria. E, ao estudar, o grande segredo é não ficar preso, porque o conhecimento não é para servir como prisão. Ele não foi feito para trancar, e sim para libertar.
Então, devemos aproveitar a chance dessa vida para estudar, porque temos uma abertura que não havia em outras, como na Idade Média, quando as pessoas davam a vida para ler um livro, corriam riscos de todo tipo com a Inquisição.
É bom lembrar essas coisas porque, hoje, com tanto livro e tanta informação, existem aqueles que não querem ler.
O autoconhecimento não está só neste plano. Aqui, nós aprendemos a realidade material e as vivências humanas. Ao nos deitarmos, como já dissera anteriormente, vamos para o lado de lá durante o sono. Começa um outro ciclo, que é para expandir a consciência e continuar aprofundando o conhecimento. Mesmo que na volta ao corpo o cérebro não lembre, porque pode travar a memória, o conhecimento fica gravado, gerando novas ideias e novas intuições, no dia seguinte.
Durante o sono é possível evoluir, e durante a vigília é possível também.
Ainda sobre essa questão, quero dizer que os mentores espirituais*** acompanham nossos estudos e até programam excursões, durante o nosso sono, aos temas de nosso interesse, levando-nos a universidades e templos espirituais. Para os artistas, por exemplo, há lugares só deles do lado de lá. A arte lá é ensinada independentemente de palheta ou pincel. Só há um detalhe: quando você é levado para lá, não pode se lembrar de nada na volta. Lembrará que esteve lá, mas não se recordará do que viu ou do que aprendeu; senão correrá o risco de perder o amor pela arte daqui, onde tudo parecerá opaco diante das cores vivas que lá existem.
Para os músicos, ocorre a mesma coisa. Isso acontece como uma proteção. As informações virão pela inspiração, não pela lembrança em sonho.

- De que forma o processo de autoconhecimento pode levar a uma reforma íntima, transformando e elevando um indivíduo a uma condição mais equilibrada?
Wagner Borges - Há um ditado que diz: “A ignorância sempre acaba onde começa o autoconhecimento. Ela tem um fim, mas o conhecimento jamais terá fim”. Essa frase é ótima porque já diz tudo.
Além disso, podemos pensar: Deus é muito esperto, não é? Porque colocou a vastidão cósmica junto conosco, que somos cheios de curiosidade para ficar perguntando: O que é isso? Aonde isso me leva? Ele não teve uma ótima ideia? Foi uma invenção e tanto, não acha?
E, também, há mais uma coisa: somos eternos. Já pensou se viéssemos sabendo tudo, e ainda, sendo eternos? Seria um tédio eterno. Não haveria mais nada a descobrir.
Então, esse é o grande lance da existência: não saber. Porque, assim, temos vontade de aprender, de estudar, de crescer, e quando tentamos conhecer algo, acabamos também conhecendo outras coisas periféricas, que vivem em torno daquela, que nem imaginávamos que existiam. A busca pelo conhecimento é própria do espírito.
Vamos pensar agora um pouco sobre a intenção?
Se a curiosidade leva ao conhecimento, dependendo da intenção da vontade de saber, ele levará o indivíduo à evolução. Estando dentro de parâmetros elevados, irá galgar degraus.
Temos também, além da evolução, uma outra questão importante: quanto maior o nível de conhecimento, maior o nível de responsabilidade.
Muitas pessoas que querem o conhecimento, querem também a liberdade que ele proporciona, e acabam não assumindo o preço da responsabilidade. Quem sabe mais, precisa regular suas atitudes diante daquilo que sabe. Para quem já tem um determinado conhecimento, não dá para fazer uma besteira e esquecê-la, sem nem pensar no assunto.
O autoquestionamento é o resultado do conhecimento daquilo que se faz ou se sente. E é dessa forma que vamos adquirindo bom senso, sem depender nem da crítica nem do elogio alheio. Nosso discernimento vai dizendo o que é certo e o que é errado.
Todos nós podemos escorregar no mesmo erro milhares de vezes, mas à medida que vamos experimentando, erramos menos.
Considero importante estudar de tudo na área espiritual; quanto mais galgarmos em conhecimento espiritual, mais subiremos na nossa escala evolutiva. O conhecimento espiritual transcende o acadêmico.
Das muitas coisas que estamos estudando, aqui e agora, só veremos algum efeito no lado de lá; ou seja, estamos fazendo um superinvestimento na vida carnal, já buscando a vida espiritual, e boa parte do que aqui estudamos vai se realizar lá.

- Temos um corpo físico e um corpo extrafísico (períspirito****). Alimentar e cuidar do corpo físico, esquecendo a vida espiritual é, na verdade, viver pela metade. Qual seria, então, a sugestão que você nos dá para vivermos nossa vida sempre buscando a totalidade?
Wagner Borges - A sugestão é o equilíbrio. Nós temos aqui, na vida física, dois tipos de desequilíbrio: um é o do materialista, aquele que só pensa em comer, beber, dormir, copular e um dia morrer sem sequer raciocinar sobre outros parâmetros durante toda a sua vida. Esse tipo de pessoa nunca se perguntou: De onde eu vim? Para onde eu vou?
Há também o outro tipo de desequilíbrio: é o daquele sujeito que, apesar de estar voltado para o lado espiritual, não vive o lado material.
Está cheio de gente desequilibrada que conhecemos indo por esse caminho; negando o valor do corpo e da existência carnal. São aquelas pessoas que querem ser felizes do lado de lá, mas são infelizes do lado de cá.
O ponto certo entre essas duas formas de existência é o que eu já disse antes: o uso do bom senso. Nós estamos vivendo dentro de um corpo, mas não somos o corpo. Nós estamos no planeta Terra, mas não somos daqui.
Imaginemos que a Terra seja uma “penitenciária cósmica”, nosso corpo é a “cela” e a vida, a nossa “pena”. Conclusão: nós estamos dentro da cela, não somos a cela; porém precisamos varrer a cela, lavar, cuidar dela, para não entrar rato nem barata, senão a pena fica pior.
Nossa situação é essa. E dentro desse contexto, o da penitenciária, o que é que eu posso fazer? Eu posso ir à biblioteca, estudar, reunir-me com outros presos, fazer amizades ao invés de inimizades, o que faz com que a pena fique mais branda; e ainda vamos aprendendo o que temos de aprender, sempre sabendo que um dia vamos sair dali.
Tudo isso serve para ilustrar o que estamos fazendo na vida e como valorizar nossa experiência diária. Não podemos deixar que essa experiência nos hipnotize.
Na grande maioria, as pessoas, que trabalham durante o dia, à noite precisam arrumar um tempinho para a vida espiritual. Não podem viver hipnotizadas, como costuma acontecer. Há aquelas que chegam em casa e já vão direto ligar a televisão. É importante observar isso. Reservar pelo menos uma meia horinha para uma leitura saudável, que faz lembrar que não somos daqui. Bons livros espíritas e espiritualistas é o que não falta.
Uma outra coisa boa a fazer é meditar regularmente, porque isso ajuda a trazer auto equilíbrio, a combater o estresse e a deixar a pessoa centrada e equilibrada.
Às vezes, acontece um certo preconceito dentro do meio espírita quando se fala em meditação, porque se pensa em terapia oriental. Não é isso! Meditação é uma condição em que a mente permanece mais tranquila, sem aquele turbilhão de pensamentos que temos o tempo todo.
É também essencial que as pessoas participem de um grupo para trocar informação. Não apenas numa postura tipo “vampiro de grupo” - ou mesmo do famoso “papa-passe”, que é aquela pessoa que só vai tomar passe, não se questiona em nada, não quer melhorar, estudar, e só vive tomando passe.
Veja bem: as pessoas devem tomar seu passe, mas não deveriam ir a um grupo só por causa disso, e sim, para estudar a vida espiritual junto a outras pessoas, interagir com elas e aprender muitas coisas. Infelizmente muitos não fazem isso.
Existe também o “vampiro energético”. Esse é aquele tipo que vai à reunião só para ficar ouvindo o dirigente ou doutrinador ler trechos do Evangelho, mas que na verdade fica cochilando junto a parte da turma que está na plateia.
Eu não estou aumentando; podem observar o que acontece: é verdade o que eu estou falando, e é sério.
Se o sujeito é inteligente, não precisa que outro leia o Evangelho e o interprete para ele. Isso pode ser feito dentro de casa, sozinho, e aí ele mesmo interpreta, fecha os olhos, eleva o pensamento para o mentor dele poder ajudá-lo.
Logicamente, o mentor também o ajudará lá no grupo. Só que há um detalhe: você, normalmente, vai uma ou duas vezes ao grupo durante a semana, não é? E os outros dias?
Eu digo isso para incentivar as pessoas a terem autonomia e aprenderem a se virar sozinhas nessa parte espiritual, independentemente da casa ou grupo que frequentam.
Não podemos ser dependentes psíquicos de nenhuma instituição ou grupo. Sempre aconselho o pessoal que frequenta os cursos lá no IPPB a estudar comigo e, também, a conhecer outros lugares, para poder abrir a cabeça. Às vezes, o aluno volta depois de um tempo, e percebemos muitas mudanças. Quanto mais conseguirmos abrir a cabeça, mais teremos noção de conjunto.
Para quem gosta de raciocinar, recomendo sempre seguir o caminho que não o impeça de raciocinar e não imponha dogmas que possam bloquear o desenvolvimento e a liberdade de expressão. Quem gosta de raciocinar odeia a repressão da liberdade de pensamento.
Há muitas pessoas hoje fazendo “carreira solo”, como costumo dizer, porque não estão suportando mais fazer o trabalho em grupo. E, de acordo com o grau de raciocínio, não conseguem mesmo ficar presas a um parâmetro só. Isso não é porque elas sejam melhores do que ninguém, mas simplesmente porque não conseguem mais criar dependência. Elas já têm um raciocínio integrado e sabem que, mesmo em casa, se fecharem os olhos, elevarem os pensamentos e se comunicarem com o plano espiritual, de “espírito a espírito”, sem intermediário, conseguirão o resultado almejado.
É preciso dizer isso para as pessoas porque, depois de um certo tempo, essa autonomia é necessária; até mesmo porque elas são espíritos o tempo todo, e não só quando estão no grupo. Somos espíritos imortais, seja em casa, no trabalho ou no grupo. Em qualquer momento, um espírito pode acessar o Plano Espiritual, por pensamento, sentimento, prece, ou pode ativar os chacras e se sintonizar.
Não entendo como há pessoas que não entendem isso e ainda perguntam: “Mas não é perigoso?”
Perigosa é a ignorância que as pessoas adoram manter.

Fim da primeira parte.

- Notas:
* A segunda parte da entrevista será postada no próximo envio de texto (1710).
** Projeção da consciência – é a capacidade parapsíquica - inerente a todas as criaturas -, que consiste na projeção da consciência para fora de seu corpo físico.
Sinonímias: Viagem astral – Ocultismo.
Projeção astral – Teosofia.
Projeção do corpo psíquico - Ordem Rosacruz.
Experiência fora do corpo – Parapsicologia.
Viagem da alma – Eckancar.
Viagem espiritual – Espiritualismo.
Viagem fora do corpo – Diversos projetores extrafísicos e autores.
Emancipação da alma (ou desprendimento espiritual) – Espiritismo.
Arrebatamento espiritual - autores cristãos.
*** Mentores extrafísicos – entidades extrafísicas e positivas que ajudam o projetor nas suas experiências extracorpóreas; amparadores extrafísicos; auxiliares invisíveis; guias espirituais; benfeitores espirituais.
**** Corpo espiritual - Cristianismo - Cor. I, cap. 15, vers. 44.
Sinonímias: Corpo astral - do latim, astrum - estrelado - expressão usada pelo grande iniciado alquimista Paracelso, no séc. 16, na Europa, e por diversos ocultistas e teosofistas posteriormente.
Perispírito - Espiritismo - Allan Kardec, séc. 19, na França.
Corpo de luz – Ocultismo.
Psicossoma - do grego, psique - alma; e soma, corpo. Significa literalmente "corpo da alma" - Expressão usada inicialmente pelo espírito André Luiz nas obras psicografadas por Francisco Cândido Xavier e por Waldo Vieira, nas décadas de 1950-1960, atualmente mais usada pelos estudantes de Projeciologia.


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Sobre o autor
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Wagner Borges é pesquisador, conferencista e instrutor de cursos de Projeciologia e autor dos livros Viagem Espiritual 1, 2 e 3 entre outros.
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