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Neti, neti...

por Wagner Borges
Neti, neti...
Publicado dia 31/01/2019 14:16:32 em Espiritualidade

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Esses escritos respondem à pergunta de um dos participantes da lista que escutou a expressão “neti, neti”, durante o programa “Viagem Espiritual”

A expressão é essa mesma: “neti, neti”, oriunda do sânscrito antigo**.
Significa algo que sentimos, mas não conseguimos descrever com as palavras e nem entender só com o intelecto. É algo que não se entende com a mente, mas se compreende com o coração.
Há muitas coisas neti, neti, na vida...
Por exemplo: o Amor.
Quem pode explicá-lo intelectualmente?
Que ciência pode desvendar os seus mistérios?
O certo é o que se sente, mas não dá para explicar.
Outro exemplo: quem tem filhos sabe do Amor que se abre no coração quando esses pequeninos chegam. É algo que só é percebido integralmente quando se tem um. Parece que o coração se derrete de Amor por eles... E não há como explicar isso para quem não teve um filho na prática. Pode-se até escrever um livro sobre educação e outras coisas sobre crianças, mas só tendo uma para sentir isso, não dá para expor em palavras que sentimento é esse. Logo, é neti, neti.
Outras coisas que são neti, neti: imortalidade do espírito, consciência cósmica e Deus, o “Neti, Netão”, o maior Neti, Neti, de todos.
Mantidas as devidas proporções, o Amor que sentimos pela música do Yes é neti, neti. Como explicá-lo para os outros? É algo que se sente e faz viajar no som. Mas, quem pode explicar intelectualmente o prazer de ouvir e viajar na Yesmusic?
O Roger Troyo (vocalista da banda cover Yessongs e participante da lista), por exemplo, estuda música e canto. Ele precisa de sua inteligência para entender o que faz. No entanto, duvido que ele possa explicar o que se passa em seu coração na hora em que se torna um canalizador vocal das letras do Yes que tanto ele ama. Ali, ele é possuído por um Amor que o faz gostar da canção e dar o melhor por ela.
Se não fosse por esse Amor, o verdadeiro neti, neti, nos bastidores de sua alma, ele não se esforçaria tanto nisso. A técnica do canto ele pode explicar e dar aulas, mas o Amor que ele sente nisso, é neti, neti, e não dá nem mesmo para falar, quanto mais explicar. Então, só resta cantar, cantar e cantar...
A vida mesma é neti, neti. É um grande mistério, que só se descobre vivendo... E aprendendo, para se compreender, um dia, que as maiores verdades podem ser silenciosas e já habitarem em nossos corações. Mas, essas verdades são neti, neti.

(Texto postado originalmente numa lista de fãs da banda Yes*)

Paz e Luz.
Wagner Borges – mestre de nada e discípulo de coisa alguma.

- Notas:
* Ver o meu artigo “Matéria Sobre o Disco do Yes: Tales From Topographic Oceans”, postado nesse link:
link
** Neti Neti - do sânscrito – “Não isso, não isso!”. Ou, “Isso não é isso, isso não é aquilo”. Trata-se de uma expressão hindu para as coisas espirituais que não podem ser descritas em palavras ou explicadas convencionalmente.
Por exemplo: o mestre estava vivenciando um samadhi (expansão da consciência, estado de consciência cósmica). A Luz havia ascendido do seu chacra cardíaco até o chacra coronário e expandido sua consciência aos níveis do plano mental puro, além do espaço e do tempo. Percebendo-o naquele estado consciencial superior, o discípulo perguntou-lhe:
“Mestre, o senhor pode me explicar o que está sentindo?”
Ele respondeu: “O que estou vivenciando não pode ser explicado pelas palavras.
Como explicar o Amor que viaja além do tempo e do espaço e que mora nos corações?
Como classificar aquela Luz onipresente e transcendente que é a causa de tudo?
Como falar do que transcende a visão limitada do intelecto humano?
Como descrever a sensação de ser um surfista cósmico deslizando pelas ondas da bem-aventurança?
Como falar de algo que só se compreende no silêncio e que é pura consciência?”
O mestre olhou para o discípulo e seus olhos pareciam duas estrelas. Uma onda de Amor silencioso interpenetrou o discípulo e ele sentiu-se alçado às praias do infinito.
Então, ele compreendeu o que a linguagem humana não pode expressar. E pensou:
“Se alguém perguntar-me o que estou vivenciando, só responderei que é neti neti!”
Da mesma forma, quando perguntavam a Sidarta Gautama, o Buda, sobre o Divino, ele ficava em silêncio. Ele sabia que o ser humano não tinha noção exata nem sobre sua própria consciência, quanto mais da consciência cósmica do Todo.
Ele sabia que não havia condições do Ser relativo descrever o Absoluto. Por isso, ele não respondia, pois era algo neti neti.
Inclusive, alguns religiosos radicais chegaram a insinuar que o Buda era ateu, justamente porque ele se recusava a exprimir em palavras o infinito além de qualquer descrição convencional.

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Sobre o autor
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Wagner Borges é pesquisador, conferencista e instrutor de cursos de Projeciologia e autor dos livros Viagem Espiritual 1, 2 e 3 entre outros.
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