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Nome e formas: como nos tornamos do jeito que somos


A ignorância é a de entendimento profundo. A ignorância nos leva ao condicionamento: reagimos impulsivamente frente aos fatos. Se escolhêssemos agir em vez de reagir, não cometeríamos muitas ações. No entanto, ao reagirmos impulsivamente, baseados na ignorância, atuamos sob uma consciência imediata da realidade, e, sem pensarmos, damos nomes aos fenômenos internos e externos. Nomear é dar forma às ilusões, concretizá-las, torná-las visíveis. Quando nomeamos algo ou alguém, afirmamos para nós mesmos o que vemos e sentimos. Delineamos qualidades subjetivas que atribuem qualidades aparentemente objetivas aos fatos e pensamentos. Ao nomear, estamos então rotulando as experiências: definindo seu perfil. Apesar de darmos nomes para podermos nos comunicar, a maior parte de nossos problemas surge quando atribuímos qualidades fixas às situações. Pois, uma vez que a cara da situação está delineada, passamos a agir de acordo com as experiências mentais que associamos à nossa projeção inicial. Quantos problemas começam só porque demos nomes aos bois!

O Elo Interdependente Nome e Forma é simbolizado por duas pessoas num barco sendo levadas por um barqueiro; elas estão atravessando o oceano do (Ciclo interminável de mortes e renascimentos no qual estamos involuntariamente presos. ) samsara(*). Assim como explica Lama Gangchen Rinpoche em seu livro Autocura Tântrica III (Ed. Gaia): “O resultado da causa e condição do surgimento interdependente negativo das incontáveis consciências que contêm os registros de nossas ações projetoras de luz e de sombra são nosso nome e forma comuns surgidos interdependentemente. O corpo e a mente impuros e cheios de sofrimento que recebemos a cada nova vida são o barco do qual precisamos para sustentar nossa existência no tempestuoso oceano do samsara”. Os ensinamentos budistas explicam que para cortar esta cadeia sem começo nem fim, precisamos purificar os componentes impuros de nosso corpo e de nossa mente.

Por isso, o budismo nos incentiva a aprendermos a direcionar a nossa mente para que ela siga padrões claros e positivos. O simbolismo do quarto elo representado por duas pessoas num barco sendo levadas por um barqueiro, indica que podemos “remar” a mente na direção que desejarmos. Não estamos condenados a sofrer infinitamente. Podemos usar a interação corpo-mente a nosso favor. Mas é preciso treinar a navegar nas turbulentas águas do oceano samsárico!

Última atualização em 21/8/6


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Bel Cesar é psicóloga, pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano desde 1990. Dedica-se ao tratamento do estresse traumático com os métodos de S.E.® - Somatic Experiencing (Experiência Somática) e de EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares). Desde 1991, dedica-se ao acompanhamento daqueles que enfrentam a morte. É também autora dos livros `Viagem Interior ao Tibete´ e `Morrer não se improvisa´, `O livro das Emoções´, `Mania de Sofrer´, `O sutil desequilíbrio do estresse´ em parceria com o psiquiatra Dr. Sergio Klepacz e `O Grande Amor - um objetivo de vida´ em parceria com Lama Michel Rinpoche. Todos editados pela Editora Gaia.
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