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O Sentido Espiritual da Crise

por Fernando Bueno
Publicado dia 13/01/2003 12:07:31 em Espiritualidade

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Comentando o Capítulo 11 do livro "O Caminho da Autotransformação"
De Eva Pierrakos. Ed. Cultrix.

Onde há vida há mudança infindável.
A mudança é uma característica essencial da vida.
A morte começa aonde a mudança acaba, portanto resistir à mudança é resistir à vida. A Crise se instala quando nosso Ego, a parte consciente que dirige a vontade, se contrapõe às mudanças.
A crise é um aviso que as nossas estruturas internas foram criadas em bases falsas e precisam ser substituídas. Toda experiência negativa, todo o sofrimento é resultado de uma idéia errada. Ao contrário do que pensamos, as crises não são desencadeadas por fatores externos e sim por uma falsa visão interna.

Vivemos antes de tudo uma crise de percepção.
Podemos dizer que a crise é uma dádiva, uma sinalização de que temos que mudar para retornar ao fluxo prazeroso e evolutivo das nossas vidas. No entanto, a crise sozinha não promove a mudança, ela é fruto do nosso desejo.
Exemplificando: O canal dói porque o dente está fechado. O medo do motor e o da verdade interna é o mesmo. Quando assumimos com honestidade e coragem temos o desconforto e a dor iniciais da abertura, mas o alívio é inevitável e rápido.Se evitarmos a confrontação tomando analgésicos ou culpando os outros, a infecção se amplia para os ouvidos, os olhos e para a alma. A crise aumenta e a dor também.

O posicionamento auto-destrutivo como: “Sou mau”, “Não sou nada”, “Mereço esta dor”, também caracteriza um afastamento. As duas reações são muito semelhantes. São desonestas e covardes com os outros e consigo mesmo. Desmerecem e nos afastam do centro do problema. Se, ao contrário, diante dos primeiros desconfortos adotarmos a posição de vigília e respondermos humilde e honestamente às perguntas:
“O que não quero ver”?
“O que não quero mudar”?
Voltaremos ao ciclo evolutivo onde a vida é a melhor terapeuta quando procuramos compreende-la.
Quando detectar em você uma idéia ou comportamentos inadequados, mude, mas não se culpe. Tenha compaixão em relação aos outros e a você. Ria de si próprio, isto acelera o processo.
Todos nós vivemos as nossas crises que se manifestam de maneira diferente, mas tem as mesmas causas:
TODAS AS CRISES SÃO GERADAS POR CONFLITOS
TODOS OS CONFLITOS TEM A MESMA ORIGEM.

O CONFLITO ORIGINAL
QUEM PENSAMOS QUE SOMOS (EGO)
QUEM REALMENTE SOMOS (ESSÊNCIA)


QUEM PENSAMOS QUE SOMOS (EGO)
Quando crianças, nos ensinaram a sermos bons meninos e meninas, o que significava que “ainda não éramos”. Ensinaram-nos que somos bons se arrumamos nosso quarto ou tiramos notas boas. A quase ninguém foi dada a noção de aprovação incondicional, um sentimento de que somos preciosos pelo que somos e não pelo que fazemos.
As pessoas que nos criaram foram criadas da mesma forma. Na realidade, as que mais nos amavam acreditavam ser responsabilidade delas nos treinar para a guerra, para que nos déssemos bem neste mundo louco. Perdemos o nosso sentido de poder próprio e o deslocamos para fontes externas.
E o que aprendemos em troca foi o medo de que não somos bons o suficiente do jeito como somos. O medo não incentiva o aprendizado, ele nos amarra, nos tolhe e nos deixa neuróticos.
Chegamos à adolescência já avariados. O nosso Ser real era constantemente anulado por pessoas que não nos amavam e também por quem nos amava.
Na ausência do amor começamos a nos despedaçar. Formamos então, a falsa idéia que somos limitados, culpados, não merecedores, imperfeitos, etc.

Em si, o poder da mente é neutro. Temos o livre arbítrio de pensarmos o que quisermos, mas o pensamento não é neutro. Todo pensamento cria formas em algum lugar. Somos diretamente responsáveis pelo rumo que damos às nossas vidas via nossos pensamentos.
A palavra pecado significa percepção sem amor. O pensamento separado do amor é o nosso poder virado contra nós mesmos.
O Ego possui uma falsa vida própria, e como todas as formas de vida luta arduamente para sobreviver. Por isso estamos cansados de nós mesmos. Preferimos a infelicidade conhecida a sermos felizes com o novo, nos agarramos justamente àquilo de que pedimos para ser libertados.
O Ego é nosso poder mental virado contra nós mesmos.
Ele é inteligente, tem fala mansa e é manipulador como nós. Ele não é burro porque também não somos, pelo contrário, diz coisas como: “Olá, sou seu ser adulto, maduro e racional, vou ajudar você a alcançar o máximo”. Daí ele nos aconselha a cuidar de nós mesmos, sem ligar para os outros. Nos ensina o egoísmo, a mesquinhez e o julgamento.

QUEM REALMENTE SOMOS (ESSÊNCIA)
Carl Gustav Jung postulou a noção de inconsciente coletivo, uma estrutura mental inata que engloba as formas de pensamento de toda a humanidade.
Segundo ele, se formos ao fundo de nossas mentes encontraremos um nível que compartilhamos. O Guia vai mais longe, diz que encontraremos a mesma mente. O conceito da essência é que em nosso âmago não somos somente idênticos, somos o mesmo SER.
Se cavarmos fundo em sua mente e na minha, o cenário lá no fundo será o mesmo: SOMOS AMOR.
A palavra Cristo é um termo psicológico e nenhuma religião detém o monopólio sobre a verdade. Cristo representa o Amor e o Amor dentro de um de nós, é o Amor dentro de todos nós.
Você não é quem pensa ser, você não é suas notas escolares, suas credenciais, seu curriculum e muito menos a sua casa. Não somos nada disso.

Somos seres divinos, células individuais no corpo de Cristo.
Acordamos do sonho que diz que somos criaturas finitas e isoladas, que somos fracos e aceitamos o fato de que o Poder do Universo está em nós. Existe e existiram em nosso mundo pessoas ditas evoluídas, iluminadas, santas ou qualquer outra denominação que se queira dar. A maioria pensa que essas pessoas tem algo a mais que nós, já o Guia afirma que elas tem algo a menos que nós: O EGO.
Elas operam apenas com a essência.
A iluminação é apenas um reconhecimento. Se nos entregamos à essência o Ego cobra e diz: esta felicidade não vai durar, prazer é pecado, você não merece, etc. Se deixamos o Ego no comando, a essência cobra a alegria, a felicidade e o prazer merecidos.

A EVOLUÇÃO
A superação do conflito é individual e intransferível e depende de:
- Nossa vontade e decisão de superá-lo
- Crença de que somos merecedores
- Criar espaço para a essência se manifestar
- Diariamente, por 15 minutos, sente-se em lugar tranqüilo, sem música e concentre-se em sua própria respiração. Dessa maneira o Ego cede espaço para a manifestação do seu Eu Interior.
- Se sentir o impulso de pedir ajuda ou rezar, faça-o sem pedir coisas específicas do tipo loteria, emprego, casamento, casa, etc. Pelo poder da mente, muitas coisas específicas podem até ser conquistadas, mas não se sustentam ao longo do tempo ou não trazem a felicidade desejada. Os pedidos válidos são: paz e harmonia interiores, que os pensamentos e atitudes sejam guiados pelo amor, que tenhamos a visão real dos acontecimentos e o mais importante, que sejamos os melhores instrumentos para a evolução humana. Desta maneira estaremos no fluxo e a vida conspirará em nosso favor por caminhos muitas vezes inimagináveis.A idéia que a eliminação do Ego representa a evolução, é errada. Em essência somos a mesma pessoa e o mesmo amor, mas não em sua manifestação. A verdadeira evolução é colocar o Ego como expressão da essência e não do medo.
Todo ser humano sente um anseio interior mais profundo, este anseio provém da sensação que deve existir, e existe, um outro estado de consciência mais plenificador e uma capacidade maior para viver a vida. O paraíso existe e, apesar de estar dentro de nós, não é um lugar, é uma decisão. O milagre não é o acontecimento, é a visão. Se a essência é a mesma devemos doar exatamente aquilo que mais sentimos falta. Os verdadeiros valores da vida são infinitos.

É momento agora de agradecermos às nossas crises. Elas são dádivas que nos avisam que estamos nos afastando do caminho do amor e nos relembram sempre que :
SOMOS TODOS UM.

Leitura Recomendada: “Um retorno ao amor”
Autora: Marianne Williamson


Fernando Bueno



- Formula de Florais do Cap. 11
Veja clicando aqui o artigo e a Formula Floral sugerida por Thais Accioly



- A meditação sugerida por Rúbia Americano Dantés para o Cap. 11:
"Uma nova realidade emerge quando abandono partes que não me servem mais".
Para Meditar sobre essa frase, clique aqui




- Exercício de Imagens Mentais do Cap. 11:

Sente-se num ambiente calmo e tranqüilo. Os pés devem estar firmes no chão, as mãos colocadas sobre as pernas e os olhos fechados do começo ao fim.

Sabendo que o ego funciona como uma criança que resiste ao crescimento e insiste em só ter prazer, feche os olhos, respire 3 vezes calmamente e veja seu ego como uma criança batendo pés e mãos frente a uma balança em desequilíbrio.

Esta balança representa o movimento que você terá de fazer em busca do equilíbrio.

Aproxime-se desta criança e com a ajuda dela equilibre a balança, sabendo com isso que o ego domado é útil porque é ele que caminha no mundo do concreto.
Fique em paz, resolva suas crises.

Respire e abra os olhos

Izabel Telles

Especial: O Caminho da Autotransformação


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