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O que é o medo?


Reconhecer o medo não é motivo para depressão ou desânimo. Porque temos medo, temos também potencialmente o direito de experimentar o destemor. O verdadeiro destemor não consiste em diminuir o medo, mas em ultrapassá-lo. Chögyam Trungpa em “Shambhala, a trilha do guerreiro” (Ed. Cultrix)

Quantas vezes você já se flagrou com vontade de fugir de si mesmo porque sentia medo? Todas as vezes que nos sentimos ansiosos ou irritados, estamos tentando fugir de nossa experiência interior. Mas ao fugir do medo perdemos a oportunidade de aprender com ele a termos destemor. Fugir do medo gera pânico.

O medo é uma energia mal-aplicada, um hábito de auto-sugestão. Michel Echenique Isasa, em seu livro “Como lidar com o medo” (Ed. Nova Acrópole), escreve: “O medo é uma interrupção súbita do processo de racionalização. Mas será necessário manter a racionalização quando não sabemos o que está acontecendo? Quando estamos numa situação de perigo, acontece algo e não sabemos o que é, é melhor não pensar”. Nas situações de perigo, tomamos atitudes erradas porque reagimos ao que pensamos, em vez de agirmos a partir da observação da realidade dos fatos que nos cercam.

A função do medo é evitar que façamos algo mentalmente. Por isso mesmo, o melhor é parar. Se você estiver com medo, é melhor tornar-se receptivo a ele. Não aja. Observe. Pare de julgar, de interpretar ou concluir. Acolha o que estiver sentindo e abra-se para escutar o que aquela situação tem para lhe ensinar. Apenas responda à pergunta: “O que eu preciso saber agora?”

O medo é um impacto na mente, que, em si, não é permanente. A mente está condicionada a marcas mentais, isto é, a memórias que registramos como negativas. É preciso remover essas marcas. Atualmente, existem muitos métodos terapêuticos que ajudam na remoção de traumas.

Peter Levine explica, em “O despertar do Tigre” (Summus Editorial): “O choque traumático ocorre quando experienciamos acontecimentos potencialmente ameaçadores à vida que superam nossa capacidade para responder de modo eficaz”. “Um humano ameaçado precisa descarregar toda energia mobilizada para negociar essa ameaça ou se tornará uma vítima do trauma. A energia residual não vai simplesmente embora. Ela persiste no corpo e, com freqüência, força a formação de uma grande variedade de sintomas: por exemplo, ansiedade, depressão e problemas psicossomáticos e comportamentais. Esses sintomas são o modo do organismo conter
(ou encurralar) a energia residual não descarregada”.

Não somos condenados a carregar o trauma, podemos nos liberar dessa energia residual!

Quando compreendemos que a natureza de nosso medo é apenas uma associação mental, isto é, uma criação de nossa mente, começamos a nos libertar das ameaças provocadas pela tensão desencadeada pelo próprio medo. Com esta compreensão, podemos aprender a relaxar e a encarar nossos medos de forma direta. Assim, começaremos a nos abrir para sentir a energia da confiança incondicional que existe naturalmente em nosso interior.

Na próxima semana, falaremos sobre o medo de morrer.


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Bel Cesar é psicóloga, pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano desde 1990. Dedica-se ao tratamento do estresse traumático com os métodos de S.E.® - Somatic Experiencing (Experiência Somática) e de EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares). Desde 1991, dedica-se ao acompanhamento daqueles que enfrentam a morte. É também autora dos livros `Viagem Interior ao Tibete´ e `Morrer não se improvisa´, `O livro das Emoções´, `Mania de Sofrer´, `O sutil desequilíbrio do estresse´ em parceria com o psiquiatra Dr. Sergio Klepacz e `O Grande Amor - um objetivo de vida´ em parceria com Lama Michel Rinpoche. Todos editados pela Editora Gaia.
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