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Matrix Forever - Parte 3

por Acid
Publicado dia 05/11/2004 12:28:22 em Espiritualidade

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REVOLUTIONS

A confusão do roteiro do segundo filme foi tão grande que afastou da continuação todos aqueles que queriam apenas diversão com uma trama compreensível. Admitam, o segundo filme não oferecia um roteiro, uma linha de raciocínio, e isso ficou claro quando lançaram o Matrix Revolutions, que simplesmente ignorou todos os temas levantados no segundo! O final do Reloaded sugere que Zion também é uma ilusão, quando vemos a colher sendo entregue a Neo. Mas esse fantástico argumento é esquecido no terceiro, que podia tratar das múltiplas camadas de ilusão que o buscador que procura a "Saída da Matrix" (Algo que já havia sido abordado na antiguidade, por exemplo: Nos Vedas, quando tratam dos três planos de existência, que se desdobram em sete; na Cabalá, quando vemos que as três esferas de baixo da árvore da vida representam o plano material (matéria, tempo e espaço formando o nosso plano existencial: Malkuth) e as 7 restantes (inclui-se aí a esfera invisível) formando a parcela espiritual; e na mitologia Persa o céu de Mitra composto de três planos (que se desdobram em outros 7 níveis), onde irão transitar as almas; Três e sete, dois números sagrados... coincidência?)) encontra(*). Em oposição, vemos o desenvolvimento psicológico dos personagens tratado de forma muito simbólica e subjetiva. Vejamos:

Estação de Trem:
Lugar intermediário entre a Matrix e Zion, onde Neo ficou preso. Ele não consegue sair, pois o lugar está em looping, ou seja, no fim do (Ainda é um tipo de Matrix, mas não a que conhecemos. Vocês já devem ter notado que a cor predominante na Matrix é verde, e em Zion é azul. Já na estação a cor é amarelo-esverdeado.) programa(*) há um comando que aponta para o começo. Vê-se na parede, escrito em letras garrafais a palavra MOBIL AVE. MOBIL é um (Letras que mudam de posição pra formar outra palavra, como por exemplo AMOR e ROMA.) anagrama(*) para (Na liturgia Católica, a morada das almas que, não tendo cometido pecado mortal, estão afastadas da presença de Deus, por não haverem sido remidas do pecado original pelo batismo.) LIMBO(*), que fica nas bordas do inferno. AVE é abreviação de Avenue (Avenida). LIMBO, no dicionário, também é usado para expressar "esquecimento" e "incerteza, indecisão". Bem adequado para o momento que Neo estava vivendo, não?

Train Man:
Seria o equivalente a Caronte, o barqueiro que na mitologia grega levava as almas através do Rio Styx até ao reino do submundo de (Embora fosse o reino dos Mortos, o Hades grego não se parecia com a idéia posterior de inferno, um sítio onde os condenados sofriam penas eternas. Era um lugar para onde todos os mortos - bons ou maus - seguiam, guiados pelo deus mensageiro Hermes. Só quando lá chegavam era decidida a sua sorte. É equivalente ao SHEOL das escrituras hebraicas. ) Hades(*).

Trinity:
É a Anima (o lado feminino da alma) de Neo, sua (Como a Beatriz do livro Divina Comédia, de Dante Alighieri.) guia na escuridão(*) para que ele alcance o entendimento, a individuação. É essa a simbologia da cegueira de Neo no final, que se entrega a Trinity de corpo (Reloaded) e alma (Revolutions). A perda da visão também simboliza que ele alcançou um nível tão alto de consciência que os sentidos não são mais necessários para se enxergar o que é essencial. Então, quando ele está às portas da iluminação, ela já não é mais necessária como símbolo (pessoa), pois estará sempre com ele.

Neo:
Um tipo de Jesus 2.0. Um humano, mas com a essência Crística dentro de si. Um intermediário entre o plano humano e o Divino. E quem é Deus no filme? Se você olhar nos créditos, verá que aquela máquina do final com a qual Neo dialoga é chamada de Deus ex machina (Deus em forma de máquina, em Latim) e é por isso que Neo possui o poder de manipular até mesmo as máquinas. Oráculo fala: "O poder do Escolhido vai além desse mundo (Matrix). Vai até o lugar de onde ele veio: a Fonte". Então aquela máquina é a manifestação, no mundo das máquinas, da fonte (Deus).

Mas, por que Neo foi o escolhido? Ora, porque Neo ESCOLHEU SER O ESCOLHIDO. Ele estava preparado para sê-lo, tinha o dom, como Oráculo disse no primeiro filme. O poder de manipular a Matrix, o poder Criador, estava latente nele, como estava no menino que entorta a colher, e em Sati. Mas se ele não acreditasse em si mesmo, falharia, e ficaria pra outra pessoa ser o escolhido (Já houveram 5 antes dele). O segredo para SE TORNAR o escolhido é fazer as escolhas certas, acreditar no próprio potencial, o que não é muito diferente do budismo, quando o próprio Siddharta Gautama exclamou, no momento da iluminação: "Maravilha das maravilhas! Essencialmente todos os seres vivos são Budas (iluminados, despertos), dotados de sabedoria e virtude, mas como a mente humana se inverteu através do pensamento ilusório, não o conseguem perceber".

Diálogo de Neo com Oráculo, no primeiro filme:
- Acha que é o Escolhido?
Sinceramente, não sei.
- Sabe o que isso diz? (apontando pra placa acima da porta) É latim. Diz: "Conhece a ti mesmo". Vou te contar um segredinho: ser o Escolhido é como estar apaixonado. Ninguém pode te dizer se você está. Você simplesmente sabe, e não tem dúvida. Nenhuma. Desculpe, garoto. Você tem o dom, mas parece que você está esperando por algo.
- O quê?
Sua próxima vida, talvez. Quem sabe? Essas coisas são assim.

Oráculo fazia parte do esquema. Estava ali para orientá-lo, pra que ele desenvolvesse seu potencial. Pra isso, ela precisava ser "amiga" dos humanos. E ela era. Afinal, fora (Neo pergunta a Oráculo, em Reloaded:
- Mas por que nos ajudar?
- Todos nós estamos aqui para fazer o que temos que fazer.) programada(*) para isso. Seu plano era não só preparar o Escolhido para o objetivo das máquinas, como fazer com que ele tenha capacidade de salvar Zion. Ela via essa possibilidade, enquanto o Arquiteto via apenas os (Oráculo fala pra Neo, em Revolutions: O Arquiteto não pode ver além de QUALQUER escolha, porque ele não as entende. Pra ele, são apenas variáveis em uma equação, que devem ser resolvidas uma de cada vez e então ele reage. Esse é o propósito dele: balancear a equação.) resultados(*) das equações que estavam em jogo. É por isso que no diálogo final do Revolutions o Arquiteto diz pra ela "Você arriscou muito". Por isso no primeiro e segundo filmes ela ensina o Livre-Arbítrio, o não-determinismo, que foi fundamental para que Neo ganhasse confiança de que PODIA mudar as coisas, quando encontrasse com o Arquiteto. Já no terceiro ela ensina o "deixe fluir", o "não lute" ("Deslize", como diz o pingüim em Clube da Luta). É o tipo de coisa desconcertante pra quem, como eu, "comprou" a mensagem do primeiro e esperava mais do mesmo. Mas o destino de Neo era esse, não adiantava espernear. No momento em que ele está no Limbo, reina a confusão entre sua parte humana e a sua missão (parte máquina). É a "noite escura da alma", que nos falou São João da Cruz. O Ego diz "sobreviva" enquanto seu Dharma (sua missão de vida) aponta para a fusão com o Todo, a aniquilação da "personalidade Neo". O mais interessante é que, um dia, muuuuuuuito longe ainda, todos nós iremos passar por esse dilema. É o mesmo que Jesus viveu no Getsêmane, quando sabia que tinha uma missão a cumprir, que dependia da entrega total da sua parte humana para ser assimilada pelo (E, conseqüentemente, cumprir sua missão na Terra.) Pai(*), mas sua parte humana fraquejou. Por fim, Jesus diz: "Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua" (Lucas 22:42). Neo após ficar a sós, em meditação, concorda em ir para a cidade das máquinas...
Mas Neo ainda usa o livre arbítrio em diversas situações que surpreendem as máquinas. Por isso Oráculo não podia saber se ele se tornaria mesmo o escolhido, nem se salvaria Zion. Neo escolheu usar a (Não fosse por Smith sair de controle, as máquinas não teriam necessidade de se submeter à chantagem de Neo, já que ele é um produto das máquinas. Elas simplesmente treinariam outro Escolhido. Mas, com Smith à solta, eles não teriam tempo de preparar um outro Escolhido antes que Smith invadisse o mundo das máquinas.) necessidade(*) que a máquina tinha dele como moeda de troca para alcançar a Paz.

Quando Smith pergunta a Neo por que ele continua lutando, ele responde: "Por que escolhi". É contraditório com a idéia "geral" que o filme passa de que não há livre arbítrio? Não. Ele escolheu ser o ESCOLHIDO. Ele aceitou o papel de ser o salvador de Zion. E arcou com as conseqüências. Aí então acontece o momento crucial do filme: Smith começa a falar como Oráculo. É a chave para que Neo perceba que Oráculo não deixou de ser ela só porque foi assimilada pelo Smith. Na verdade ela ACRESCENTOU ao Smith. Ele vê claramente que a aniquilação (morte) não existe, e que, como ele é a força (Oráculo fala pra Neo, no Revolutions:
Smith é você. Seu oposto, seu negativo, o resultado de uma equação tentando se desbalancear.) oposta(*) à Smith, somente se unindo a ele seria atingido o equilíbrio, o vazio (o balanço positivo = negativo). Então Neo deixa de ser reativo, para que seu (Aliás, vemos que na Cabalá Satan não é uma entidade separada de nós, e sim o obstáculo (literalmente o significado da palavra) da mente que tenta, através da nossa reatividade às coisas, nos afastar da Luz.
Em Isaías 53:7 vemos um exemplo de resignação que foi aplicado muito tempo depois por Jesus:
\'Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.) destino(*) se cumpra.

Isso fica ainda mais claro na batalha final, quando Neo está lutando com Smith, e a música de fundo é um shloka (sânscrito) do Bhagavad Gita: "Asath maa sath gamaya. Thamaso maa Jyothir gamaya. Mrithyor maa Amrtham gamaya. Om shanti shanti shanti" significando: "A não-verdade me conduz à verdade. As trevas me conduzem à luz. A morte me conduz à imortalidade. Paz Paz Paz".

Fantástico, hein? Mas pouco acessível às massas... como entretenimento, os dois últimos filmes foram decepcionantes. Mas são um valioso material de estudo espiritual. Neo ter se tornado algo como um Sol (nada mais imaterial e ao mesmo tempo presente em nossas vidas) foi de uma coragem excepcional por parte dos diretores, pois não é o tipo de final que um fã espera para o seu herói. Assim é a iluminação: o veículo é deixado para trás e a essência se funde no TODO, de onde veio, mantendo apenas o essencial: o aprendizado.


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Sobre o autor
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Acid é uma pessoa legal e escreve o Blog (Saindo da Matrix).
"Não sou tão careta quanto pareço. Nem tão culto.
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