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Percepção: uma janela para o infinito

por Maria Guida

Percepção: uma janela para o infinito

O que você sente quando olha para o céu noturno?
Você acha que ele é o telhado do mundo e que as estrelas são furinhos por onde vaza a forte luz de um sol exterior?
Você pensa que é ele um grande dossel de cetim azul marinho, onde as estrelas foram costuradas como lantejoulas?
Você o imagina como a abóbada longínqua de uma caverna gigante de onde as estrelas pendem, como lanterninhas acesas?
Você tem a impressão de que está no interior de uma máquina gigante, com funcionamento minuciosamente planejado, no qual as órbitas planetárias funcionam como engrenagens, e onde as estrelas e constelações se acendem e se apagam como luzes num grande painel de controle?

Ou, o céu noturno, para você, se assemelha a um oceano infindável, sinalizado por luzes distantes, por onde você navega, sem rumo e lentamente, numa nau redonda, levemente achatada, que os passageiros batizaram com o nome de Terra?

Se eu tivesse tempo, e pesquisasse um pouco mais, poderia, sem dúvida, fazer uma lista bem maior, com analogias que já foram, e ainda podem ser feitas, sobre o que os seres humanos sentem, quando, numa noite estrelada, levantam a cabeça para olhar o céu.

A essas impressões que temos, quando examinamos algo, com o espírito aberto, sem intenção de julgamento, costumamos chamar de percepções.

Em nossos dicionários, perceber significa entrar em contato com algo, a partir dos cinco sentidos. Percepção, portanto, é tudo o que vemos, ouvimos, cheiramos, tocamos ou degustamos. Mas, para quem acredita que nem tudo o que existe pode ser apreendido pelos cinco sentidos, percepção pode ser, ainda, um pouco mais.

O exemplo mais comum de que podemos perceber muitas coisas que estão fora do alcance dos sentidos físicos, é aquilo que os sensitivos chamam de “visão”.
Quando um sensitivo recebe uma informação por um dos seus canais extra-sensoriais, ele geralmente chama essa informação de “visão”. Mas, nem sempre, o que ele “viu” tem alguma coisa a ver com aquilo que está diante de suas retinas.

Digo isso porque uma das maneiras mais fáceis de saber se a informação que nos chega como imagem é uma percepção extra-sensorial - ou não - é fechar os olhos.

Se fechamos os olhos e mesmo assim a imagem - ou cena - insiste em permanecer nítida em nossa mente, e continua ficando cada vez mais nítida, como uma foto - ou filme - cada vez mais rica em detalhes então, certamente, ela não pertence ao rol daquelas coisas que estão materializadas, diante de nós no plano físico. Elas são resultado de outro tipo de contato.

Lembro perfeitamente de uma das primeiras vezes em que tive certeza de que estava tendo uma visão. Eu morava no Rio de Janeiro. Tinha dezoito anos. Trabalhava num laboratório fotográfico, na Av. Churchill. Saí para tomar um lanche. Enquanto mastigava meu misto quente, olhava distraída para o alto de um prédio, no fim da Av. Franklin Roosevelt.

De repente, vi alguém se atirando de uma das janelas do último andar. Fechei os olhos assustada. E mesmo de olhos fechados, a imagem continuava lá. O corpo caía, mas nunca chegava ao chão. Abri os olhos e olhei de novo para o prédio; a imagem estava lá de novo, como o replay de um gol. Desviei os olhos. Prestei atenção em outra coisa. A visão se dissipou. Então, com a curiosidade inconseqüente de quem é jovem, olhei para o prédio de novo. A coisa continuava lá.

Durante algum tempo, aquilo ficou sendo, para mim, uma espécie de passatempo. Eu ia lá, pedia um sanduíche, e ficava olhando. O homem sempre caía. Com o tempo, eu sabia como eram as roupas dele. O que ele estava sentindo. O que estava pensando. Muitas vezes tive vontade de atravessar a rua e ir falar com o zelador do prédio. Perguntar se alguém havia se jogado do último andar. Nunca fiz isso. Eu tinha medo. Medo de que ninguém tivesse se jogado. Medo de que alguém tivesse mesmo se jogado. Medo de que alguém algum dia, fosse se jogar.

Muitos anos mais tarde, depois de ter certeza de que não era louca, e de que aquilo que me acontecia tinha nome e propósito, pude entender que entrara em contato com um acontecimento gravado na memória daquele ambiente, ou de alguém que vivia lá.

O fato é que minha insistência em acessar aquela percepção muitas vezes, fez com que eu me familiarizasse com o mecanismo que propicia a “visão”. Como uma criança que monta e desmonta um brinquedo, eu insisti em entender como é que aquilo acontecia, até que outros acontecimentos estranhos, e igualmente fascinantes, vieram a absorver meu interesse e atenção.

A maioria dos sensitivos que conheci, não tem dificuldade com a “visão”. Discutindo esse assunto com outros que recebem mensagens de instrutores invisíveis, cheguei à conclusão de que nenhum deles tem dificuldade em distinguir entre o material percebido pelos cinco sentidos e o que lhes chega por outros canais de percepção.

Muitos que, como eu, tiveram essas percepções desde sempre, passaram por alguma dificuldade no começo, e só conseguiram qualificar o contato, e confiar no seu próprio dom, quando buscaram compreender o quê lhes sucedia, com o apoio de mestres encarnados, na convivência com seus iguais, em grupos espiritualistas ou consultando livros inspirados por espíritos iluminados.

Desde que comecei a colaborar com este site, tenho recebido mensagens de pessoas com algum tipo de dom. Muitas me perguntam como fazer para desenvolver-se. Algumas querem saber como livrar-se dele. Outras perguntam porque algumas pessoas são sensitivas e outras não.

Gostaria de dizer aos que têm esse tipo de dúvida, que todos os seres humanos são capazes de entrar em contato com todas as dimensões do Universo. Como individualizações do Incriado Ser Supremo não há limite para a nossa percepção.

O potencial para a comunicação está em nós, mas para entrar em ação precisa ser desenvolvido.

O desenvolvimento dos canais que possibilitam essa comunicação depende de nossa vontade. Isso significa que temos que escolher efetivamente seguir esse caminho. E escolher não implica em tomar uma decisão uma vez na vida e pronto. Decidir ser sensitivo requer renovar a intenção de ser canal todos os dias. Implica em manter esse canal limpo, a serviço do Universo, para uso exclusivo dos instrutores da Luz.

Nenhum ser humano pode ser obrigado a manter comunicação com outras dimensões se não desejar seguir esse caminho. Por outro lado, quem o desejar de todo o coração, mais cedo ou mais tarde atingirá seu objetivo ao dedicar-se sinceramente, buscando com perseverança aqueles com quem sente afinidade de vibração.

As janelas do infinito estão permanentemente abertas ao ser humano. A Divindade nos brindou com o equipamento necessário para estabelecer a conexão. Depende de nós vibrar na sintonia certa, e nos responsabilizarmos pela clareza e a qualidade da recepção.

Nem tudo o que nos chega deve ser revelado. Nem tudo o que é revelado deve ser difundido. Nem tudo o que é difundido deve ser aceito. Nem tudo o que é aceito funciona para todos. No entanto tudo deve ser acolhido com amor e devoção. Porque tudo faz parte do todo. E o todo está em cada um de nós. Porque somos todos um.




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Maria Guida é
colaboradora do Site
desde 2002.

Email: mariaguida@gmail.com
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Publicado em: 15/09/2003 11:01:34

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