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O que é espiritualidade feminina?

por Adília Belotti
Publicado dia 24/03/2005 12:08:29 em Espiritualidade

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Há uns dez anos (provavelmente mais, o tempo da memória nem sempre acompanha os roteiros celestes), um amigo me deu um livro: "A anciã, uma mulher de idade, sabedoria e poder", da escritora americana Bárbara Walker. Por coincidência ou por artes outras, ele já chegou às minhas mãos velho, porque, na verdade, tinha sido achado jogado em uma caixa, num desses dias que a gente resolve fazer uma faxina na casa e na alma.

E o Alberto resolveu me dar nem eu nem ele sabemos bem a razão, mas talvez porque as mulheres da minha idade ainda que nem sempre queiram admitir têm uma alminha feminista guardada em alguma gaveta, sim. E estava na hora deste meu Alter ego afinal ganhar um presente e... cair na vida.

Não era um livro feminista. Ao contrário, naquela altura, para boa parte do mundo, os tempos do feminismo pareciam acabados e as próprias feministas estavam reduzidas a meras caricaturas de si mesmas. O que pode parecer uma tremenda injustiça histórica, considerando que ainda persistem em países da África, por exemplo, costumes hediondos como a extirpação do clitóris de mulheres. Mas talvez não tenha sido injustiça, não. Apenas hoje talvez ninguém precise mais ser feminista para lutar contra a desigualdade, qualquer que seja a forma que ela tome.

Enfim, o livro de Bárbara Walker era sobre espiritualidade feminina. Por aquela porta entraram velhas sábias e mães terríveis. Passaram Ouroboros engolindo a própria cauda e Grandes Deusas de onde tudo veio e para onde todos os seres do universo voltarão. Desfilaram deusas terríveis e deusas deslumbrantes, Kali e Shakti, Inana e Íris.

E longe de serem representações frias, ressequidas habitantes das páginas dos livros, elas viviam em mim, quentes e pulsantes, aspectos da alma feminina fascinantes e inexplorados. Essas forças arquetípicas tinham o poder de transformar o mundo em uma epifania feminina e fazer a própria Terra, a Grande Gaia, brilhar, inchada de orgulho.

Como você, talvez, cresci embalada por histórias da tradição judaico-cristã, onde as mulheres quase nunca ocupam os papéis principais. Mesmo quando esse papel era delas de direito, como é o caso, afinal, com licença, da Mãe de Deus, uma verdadeira Theotokos, os homens apareciam para roubar a cena. (Até isso vem mudando devagarzinho e teólogas como Adriana Valério e Elisabeth Fiorenza estão relendo a história sagrada em busca dos rostos femininos que ficaram na sombra).

Então, de repente, trombar com todas aquelas imagens femininas vindo, surgindo pelo caminho, iluminando de significados tantas zonas escuras do meu ser feminino... É, a Velha Sábia me tomou pela mão e me conduziu por essas estradas vicinais. Mas será que ainda faz sentido falar de espiritualidade feminina hoje?

Acho que sim. E psicoterapeutas que vem se debruçando sobre o tema - inesgotável - como Mônica Von Koss, por exemplo, também concordam que não podemos desperdiçar essa riquíssima fonte de inspiração que são os temas mitológicos ligados ao feminino.

Desde meu primeiro encontro com a Velha e suas irmãs, tenho lido muito, muito, sobre espiritualidade feminina. De certa forma, o livro amarelado ganhou contornos novos, mais amplos. Mas acho que meu débito com a Velha Sábia não vai ser pago nunca.

E de vez em quando, engraçado, sempre que estou devorada de perplexidade, penso nela. E marcamos um encontro à sombra de uma árvore. Ela sempre está lá, envolvida por um xale, cabelos longos presos num coque folgado. Sorriso de quem, embora já tenha visto tudo, ainda é capaz de maravilhar-se. E o melhor colo do mundo...


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Sobre o autor
Adília Belotti é jornalista e mãe de quatro filhos e também é colunista do Somos Todos UM.
Sou apaixonada por livros, pelas idéias, pelas pessoas, não necessariamente nesta ordem...
Em 2006 lançou seu primeiro livro Toques da Alma.
Email: [email protected]
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