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O Simples...


Queria escrever sobre o simples... a simplicidade... e pensava sobre isso, logo me deixando levar por conceitos do que era ser simples... quando uma voz interrompe os meus pensamentos e fala:
Complicado é uma orquídea tentar ser margarida e uma margarida tentar ser orquídea.
Simples é uma orquídea ser orquídea e uma margarida ser margarida...

Senti vontade de ver quem me falava e me deitei para mergulhar mais profundo... ao mesmo tempo em que me via sendo transportada a um campo de girassóis onde um homem com um cajado na mão, vestindo roupa branca, me esperava, com a pele dourada pelo sol e os cabelos prateados pela lua...

- Girassóis... pensei encantada enquanto a mente logo questionava... Mas você não falava de orquídeas e margaridas?
- Também são flores... Ele falou enquanto apontava para um pé de girassol me fazendo sinal para que eu me aproximasse dele.
Olhe!
Olhei cada pétala da flor... admirando o colorido... depois o miolo onde as sementes formavam uma mandala perfeita no centro da flor... olhei o caule... toquei as folhas... olhei com detalhas cada parte da flor tentando entender mais profundamente o que ele me passava...

Ele fez um sinal me chamando para onde ele estava agora... um pouco mais distante do girassol...
Aproximei-me e ele falou:
Agora olhe o girassol a essa distância com os olhos relaxados e sinta...
Relaxei os olhos e olhei para o girassol... ao que a planta toda se expandiu ganhando uma energia que teve um grande impacto dentro de mim... Uma sensação maravilhosa me ligou àquela planta que se iluminou como um todo e senti essa força dentro do meu coração, que também se expandia. Senti amor por aquele girassol e pelo campo todo que a partir daquela flor também se iluminou e me fez sentir parte de tudo...

Nem sei por quanto tempo fiquei mergulhada naquela sensação tão boa de sentir, que só foi quebrada pela voz do homem quando ele falou...
Imagine agora se esse girassol se envergonhasse de suas folhas e tentasse escondê-las porque só gostasse das flores...
Ele falou e imediatamente me apareceu a imagem do girassol sem as folhas... e por mais que a flor me parecesse bonita e mais viçosa, não me encantou...
E se o Girassol achasse que essa flor é algo tão especial que ele tem até medo de mostrar...
Na mesma hora a flor sumiu do pé de girassol, me causando um profundo desconforto...
E assim por diante ele foi me mostrando o girassol ora sem caule... sem as sementes.... e por mais que eu tentasse não conseguia viver de novo aquela maravilhosa sensação que tive quando olhei a planta por inteiro...

E se essa planta tentasse ser uma camomila...
Na mesma hora vi o enorme girassol se encolhendo e se contorcendo todo para tentar caber dentro da forma da camomila.. Aquilo me causou tanta aflição que falei que já havia entendido... já havia sentido o que ele estava querendo me passar...
Assim como mágica o girassol brilhou de novo nos meus olhos e no meu coração... para sempre...

Veio-me a lembrança do poema de Fernando Pessoa, do qual sabia de cor o somente o princípio...
“Para ser grande, sê inteiro, nada teu exagera ou exclui”...

Era maravilhoso estar ali naquele campo encantado de girassóis com aquele homem sábio... simples... mas logo fui chamada de volta pelo som da vida que me trazia à realidade... mas sei que dentro do meu coração algo novo e simples fazia a diferença agora...

É claro que corri para o computador para buscar o poema inteiro do Fernando Pessoa, e não tive como não me encantar ainda mais... E como se não bastasse o encantamento que vem de um poema de Fernando Pessoa, encontrei outro... que não conhecia... que fala de girassol... e de muito mais...

Para Ser Grande

Ricardo Reis (Fernando Pessoa)

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a Lua toda
Brilha, porque alta vive.

O Meu Olhar

ALBERTO CAEIRO (Fernando Pessoa)

Guardador de Rebanhos
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...


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Rubia A. Dantés é Designer, cria mandalas e ilustrações em conexão...
Trabalhos individuais e em grupo, com o Sagrado Feminino, o Dom e o Perdão...
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