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Interferências ou desafios?

por Bel Cesar

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Em fevereiro deste ano fomos para Borobudur, na ilha de Java (Indonésia), participar do encontro anual com Lama Michel e Lama Gangchen Rinpoche. As peregrinações de Lama Gangchen Rinpoche a Borobudur iniciaram-se em 1991. Fui a primeira vez a Borobudur em 1992. Éramos ao todo 150 pessoas de mais de 15 diferentes países.

Borobudur fica aproximadamente a 40 km de Yogyakarta e a 135 quilometros do vulcão Kelud, que entrou em erupção um dia antes de nossa chegada. Segundo o noticiário, Kelud disparou areia e cinzas a uma altura de 17 quilometros, espalhando cinzas até 500 quilometros de distância do local da erupção. Com o aeroporto de Yogyakarta fechado, viajamos 15 horas de ônibus de Jakarta até Borobudur.

Diante deste obstáculo, algumas pessoas desistiram de vir, enquanto outras ficaram de fato impedidas, mas a maioria não encarou esta dificuldade como uma interferência e conseguiu chegar. Os ensinamentos iniciais de Lama Gangchen e Lama Michel foram sobre como lidar com as interferências da vida. Neste texto, compartilho minhas preciosas anotações. Mas antes vamos conhecer um pouco mais sobre Borobudur.

Borobudur é a maior stupa budista do mundo. Uma stupa é um templo construído em forma de torre, circundada por uma abóbada. Ele foi construído no século VIII, no mesmo período em que era construída a Notre Dame em Paris. Um período onde a fé e o esforço coletivo eram cultivados de geração para geração, dando continuidade a construções imensas e de grande poder espiritual.
Inicialmente, Borobudur foi construído durante a dinastia de um rei hindu, mas ele teve logo de interromper a construção.

No ano de 780, os reis da dinastia budista Sailendro passaram a governar a região e retomaram sua construção. Em 928, aproximadamente 70 anos após a construção de Borobudur, aconteceu uma grande erupção vulcânica. Neste período, apesar das atenções comerciais terem se deslocado para o oeste de Java, a construção de Borobudur prosseguiu. Com a chegada do islamismo na Indonésia, a stupa foi coberta com areia e argila, sobre a qual nasceu uma floresta até a sua redescoberta pelos colonizadores ingleses em 1814. O então governador geral de Java, Thomas Raffles, incumbiu um funcionário holandês de explorar a região e mais de 200 homens começaram a desencobrir o monumento e a restaurá-lo de maneira simples. Apenas em 1973, sob a custódia da UNDESCO, Borobudur foi totalmente "desmontado", cada pedra foi marcada, tratada e limpada quimicamente, e novamente recolocada. A reforma custou 25 milhões de dólares e durou cerca de uma década. Um trabalho admirável que pode ser testemunhado por algumas fotos que se encontram no seu museu.

Borobudur é um exemplo vivo da filosofia budista; em sua iconografia, encontramos os ensinamentos mais profundos da filosofia tântrica do budismo tibetano. Por isso, é considerado um lugar sagrado. "Lugar sagrado é aquele onde as energias elementais naturais são especialmente puras e poderosas, e onde muitas gerações de iogues praticaram a meditação e o Tantra Ioga. Um lugar sagrado é aquele onde é fácil ter uma sensação de completude, harmonizando e integrando as energias de nosso corpo e mente, nos níveis grosseiro, sutil e muito sutil", esclarece Dorje Khanyen Lhamo em Autocura Tântrica III de Lama Gangchen Rinpoche. (Ed.Gaia).
Devido às cinzas, a stupa foi fechada para visitação. Por alguns dias, a parte superior da stupa foi coberta por enormes capas de plástico. Apesar de não podermos entrar na stupa, mantivemos a programação: por 10 dias seguidos, fomos às 4:30h da manhã para rezar e meditar em volta da stupa. Depois das 8h o calor é intenso demais para permanecer lá meditando...

A cada dia, uma nova sensação de alegria por estar lá crescia, um pouco mais. No oitavo dia, conseguimos subir até o topo da stupa. Em nenhum momento, os Lamas questionaram o fato de conseguirem entrar ou não no templo como condição de "ter valido a pena ter ido até lá". O fato de estarmos lá em si já era gratificante. Como Lama Michel nos disse logo no primeiro dia: "Queremos sempre seguir a lei do mínimo esforço. Queremos viver da maneira mais fácil possível. Quando algo não sai do jeito que imaginávamos, já o interpretamos como se fosse errado". Afinal, não havia nada de errado, mas, sim, uma experiência diferente da qual havíamos nos imaginado.

Já em outro momento, Lama Michel Rinpoche nos disse: "Perdemos o hábito de colocar esforço no desenvolvimento de nossa autoestima, quer dizer, em nossa capacidade de nos imaginarmos sendo capazes de fazer o esforço necessário". E nos alertou: "Quando temos interferências diante de situações positivas, não podemos hesitar, temos que seguir em frente e superá-las, mas quando as interferências aparecem diante de situações negativas, é importante saber parar e cair fora".
Enquanto que Lama Gangchen Rinpoche ressaltou durante um ensinamento: "Se o benefício de algo é maior do que a dificuldade, não devemos medir esforços em realizá-lo".

Estas frases que nos levam a refletir como a maneira de interpretarmos os obstáculos podem nos paralisar ou criar mais força para agirmos. Palavras de sabedoria, que nos inspiram a seguir em frente!


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Bel Cesar é psicóloga, pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano desde 1990. Dedica-se ao tratamento do estresse traumático com os métodos de S.E.® - Somatic Experiencing (Experiência Somática) e de EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares). Desde 1991, dedica-se ao acompanhamento daqueles que enfrentam a morte. É também autora dos livros `Viagem Interior ao Tibete´ e `Morrer não se improvisa´, `O livro das Emoções´, `Mania de Sofrer´, `O sutil desequilíbrio do estresse´ em parceria com o psiquiatra Dr. Sergio Klepacz e `O Grande Amor - um objetivo de vida´ em parceria com Lama Michel Rinpoche. Todos editados pela Editora Gaia.
Email: contato@vidadeclaraluz.com.br
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Publicado em: 22/03/2018 10:12:12

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