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O Jugo Leve


Os filósofos tinham razão. O ser humano não sabe viver em estado de liberdade. E digo isso com muita tristeza, pois trago dentro de mim desde cedo um pensamento libertário, advindo da criação que tive (liberdade com responsabilidade). Uma das coisas que me horrorizou no curso de Direito foi estudar a filosofia na qual o curso se baseia e constatar que ela toda visa manipulador as pessoas, seja como indivíduos, seja como classes sociais, e que o Direito se expressa na sua forma mais clara em "O Príncipe", de Maquiavel. Eu pensava: "estamos tratando de pessoas aqui! Isso é desumano! Uma elite pensando em como deve tratar o gado... e eles serão o futuro do país... ARGH!". Obviamente não agüentei, e saí na metade do curso.

Também sempre fui contra a manipulação das Igrejas, seja ela católica, presbiteriana ou evangélica. Apóio a defesa do Estado Laico, da liberdade, igualdade e fraternidade, essas coisas... Mas sabe, ultimamente estamos vendo um acúmulo tão grande de absurdos em relação ao (Quando você faz uma guerra, é uma massa de gente contra a outra. Você não sente raiva do outro indivíduo, e sim do que ele representa. Essa visão absurda que todo mundo em sã consciência condena está sendo trazida cada vez mais pra dentro de nossas casas numa visão ainda mais micro. Já não julgamos a pessoa pela nacionalidade, como numa guerra. Nem mesmo pela classe social. Agora é EU vs ELES, e ELES pode ser qualquer um que não se encaixe nos seus padrões de sociedade, ou beleza, ou justiça. Pode ser Os Que Usam Ipod vs Os Que Não Usam Ipod. A sociedade está fragmentada, destroçada, e perdida. Nem o governo nem a justiça estão preparados pra lidar com isso, não porque não possa (DEVE!), mas porque continuou engessada ao modelo antigo de pensamento (assim como nossos aeroportos) onde o controle se faz por camadas bem definidas, idealizadas fora da observação da sociedade atual.) respeito ao ser humano(*) que me fez pensar ONDE estaria a raiz do problema. E a conclusão a qual cheguei foi: falta de cabresto.

Por cabresto entendemos logo algo muito ruim (até porque o termo foi empregado nos tristes tempos da ditadura no Brasil), mas creio que, me valendo de uma frase de Jesus, possa definir melhor meu pensamento:

Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu (Peça de madeira assentada sobre a cabeça dos bois para atrelá-los a uma carroça ou arado; canga. Vínculo de submissão e obediência resultante de determinado tipo de convenção ou obrigação. (Houaiss)) jugo(*), e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve
(Mat 11:28-30)

Jesus não fala aqui: Ei, vocês que estão cansados e oprimidos, venham pra meu grupo que aqui só vai ter oba-oba, flower power, concertos de rock o dia todo (isso só me lembra o episódio de South Park dos Hippies). Ele diz claramente pra que aqueles que carregam um peso enorme nas costas (muita culpa, muita repressão) venham pra doutrina dele, que tem um peso menor (menos pré-requisitos pro checklist do céu). Quando Jesus estabelece sua doutrina no amor, no perdão e na caridade, temos a tendência a ver isso como um "opcional", afinal, basta não fazer mal aos outros que está tudo bem, mas NÃO. Você não faz o que Jesus pede porque é bom pra você naquele momento, ou porque está a fim, mas porque é o CERTO. Sem amor, sem perdão e sem (Eu poderia resumir tudo na palavra Caridade, que já inclui amor, perdão, compreensão, e todos os bons valores que caracterizam o Cristão, mas estou tentando ser bem claro aqui.) caridade(*), você não pode nem sequer se chamar Cristão. E aí me lembro do post Você é católico?, que tanto traz controvérsia, e emendo: você é Cristão? Ao me fazer essa pergunta, cheguei a conclusão de que sou um proto-cristão, ainda estou no caminho, e tenho vergonha de admitir (mas admito) que nem Cristão por inteiro eu posso me considerar. Esse tipo de auto-avaliação me dá uma boa dimensão de como nos encontraremos a sós conosco mesmos, depois da morte; depois que não formos nada além de nosso espírito, da soma de nossas ações. É o momento onde nos faremos a pergunta: O que eu sou agora? Juiz? Não mais. Carpinteiro? Não mais. Mulher? Homem? Indefinido? A reencarnação tratará de desfazer esses "enganos". Não somos uma profissão, nem um gênero, nem um nome, um CPF... somos o que FIZEMOS... e o que fizemos de CONCRETO pra nos DEFINIR no mundo ESPIRITUAL?

É por isso que o mundo espiritual é cheio de "almas penadas", gente perdida, querendo voltar de alguma forma, muitas vezes tão perturbadas que acabam prejudicando os moldes do perispírito e causando deformações, problemas mentais, etc. Culpa de Deus? Não mesmo. Culpa dela por ações na vida passada? (Como disse Aivanhov: Quando for errar de novo, pelo menos erre diferente! Ou seja, repetir o mesmo erro, pelos mesmos motivos, acaba não trazendo aprendizado! Quem tem medo de errar não cresce, acaba não fazendo nada, ou fazendo algo medíocre!) Nem tanto(*). Culpa incutida nela mesma por coisas que deixou de fazer? Talvez. A lei do Talião (que muitos espíritas confundem como a Lei do Karma, tipo "fez isso, paga aquilo") cai por terra diante dessas sutilezas. E o microcosmo é feito dessas sutilezas, como o bater das asas de uma borboleta na China..."Bem", você, Cristão convicto, me pergunta, "e desde quando amar, perdoar e ser caridoso é um peso, um jugo?" e eu digo "Pergunte a Chico Xavier". Quanto maior a disposição verdadeira, maior o trabalho (afinal, são poucos os trabalhadores na seara) e o desafio. Todo espírita queria ser que nem o Chico Xavier, mas poucos (ou nenhum) aceitariam passar pelo que ele passou. Emmanuel esclarece:
"Quando nos sentimos ofendidos, queremos aplicar logo a lei do jugo por nós mesmos - então nos defrontamos muitas vezes buscando punição para aquele que nos ofereceu o agravo da ofensa... se não fizermos isto, seremos chamados de ingênuos ou covardes, mas o jugo suave do amor inclui o perdão para as ofensas. (...) Às vezes não podemos conviver com essa pessoa - porque o médico ou aquele que faz a enfermagem, para ajudar o doente, não se deita com ele na cama; ajuda-o à distância, com pensamentos de paz, de compreensão... A Lei não manda que deitemos no chão e esperemos que os outros nos apedrejem. Pede-nos sim uma atitude de conciliação. Tem o jugo leve, mas tem o jugo pesado, que está na lei de causa e efeito. Quando não aceitamos auxiliar, lembremos com amor, compreendendo, justificando, perante nós mesmos, as faltas alheias - nós não podemos fazer a função de Deus! Quando nos entregamos ao jugo suave, não é indiferença, é uma energia com brandura. Quando nós queremos o jugo forte, geralmente resgatamos as nossas atitudes infelizes com problemas muito mais sérios. Devíamos educar os nossos filhos na lei do jugo leve; não é criando costumes desnecessários, não é levando ao amor pelo desperdício, à superioridade... Ensinemos aos nossos filhos que não são melhores do que os outros; que devem partilhar a merenda da escola; levar um pouco do alimento da nossa casa para os companheiros”... Enfim, tudo o que aprendemos na novela Malhação.

Chico/Emmanuel nos esclarece mais sobre o jugo pesado: "Não é fácil sair do jugo forte; vivemos nele desde priscas eras, quando estávamos no reino animal... Mas agora temos a razão, não podemos viver como o tigre, o lobo, o cão raivoso... O próprio boi, que nos serve, foi domesticado no jugo. E até hoje sofre para nos dar a própria carne, o próprio leite (...) Todos os animais foram domesticados a pau para nos ajudar - é o jugo forte. O jugo do Cristo é leve. Do jugo forte ao jugo leve há uma ponte difícil de ser atravessada - a dos nossos hábitos".

Qual dos dois jugos você vai carregar?



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acid
Acid é uma pessoa legal e escreve o Blog (Saindo da Matrix).
"Não sou tão careta quanto pareço. Nem tão culto.
Não acredite em nada do que eu escrever.
Acredite em você mesmo e no seu coração."
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